Ó p´ra mim, a escrever à moderna!!!

atenção

Excecionalmente, e devido a uma motivação bastante objetiva, vou escrever a redação deste texto segundo as regras do
acordo ortográfico

 

A agência noticiosa Lusa acaba de informar que Portugal tem 12 escolas onde crianças aprendem a tourear e, nalguns casos, a matar touros. Por isso, a denúncia da organização internacional Franz Weber motivou uma recomendação da ONU no sentido de os menores serem protegidos da violência das touradas.

De facto, o Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas aconselhou esta semana o nosso país a criar legislação que restrinja a presença de crianças em touradas, quer como espetadoras quer como espetadoras, mostrando preocupação com os efeitos na saúde física e mental dos menores.

Enfim, a atividade tauromáquica ficaria seriamente afetada com esta decisão, pois as crianças, a serem adotadas as recomendações das Nações Unidas, não mais poderão aprender a espetar bandarilhas, portanto não mais serão espetadoras, assim como nem sequer poderão assistir aos espetáculos taurinos, como espetadoras.

Ora se as crianças portuguesas não mais poderão ser espetadoras nem sequer espetadoras, então isso irá afetar ainda mais o mercado de trabalho, pondo mesmo em risco a nossa recuperação económica.

Culturalmente, também as nossas mais requintadas tradições seriam seriamente afetadas.

Por isso, aqui deixo um sério apelo ao nosso diligente e inteligente (este inteligente é apenas por simpatia para com o senhor que dirige as touradas) Governo e sobretudo à protetora Troika para que permitam que, apesar da inoportuna intromissão da ONU, as nossas crianças possam manter o legítimo direito a ser espetadoras ou, pelo menos, espetadoras. Ponham-se portanto em ação para que esta absurda imposição não prejudique o nosso futuro coletivo como a Nação mais marialva e castiça da Europa. Olé!

Segue-se uma seleção de excecionais imagens demonstrativas daquilo -tão precioso- que nos querem roubar. Devemos lutar, se necessário até à morte, para impedir que as nossas crianças sejam proibidas de ser espetadoras ou, no mínimo dos mínimos, espetadoras!!!

menores na tourada 

Fábula moderna

Esta história, do tipo fábula, é já antiga, quase um clássico do género. Porém, porque tem apresentado diversas versões, aqui se revela uma, devidamente actualizada, segundo as normas em vigor (excepto na redacção, à antiga portuguesa).

Funciona perfeitamente entre nós, tanto nos domínios da educação (universitária ou politécnica), como nos da política e do emprego (sobretudo como assessor em gabinetes ministeriais).

Ela aqui fica.

 

O DOUTORAMENTO DO COELHO
Fábula académica moderna

Era um dia lindo e ensolarado quando o coelho saiu da toca com o seu notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa e, vendo aquele suculento coelhinho tão distraído e tão a jeito, ficou logo a salivar.

No entanto, ficou intrigada com a actividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

-Coelhinho, o que está você fazendo aí, tão concentrado?

-Estou a redigir a minha tese de doutoramento – disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.

- Hummmm… e qual é o tema da sua tese?

- Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.

A raposa ficou indignada:

-  Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!

- Está absolutamente errada! Venha à minha toca e mostro-lhe a minha prova experimental.

O coelho e a raposa entraram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se uns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e logo… silêncio.

Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos de sua coelho doutor (800x604)tese, como se nada tivesse acontecido.

Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho,  e tão distraído, agradeceu mentalmente à cadeia alimentar estar ali, à sua disposição, um jantar garantido.

No entanto, o lobo também achou muito curioso ver um coelho a trabalhar naquela concentração total. Resolveu então saber do que tratava aquilo, antes de devorar o coelhinho:

- Olá, jovem coelhinho! O que o faz trabalhar tão arduamente?

-A minha tese de doutoramento, senhor lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, os coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

O lobo não se conteve e farfalhou de risos com a petulância do coelho.

- Ah, ah, ah, ah!!! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isso é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa…
- Desculpe-me, mas se o senhor quiser eu posso apresentar-lhe a minha prova experimental. Gostaria de me acompanhar à toca?

O lobo não conseguia acreditar na sua boa sorte.

Ambos desapareceram toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e… silêncio. Mais uma vez, o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redacção da sua tese, como se nada tivesse acontecido.

Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e peles de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.

Ao centro das duas pilhas de ossos, está um enorme leão, satisfeito e bem alimentado, palitando os dentes…

 

MORAL DA HISTÓRIA

  • ·        Não importa quão absurdo é o tema da sua tese;
  • ·       Não importa se você não possui o mínimo fundamento científico;
  • ·        Não importa se as experiências nunca chegam a provar as suas teorias;
  • ·        Não importa, mesmo, se as suas ideias são contrárias ao mais óbvio dos conceitos lógicos…

O que importa é QUEM É O SEU ORIENTADOR!!!

 

as redacções da ritinha – 18

o mosquito

ora eu tenho andado mais ou menos de férias há muitos muitos meses sempre à espera que aquele chato do meu tio me deixasse em paz e ele acabou por seguir os conselhos do senhor passos coelho e do senhor nuno portas e emigrou para o nepal para procurar um tal senhor neves que por lá mora e agora já posso voltar a escrever aqui as minhas redacções e a propósito a setôra disse-nos há dias que devíamos fazer um esforço para a nossa escola da reboleira deixar o último lugar dos ranquingues foi assim que ela disse nem sei bem o que isso é mas para o caso também não interessa setôra é setôra e ela é que sabe ora ia eu contando que ela nos disse que devíamos começar por fazer uma redacção sobre o primeiro de dezembro e eu respondi qual primeiro de dezembro se este governo até acabou com ele e a setôra disse pois é por isso mesmo que devem fazer uma redacção sobre o primeiro de dezembro que é para não se esquecerem dele então eu achei que o melhor era mesmo fazer essa redacção e escolhi o dia primeiro de dezembro de dois mil e catorze pois inventar por inventar tanto faz e então ficou assim era uma vez um país governado há muito tempo por um senhor com um nome começado por ésse e esse senhor era muito teimoso e meteu-se numa guerra em áfrica e perdeu a guerra e depois morreu e veio a seguir um outro senhor de passagem que não deixou descendência e por isso no fim de algum tempo e algumas baralhadas à mistura perdemos a independência porque vieram uns tipos duma nação estrangeira chamada troicolândia que nos invadiram e puseram cá uns portugueses a fingir que governavam mas eram eles que lá de fora mandavam em tudo e carregaram o povo de impostos e fecharam as fábricas as escolas e os hospitais e puseram quase toda a gente no desemprego e os tipos de cá a fingir que eram eles que mandavam e de vez em quando até enviavam uns pregoeiros maduros a dizer ao povo que estávamos quase quase quase a voltar aos tempos antigos e a mandar embora os tais chatos da troicolândia mas era sempre mentira e como nunca mais acontecia era por isso que o povo até ia sonhando com o regresso do tal senhor com o nome começado por ésse numa manhã de nevoeiro e por fim se chateou de vez porque já estava cheio de fome e como o povo unido achou que não podia mais ser vencido foram alguns quarenta valentes ou ainda mais que pegaram em fisgas e pedras e varapaus e correram com os tais tipos que fingiam que governavam e até parece que alguns destes se esconderam nuns armários em são bento e em belém mas o povo unido deu com eles e mandou-os pelas janelas fora a gritar abaixo os vasconcelos e quem os apoiar mas depois os tais tipos da troicolândia não ficaram nada satisfeitos e fizeram uma guerra a portugal que levou alguns quarenta anos a resolver mas por fim resolveu-se e foi assim a verdadeira história do primeiro de dezembro de dois mil e catorze acho que a setôra que é toda laranjinha não gostou mesmo nada da minha redacção bem feito que é para ela não ser parva e para a próxima vez inventar um tema mais pacífico e mais decente para as nossas redacções como por exemplo o vinte e cinco de abril que também está muito mesmo muito esquecido e eu até já tenho saudades do vinte e cinco de abril e também de vocês todos por isso um beijinho da

ritinha

Como brilhar nos exames…

A ESCOLA DO FUTURO – UMA VERSÃO NACIONAL

Há dias, revelei aqui uma versão futurista da escola no ano 2000, tal como um século antes fora prevista.

Uma máquina triturava os manuais cujo conteúdo era “introduzido” nos cérebros infantis através de misteriosos influxos eléctricos.

Hoje, a proposta do “blog” é similar. Foi apresentada uns vinte anos depois, mas baseia-se num princípio bastante parecido, diferindo da receita de Jean-Marc Côté na “técnica” de “introdução” dos conteúdos. Porém, a diferença justifica-se plenamente, uma vez que este caso se relaciona com um momento crucial e inadiável do percurso escolar: os exames.

 

Carlos Botelho foi chamado o pintor da cidade. De Lisboa, acrescente-se.

Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho (1899-1982) foi um artista plástico carlosbotelho2que marcou a sua época. Multifacetado, distribuiu-se pelas artes gráficas, pintura, ilustração e decoração. Lisboa, a cidade onde nasceu e morreu, foi o tema tema central da sua criação, tratando-a plasticamente ao sabor da própria evolução artística. Aluno das Belas-Artes, bem depressa abandonaria a escola e se tornaria auto-didacta, tendo passado por Paris.

Entre 1924 e 1929 produziu com regularidade histórias de banda desenhada para o ABC-zinho, jornal pioneiro dessa época. Foram mais de 400 páginas, sobretudo a cores, na capa e contra-capa da publicação. Consideram os especialistas que esta fase foi decisiva na própria formação plástica do artista, constituindo mesmo uma componente essencial da sua carreira e parte integrante da obra criativa pessoal.

Como aspecto interessante deste acervo, assinale-se a reinterpretação, no ABC-zinho, das duas histórias – O Pirilau que vendia balões e A grande fita americana – que o seu director e amigo Cottinelli Telmo tinha desenhado para a revista ABC. O seu estilo concederia uma nova feição aos trabalhos originais.

Amplamente premiado em salões e concursos, Carlos Botelho receberia igualmente justas comendas e distinções de alto nível.

A sua obra plástica, durante mais de 50 anos, revelou-se muito ecléctica. Algumas das pinturas sobre Lisboa foram adaptadas a cartões e traduzidas em tapeçarias superiormente manufacturadas em Portalegre.

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É neste contexto que se realça a produção de Carlos Botelho sob a forma de bandas desenhadas. Desde a sua primeira página publicada no ABC-zinho, em Janeiro de 1924, nota-se uma positiva evolução no estilo, até ter atingido um apreciável nível qualitativo, com perfeito domínio das sínteses narrativas, num estilo personalizado. As histórias curtas são a sua “especialidade, sem embargo de ter produzido séries de continuação.

A historieta em causa, Zé Carequinha, o Cábula, inventa uma receita para fazer carlosbotelho1exames lindos!, utiliza um modelo narrativo muito frequente, de três tiras com três vinhetas cada. Dos elementos tradicionais da linguagem da BD, notam-se as legendas, fora do enquadramento da vinheta (abaixo), signos cinéticos (indicativos do movimento) presentes, ausência de metáforas visualizadas e uso de dois simples balões, nas últimas vinhetas, o segundo desprovido do tradicional limite envolvente e do respectivo apêndice. O traço é simples e eficaz e as cores planas, numa antecipação ao estilo “linha clara” hergeneano, que nasceria anos depois.

Datada de 26 de Abril de 1926, é possível que o argumento e o próprio texto desta BD fossem de autoria alheia. Isso foi muito frequente, sobretudo nestas histórias curtas e com as legendas em verso.

A principal curiosidade, tal como destaquei no início, diz respeito à descrição da técnica de aprendizagem acelerada, passando por uma máquina trituradora de manuais relativamente semelhante à “inventada” por Jean-Marc Côté na sua antecipação da escola no ano 2000.

Aqui, o cábula reduz a ciência a um “caldo” onde se sintetizam dicionários, sinopses, leituras, gramática, educação cívica, história, ciências, tabuada, contas e problemas (conforme consta das lombadas dos manuais), líquido depois vertido directamente para o cérebro, após uma conveniente trepanação caseira. As torrenciais respostas do Zé, no exame, fazem depois lembrar a inesquecível e antológica cena da fita portuguesa A Canção de Lisboa, onde Vasco Santana impressiona o júri com a sua sapiência centrada no “esternocleidomastoideu”.

Acrescente-se, pela inerente curiosidade que este foi o primeiro filme sonoro nacional, realizado na Tobis em 1933 por Cottinelli Telmo, precisamente o genial director do ABC-zinho, tendo Carlos Botelho sido assistente de realização. Lembre-se ainda que Martins Barata, Reis Santos, Leitão de Barros, Stuart Carvalhais e outros se tinham encontrado com Carlos Botelho e Cottinelli Telmo nos bancos do Liceu Pedro Nunes. Julgo que estes “pormenores”, todos juntos, são qualquer coisa mais do que simples coincidências…

E aqui fica esta página de antologia.

carlosbotelho4

NOTA – A receita acima descrita não se recomenda…

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

  

Olhar com olhos de ver – onze

TESTE

Com a proposta de hoje, conclui-se esta breve pausa estival com que pretendi, por um lado, recordar passatempos de outras eras e, por outro, proporcionar uns momentos de descontracção aos leitores nisso interessados e para tanto disponíveis.

Como não disponho de qualquer retorno e porque as visitas ao blog tem sido substancialmente mais baixas em relação aos meses ditos “normais”, também não faço a menor ideia sobre a eventual aceitação da rubrica.

De qualquer forma, para o ano por esta altura, se ainda existir blog e se me apetecer, escolherei outro tipo de passatempo, também retirado de velhos arquivos e aqui estaremos…

Daqui a dias serão aqui reveladas as sete semelhanças existentes entre os dois diferentes desenhos.

E até à próxima oportunidade!

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