Olhar com olhos de ver – quatro

TESTE

Aqui se apresenta a solução do problema (ou teste) de observação comparada proposto no dia 21.

Novamente se reproduz a resposta inserida na época, completando-a, para melhor esclarecimento, com a indicação gráfica das sete semelhanças. Daqui a dias, publicar-se-á outra charada.

Renovo o desafio: seja qual tenha sido o resultado obtido pelos leitores que enfrentaram (ou resolveram!) mais esta questão, aqui fica o incentivo para a próxima.

Verão é Verão!

teste 2 solução

Olhar com olhos de ver – três

TESTE

 

Continua o Verão, à espera de melhores dias, que confirmem a expectativa de um tempo seguro e próprio da época, à margem das partidas meteorológicas que quase fizeram carreira.

Como prometido, independentemente de ter despertado algum interesse a anterior proposta, como nesta página mando eu, aqui vai outra charada.

Relembro que o desafio consiste em encontrar sete semelhanças -semelhanças!- entre dois desenhos diferentes, portanto rigorosamente ao contrário da tradicional pesquisa de algumas diferenças em desenhos aparentemente iguais.

Vou hoje reproduzir mais uma proposta deste tipo, com umas décadas de vida em relação à publicação original…

 

teste 2

 

Daqui a dias, aqui estará a solução.

 

 

Olhar com olhos de ver – dois

TESTE

Aqui se apresenta a solução do problema (ou teste) de observação comparada proposto no dia 13.

Reproduz-se a resposta inserida na época, completando-se, para melhor esclarecimento, com a indicação gráfica das sete semelhanças. Daqui a dias, publicar-se-á nova charada, tal como foi prometido.

Seja qual tenha sido o resultado obtido pelos leitores que enfrentaram (ou resolveram!) a questão, aqui fica o incentivo para nova tentativa.

Verão é Verão!

teste 1 solução

Olhar com olhos de ver – um

TESTE

 

Nestes tempos de Verão, não apetece investir muita energia em coisas sérias.

Já basta o que basta com as desgraças que nos cairam em cima por causa da manifesta falta de qualidade da gente que desde há anos nos tem vindo a desgovernar, com os resultados já à vista fora os que podemos adivinhar nos próximos episódios.

Por isso, e porque tristezas não pagam dívidas (se pagassem já não devíamos nada a ninguém!), deixo aqui uma proposta para ver coisas com outros olhos.

Todos conhecemos uns passatempos do género “encontre as diferenças“, a partir do confronto entre duas imagens (desenhos ou fotografias) aparentemente iguais, apenas se distinguindo em sete ou oito pequenos pormenores. As páginas de alguns jornais e revistas apresentam regularmente propostas deste tipo.

O que hoje aqui se propõe é exactamente o inverso: a partir da observação de duas imagens diferentes, o desafio consiste em achar os pormenores iguais. À primeira vista tudo parece mais ou menos idêntico à proposta tradicional, mas não acontece exactamente assim. Bem pelo contrário.

Agora não existem imagens globalmente idênticas, quase iguais salvo nesses tais pequenos detalhes, surgindo como palco ou terreno de partida (e pesquisa) dois desenhos radicalmente distintos, onde apenas sete pormenores se assemelham. É portanto tudo, ou quase tudo, ao contrário.

Portanto não existem análises parcelares, pesquisas ordenadas por faixas ou zonas, aspectos parciais que saltam por vezes à vista “desarmada”… A lógica terá de ser bem diversa, com tácticas de procura diferentes. Enfim, creio, pela própria experiência, que encontrar sete semelhanças entre dois desenhos diferentes é bem mais difícil e exigente do que achar sete diferenças entre dois desenhos semelhantes.

Vale a pena comprová-lo, concordando ou discordando desta convicção pessoal.

Este tipo de passatempo, que não tenho encontrado recentemente nas páginas da imprensa (não consumo tipos de publicações especializadas em charadas), foi muito divulgado pelos inícios dos já distantes anos 70. A Flama e O Século Ilustrado, os dois semanários generalistas mais populares desses tempos, publicaram desafios gráficos deste tipo, de que aqui decalcarei alguns exemplos.

Eram apresentados como testes à argúcia e ao poder de observação dos leitores interessados e apresentavam mesmo uma espécie de grelha de avaliação dos resultados obtidos, contando cada descoberta como um ponto:

 

7 pontos       – excepcional poder de observação
5 a 6 pontos – bom poder de observação
3 a 4 pontos – razoável poder de observação
1 a 2 pontos – mau poder de observação

0 pontos       – péssimo poder de observação

Estas conclusões valem o que valem e tanto os testes como a grelha estão muito longe de qualquer validação científica. Podemos, prudentemente, deixar as coisas nos domínios da pura diversão e curiosidade como passatempos de Verão…

Vou aqui reproduzir regularmente algumas propostas com mais de quarenta anos. Dois ou três dias depois revelarei a respectiva solução. Tanto os “testes” como as “soluções” são reproduzidos directamente dos respectivos originais publicados nas revistas atrás citadas, pelo que não me cabe qualquer reponsablidade em eventuais “erratas”.

Aqui fica o primeiro.

 

teste 1

 

 

Aos benfiquistas amigos

Ao Mário Casa Nova Martins e a outros benfiquistas amigos

Aqui vai um vídeo, dos muitos que povoam o espaço da Net, sobre o recente desaire do Benfica no Porto.

Escolhi este, porque me parece o mais inofensivo de todos os disponíveis e isto é uma brincadeira. Se escolhesse o de Hitler a comentar o caso ou, pior ainda, aquele onde surgem dois inefáveis locutores do canal Benfica TV “apanhados” no momento fatal do minuto 92, então sim, isso poderia ser entendido como uma provocação, que não é. Para mais partindo dum sportinguista que acabou de viver umas das mais deploráveis épocas na história gloriosa do seu clube, que se arrasta agora pelas ruas da amargura.

O Benfica ainda pode ganhar dois troféus e salvar, nos mínimos, uma época que chegou a ser prometedora e que levou alguns dos seus responsáveis a festejar antes do tempo. Naturalmente, com excepção de um improvável milagre em Paços de Ferreira, o principal objectivo benfiquista esvaiu-se…

A especial dedicatória ao Mário é devida ao facto de ele próprio, no blog que assina, ter assumido a saudável capacidade de ironizar, sucessivamente, a derrota do seu clube, o nacional, já que esta paixão é partilhada com o Desportivo Portalegrense.

Não sei se a cozinheira húngara do filme pertence ao elenco dalguma tasca no Bairro Alto. Provavelmente será mais lógico que trabalhe numa casa de pasto da Ribeira…

Um abraço do António Martinó

PS – Já agora, boa sorte para logo!

É a cultura, estúpido!

É a cultura, estúpido!

A frase que ficou historicamente famosa não é exactamente esta, mas a verdade é que assim, tal como está escrita no título acima, é que costuma funcionar. A autêntica, que lhe deu origem, deve-se a um assessor do ex-presidente Bill Clinton, James Carville, que gritou num comício perante o povo americano “It´s the economy, stupid!“, para apelar ao voto no seu candidato, retirando-o a Bush (pai). E o esquema resultou em pleno.burro

 

Lembrei-me da frase, porque me parece ter sido concebida de propósito para comentar a notícia, recente, de que apenas 44 dos mais de 2300 candidatos a diplomatas passaram à segunda fase do concurso, após uma prova eliminatória de cultura geral, prestada a 20 de Abril. Portanto, matematicamente falando, chumbaram 98% dos examinandos. Noventa e oito por cento, repito por extenso…

Os jornais deram conta de algumas das questões, do tipo teste “americano” de escolha entre respostas múltiplas (4 hipóteses): qual o rei da batalha do Salado; qual o rio não  internacional; qual a nacionalidade do pintor Malangantana; qual a obra não pintada por Leonardo da Vinci, qual o avanço medicinal ligado a Egas Moniz, qual a autora de determinado verso, qual o país não localizado no Corno de África, qual o prémio ganho por Siza Vieira em 1992, qual a localização do Palácio das Carrancas, qual o país de que Schuman foi ministro dos Estrangeiros…

Alguns dos candidatos, certamente pertencentes ao lote dos 98%, divulgaram publicamente a propósito um interessante comentário/desabafo intitulado “As necessidades do Trivial Pursuit“. Aí desvendam e criticam mais algumas questões, sobre “o ADN, a batalha de Alfarrobeira sob estranhos pontos de interesse, as acções familiares de Filipa de Vilhena, qual o planeta por onde passaríamos se viajássemos da Terra até Urano pelo caminho mais curto, o que é um amigo do alheio, o que significa ser uma pessoa prognata, o que foi o ‘estilo chão’, o que é um cefalópode, quem é que não tem ascendência portuguesa conhecida, quem realizou o ‘Pai Tirano’, qual é a raiz quadrada de 3.141, o que eram os Guelfos e, ainda, uma pergunta sobre Rousseau que envolvia averiguar um romance conhecido deste autor…” Citei.

Um antigo e respeitado diplomata, Francisco Seixas da Costa, emitiu também uma opinião sobre o candente tema. Em suma, ele declara ser óbvio que qualquer diplomata nacional tem de possuir conhecimentos de natureza cultural fora da sua área específica de intervenção. E, depois duma exposição muito bem articulada, e prática, deixa uma interrogação: a de sabermos, de ciência certa, se é através de testes “americanos” e, mais especificamente, dos que foram agora aplicados que se avalia a cultura geral dos futuros diplomatas.

Por mim, serei ainda mais sintético. Tenho aqui ao lado, numa estante, uma colecção completa de “provas de exame de admissão aos Liceus” da década de 40 do passado século. A proposta pessoal consistiria em aplicar tais provas -ditado, redacção, desenho, história e geografia, aritmética e geometria, português e gramática- aos actuais e futuros candidatos à diplomacia.

Tenho a certeza de que as chancelarias, os consulados e outras representações diplomáticas nacionais ficariam vazias por longos anos (à elevada consideração do senhor ministro das Finanças, para efeito de eventuais e consideráveis poupanças nas despesas do Estado).

 

António Martinó de Azevedo Coutinho 

PAPERMAN

Paperman, o homem do papel, é uma curta metragem de animação, praticamente a preto e branco, que acaba de ganhar o Óscar da sua categoria.

Foi dirigida pelo realizador John Kahrs, produzido pelos estúdios da Walt Disney, e associa animação tradicional, a partir de desenhos, com animação por computador. Datado de 2012, o filme já vencera alguns significativos troféus, sendo agora distinguido com aquele que é considerado a máxima consagração.

Paperman_-_Single

O argumento é simples e conta uma história que nem sequer vale e pena desvendar, porque é preferível apreciá-la, ao vivo e na tela mais próxima, que fica mesmo aqui, já a seguir…

A terna ingenuidade que ressalta da história, onde se habilmente se misturam o contexto realista com o maravilhoso, é provavelmente o segredo do êxito. O amor, nascido dum acto fortuito e alimentado por uma tenaz persistência, é o sentimento dominante num filme, curto mas fascinante da primeira à última cena.

A história, encerrando um tema sério, trata-o de forma muito divertida e até engenhosa, servindo-o por meio de desenhos e animações bastante expressivas e convincentes.

Enfim, eis o convite para, numa oportunidade retirada do Youtube, ser aqui apreciada esta pequena e deliciosa maravilha da animação.

A HISTÓRIA DO CORNETEIRO

De amigo que muito prezo e a quem agradeço a generosidade, recebi este documento histórico-cultural que, pela sua flagrante actualidade, de imediato partilho com os estimados leitores.

Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade – tempo do nosso rei D. Afonso Henriques – no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque* sobre os vencidos.corneteiros

Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar “início ao saque” a que as tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para pôr “fim ao saque”.

Mas, fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, antes de conseguir tocar o “fim ao saque”.

E, até hoje, ninguém voltou a tocar, anunciando o fim do saque.

Afinal a culpa é mesmo do corneteiro!…

Não haverá por aí alguém que conheça o toque ?

*(Saque – s. m. : acto de saquear. Roubo público legitimado)

 (Lendas Malditas de Portugal, autor anónimo do séc. XXI)