O LÓTUS AZUL – XXI

XXI – Conclusões para… começar!

Sete longas semanas, quase dois meses de pesquisas e de incertezas, de confronto de informações dispersas, de interrogações, muitas, e de respostas, algumas.

Li centenas de páginas em dezenas de fontes, hesitei na formulação das hipóteses, acertei e enganei-me nas conclusões, segui pistas tortuosas quando provavelmente tinha a via certa logo ao lado, e desprezei-a. Ao fim e ao cabo, percorri os habituais caminhos do pesquisador. É muito mais fácil copiar do que experimentar e, sobretudo, criar. Mas dá muito menos gozo.

Desprezei as banalidades próprias de almanaque ou as curiosidades vulgares de anedotário, meros enfeites decorativos ou falsa erudição.

Constituiu também fascinante desafio a pesquisa, organização e montagem das ilustrações que achei adequadas. Foram setenta no seu total e muitas delas exigiram minuciosas intervenções técnicas.

O Lótus Azul revelou-se, e isso foi uma confirmação, como obra culminante no percurso criativo de Hergé, marco de viragem decisivo com um antes e um depois completamente distintos.

A natureza especial do álbum, a influência de Tchang, a temática abordada e o seu “exótico” contexto conferem a esta aventura de Tintin uma frescura ainda hoje quase original.

Procurei manter, em cada momento do trabalho, uma rigorosa coerência com o propósito antecipadamente proclamado, o de mantê-lo sempre acessível aos não-iniciados no mundo da BD, sem com isso decepcionar os especialistas. Neste precário equilíbrio, tive de fazer algumas concessões, que -assim o julgo- não afectaram a sua qualidade média.

Relembro os amigos certos, António Dias de Deus, Carlos Gonçalves, Leonardo De Sá e Geraldes Lino, velhos companheiros de jornada nesta aventura colectiva dos quadradinhos, a quem dediquei expressamente o trabalho agora findo.

Mais distante, no Brasil, quero também saudar outro amigo, Pedro Britto, titular dum excepcional blog dedicado a Tintin. Ele teve a gentileza de assinalar publicamente a existência deste trabalho e a verdade é que, no país irmão, já conto, neste momento, com quatro dezenas de fiéis leitores.

A esta galeria das personalidades envolvidas, deverei agora acrescentar o desenhador belga Laurent Colonnier, com quem travei um significativo diálogo no decorrer da elaboração do estudo e a quem saúdo com admiração e amizade. E termino com um justo agradecimento a Cheng Hao, quase um portalegrense de adopção, que soube descodificar os sinais que o seu compatriota Tchang Tchong-Jen, há muitas décadas, fez inscrever nas páginas do álbum, pela mão, caneta ou pincel de Hergé. Sem o seu amável e precioso contributo, o meu trabalho ficaria incompleto e ainda mais imperfeito.

A todos os leitores e amigos que tiveram a generosidade de seguir esta longa série, e o fizeram com tolerância ou com interesse, fielmente às terças, quintas e sábados, o meu obrigado.

E até à próxima aventura de Tintin.

Ou de outro herói, intercalar…

 António Martinó de Azevedo Coutinho

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