Portalegre 1927 – 6

6 – RETRATO ROMÂNTICO DUMA CIDADE (dois)

O final da descrição de Portalegre fornece novos motivos de análise e breve comentário.

Esta segunda metade inicia-se com a descrição do convento de Santo Agostinho, onde ainda está alojada a GNR. A antiga cadeia civil já há muito foi desactivada, mas algunss de nós, os portalegrenses mais velhos, ainda nos lembramos de ver os detidos acenando atrás de janelas gradeadas que davam, a dão, para a Rua da Torre do Pessegueiro.

Vem depois um novo erro “técnico”, muito repetido e ainda hoje, na denominação do mosteiro (e não convento!) de N.ª S.ª da Conceição, entre nós mais conhecido por S. Bernardo. De resto, a sua descrição sumária alude ao majestoso túmulo do bispo D. Jorge de Melo, só por si justificativo duma visita. Ao tempo estava ali alojado o batalhão de Caçadores 1, já referido.

Falta uma referência, a de que o nosso museu municipal ali se encontrava, nas instalações do próprio mosteiro, sendo essencialmente constituído pelo seu espólio.

O hospital local funcionava, e durante mais algumas décadas assim ainda sucederia, no edifício da Misericórdia. É muito interessante a breve súmula da sua anterior deambulação por outras ruas e outros edifícios da cidade. Oportuníssima é a alusão ao gabinete de radiologia, uma vez que este tinha sido acabado de montar e estreado, precisamente, a 12 de Dezembro de 1926. Deve ter coincidido com a impressão da agenda-brinde!

Em contrapartida, está logicamente desactualizada a referência ao Albergue dos Inválidos do Trabalho, que entretanto mudou para outras instalações até à sua integração noutras estruturas de apoio e segurança social.

 

A Fábrica da Moagem e da Luz Eléctrica, sita na Estrada Nova, em zona hoje radicalmente alterada pelos novos conceitos urbanísticos, era vizinha da Fábrica de Lanifícios, hoje desactivada. A Fábrica Real, na Corredoura, é hoje o edifício da Câmara Municipal, depois de ter alojado no seu seio uma infinidade de instituições locais, das quais apenas se destacam a Sociedade Recreativa Robinson, a Sociedade Musical Euterpe, a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e a delegação da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).

Sobre os aprazíveis passeios que Portalegre oferece, Régio, apenas alguns anos depois, di-lo-ia como poucos. Apaixonado pelos arredores da cidade, o inspirado autor da Toada tornar-se-ia uma espécie de assumido propagandista turístico…

O Bonfim (Norte), a Penha (Poente) e São Cristóvão (Nascente) são três pilares duma espécie de “rede envolvente” da cidade e teria sido oportuno que o redactor lhes tivesse juntado a capela de Santana (Sul), para fechar o quadrado protector…

Quanto aos edifícios destacados, Governo Civil (hoje extinto), Liceu Central (hoje ESEP) e Escola Industrial (hoje IPP), estes constituem uma leve amostragem, apenas, dos restantes solares já existentes na época, que lhes poderiam ter sido adicionados com inteira justeza. Mas compreendo que a agenda-brinde dispusesse de um exíguo espaço, ainda assim muito bem aproveitado.

Mas -que pena!- faltaram o castelo, as muralhas, as portas, Santa Clara, São Lourenço, os jardins, eu sei lá!

Encontrei uma pequena agenda, embora na sua capa ostentasse o título Brinde, relativa à nossa terra no já distante ano de 1927. Por meio dela, fizemos afinal uma viagem por outras eras, em Portalegre cidade…

 António Martinó de Azevedo Coutinho 

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