Um relatório

Da WordPress, administradora do espaço da NET que alberga o Largo dos Correios, recebemos um relatório anual (semestral, dada a nossa estreia em Junho) da actividade do blog.

Agradecendo a gentileza da informação e sobretudo o generoso acolhimento concedido, retribuímos à WordPress os votos de um Feliz Ano Novo de 2013.

Ao mesmo tempo, partilhamos com os leitores o essencial da informação recebida, pois significa a adesão colectiva que muito nos honra e significa o melhor estímulo para continuar.

Obrigado a todos!

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FELIZ ANO NOVO

Boas Festas Ano Novo

Os votos pessoais de um Novo Ano próspero para todos os leitores e amigos do Largo dos Correios/Fonte do Rosário são envolvidos por um certo sentimento de nostalgia.

Associo-lhes deliberadamente duas imagens de outras eras, com quase um século de existência. A superior é a reprodução dum postal de tempos em que o cuidado posto ao serviço das mensagens especiais era rodeado dum rigor técnico que ainda hoje nos impressiona pela perfeição formal e pela delicadeza das composições.

A imagem inferior, personalizada, é-me muito grata. Trata-se da digitalização duma pequena pintura decorativa executada pela minha avó materna Maria d’Alegria (que não conheci), irmã do pintor Benvindo Ceia.

Na sua alegórica simbologia, para além duma evidente vocação genética, o trabalho contém a assinatura da autora (M.A.C.) no canto inferior esquerdo e, na tira, uma inscrição pouco legível onde se consegue decifrar parte: Felizes Annos. Considero-a, portanto, como uma mensagem adaptável a esta época.

Aqui ficam os nossos votos de um Novo Ano em que a esperança em melhores dias se transforme numa realidade positiva, em saúde, paz e amor.

Já agora, apesar da crise, da troika, do desemprego e de todos os outros modernos terrores sociais, que 2013 seja o tempo certo de acreditar num autêntico Futuro para Portugal e para todos nós.

A Voz Humana

A Voz Humana

pascoalEste é o tempo da voz. Simbolicamente, todos os anos a Igreja faz-nos crer que um menino virá pregar a fé que recria a esperança. E que a fé não se rodeia de mantos com brocados, mas de palha ou, numa versão mais actual, de caixas de cartão forrados de jornais e cobertores velhos. Para pregar é necessário, não apenas um código, a língua, e não somente a habilidade de o pôr em prática, a fala. Para pregar é necessário muito mais, desde logo o acesso ao poder da fala e de ela chegar aos outros. Isso é que é a voz: possuir um léxico e ser-se ouvido.

Neste tempo, a capacidade de luta das populações mede-se pela sua eficácia interventiva. As manifestações que congregaram milhares de pessoas em todo o país permitiram chegar à voz, até ela, pouco a pouco, ir perdendo a sua força colectiva e regressar ao grito individual contra a injustiça e contra a intolerância de quem governa e de quem gere, do exterior, as funções do Governo.

No quadro de Munch, O Grito, aquilo que começou por ser a expressão do que existe dentro nós, passou a ser a representação de uma cultura que nos coloca entre a ordem e a desordem. Da fala passou-se à voz. Ao contrário do que acontece em alguns países, em Portugal, depois de se conquistar uma posição de poder, não se sabe muito bem o que fazer com ela. É por isso que as lideranças são indispensáveis. Não basta alimentar a sublevação das populações; há que orientar esse pronunciamento num programa criativo, reformador e participado. Infelizmente, quase nunca é possível obter convergências partidárias: a esquerda portuguesa já não tem pés, de tantos tiros que lhes deu.

Anthony Burgess, referindo-se à personagem principal de Laranja Mecânica, Alex, recorda a escolha do seu nome pelas conotações irónicas (Alexandre Magno), e avisa que aqueles que assaltam o poder pela força bruta acabam vencidos, impotentes, reduzidos ao silêncio (basta passar em revista a história dos grandes ditadores). Burgess diz que Alex “Impunha aos outros a sua lei (lex), acabando convertido numa criatura sem lex ou léxico, um a-lex”. Uma criatura sem voz.

Neste país, a sobrevivência de uma voz popular (não a vox populi) escorada por líderes genuínos e pelo compromisso dos media é uma miragem. A propensão para caricaturar as questões vitais deita sempre tudo a perder. Não conheço, para além dos portugueses, quem melhor se adapte à intolerância governativa e faça disso, através do anedotário, um factor de menor importância. Rimo-nos de quem nos bate, mas pedimos-lhes que não parem de bater (talvez para continuar a rir). Somos incapazes de manter a seriedade das nossas convicções.

Jesus acrescentou uma dimensão humana à religião. E trouxe, de facto, uma voz: aquela que se pode ouvir acima de todo o ruído do mundo. É muito bonita a fictícia dedicatória do livro de Zuwaine, no filme A Intérprete: “O tiroteio ao nosso redor é difícil de ouvir. Mas, a voz humana é diferente de outros sons. Pode ser ouvida acima de qualquer ruído. Mesmo quando não está a gritar. Mesmo que seja apenas um sussurro. Mesmo o menor sussurro pode ser ouvido sobre os exércitos, … quando se diz a verdade!”. Este voz é semelhante à voz do Natal, aquela que veio para dizer que somos todos iguais. E que é necessário libertarmo-nos da voz do dono.

António Jacinto Pascoal

O mar e a serra

Nós temos desperdiçado o nosso maior bem, a montanha; aqui, aproveita-se com modernidade o seu maior atributo, o mar. Eis-nos perante uma diferença fundamental, encerrando porventura uma lição, um desafio.

Em tempos difíceis de crise, seremos capazes de ainda entender isto?

Cito-me, e faço-o apenas pela oportunidade que tal justifica e não porque considere o facto em si mesmo relevante.

Foi assim que terminei o texto em que dava conta da profunda alteração deliberadamente provocada na minha vida, cuja justeza estes escassos dias já comprovaram em absoluto.

Inseri tal texto no blog na passada sexta-feira e logo no sábado imediato um artigo do jornalista Pedro Bidarra, divulgado no DN (secção Dinheiro Vivo) concedia forte confirmação ao meu desabafo pessoal. Intitulou-se esse artigo À atenção dos senhores do turismo, completado pelo subtítulo É a diferença que é notada. A nossa está na nossa geografia. Há que promovê-la como única.

Nem mais, nem menos. Se a diferença geográfica de Peniche, num litoral rico de oportunidades, são as suas ondas vocacionadas para o surf (e para outras finalidades…), já a diferença geográfica de Portalegre, num Alentejo carregado de inexploradas potencialidades, é a sua serra.

Falo do que sei e do que tentei colectivamente pôr em prática. Nos anos 60, quando integrei um elenco autárquico, nesses tempos da “outra senhora”, procurámos marcar uma certa diferença em termos de futuro. Foi então que fomos buscar a água de que tanto precisávamos à quantidade e qualidade da que brotava na Portagem, desde a fabulosa Quinta dos Olhos d’Água, hoje sede do Parque Natural da Serra de São Mamede; montámos a rede de carreiras municipais de autocarros urbanos, que então serviam a cidade toda e os arredores imediatos, incluindo algumas freguesias rurais; alugámos o espaço, mítico, da Quinta da Saúde, na perspectiva de aí instalar progressivamente o parque de merendas e de lazer, de que a comunidade local nunca dispôs, e um complexo turístico de alcance nacional e, se possível, internacional. A saída, em missão de soberania, do presidente de então e a substituição do elenco municipal frustraram a execução do plano, depois trocado por outras realizações de que a cidade também carecia, a título porventura mais urgente e imediatista.

O que é hoje a Quinta da Saúde resume-se à saudade do seu antigo esplendor, desde a desaparecida Festa do Aventais à extinção do afamado restaurante, ao encerramento do alojamento ali montado, ao “exílio” do parque de campismo, sempre precário, ao desmantelamento de estruturas e de projectos. Ficaram algumas residuais tabuletas, publicidade hoje enganosa, a recordar a amarga realidade…

serra

Pedro Bidarra, depois de citar os milhões de euros que o evento trouxe à região de Peniche, volta e bem à sua filosofia de base: “O Mundo está cheio de coisas iguais. É a diferença que é notada. É a diferença que é procurada. É a diferença que vende. A nossa diferença está na nossa geografia…”

A magnífica serra de Portalegre (e a montanha de São Mamede, de que ela é porta de entrada) constitui a nossa diferença num Alentejo carregado de outras diferenças. Algumas destas também as temos, da gente acolhedora à magnífica gastronomia dita regional, da cultura local com a monumentalidade construída, com a rica carga histórica e biológica que ostentamos, mais a paisagística e a museológica, e também a tradição folclórica e artesanal…

E o Alentejo, o restante grande Alentejo, não tem uma montanha como a nossa e com as potencialidades que noutros tempos aí foram exploradas e até renderam.

Por isso repito: quando saberemos perceber e resolver este desafio, esta provocação?

 António Martinó de Azevedo Coutinho

REENCONTRO DE AMIGOS

Conheci o Seara em Évora, na Escola do Magistério Primário, onde ambos estudámos. Foi no início dos anos cinquenta do passado século e ele era finalista quando eu entrei. Já então o Seara denunciava as preocupações culturais que sempre o acompanhariam ao longo da sua fértil vida.

Norte alentejano como eu, ele do Gavião, um pouco mais acima da minha Portalegre natal, tivemos noutro ilustre gavionense, o saudoso Padre José Patrão, um sólido amigo comum.

Quando comecei a frequentar Peniche, onde agora me fixei, ainda numa oportunidade o Padre Patrão, há um bom par de anos, aqui passou uns dias de convívio connosco.

grupo

Entretanto, passara o Seara por Portalegre, onde exerceu, onde exercemos juntos na desaparecida Escola da Fontedeira, de que a fotografia junta nos mostra um momento de convívio. Connosco estão Jaime Belém, director da Escola, que tinha sido meu professor das primeiras letras, D. Benedita, mãe do Patrício Rodrigues, meu colega liceal, Maria Violeta, catequista e cidadã empenhada nas causas da assistência, e a Graciete, que depois seria esposa do Luís Branco, outro bom amigo.

Conviveu então o Seara com José Régio e lembro-me das fabulosas fotografias que ele fez do autor da Toada, assim concretizando duas das suas paixões, a cultura e a fotografia.

SEARA 2Foi imediatamente antes da vinda do Seara para Peniche, onde pessoalmente se realizaria e onde realizaria uma obra de marcante intervenção na sociedade local.

Não pretendo aqui deixar uma cronologia da sua vida, muito menos uma biografia, mas não deixo de referir, por justa, uma presença de décadas sempre alinhada por uma qualidade polivalente ao serviço da comunidade.

Jornalista, com mais de 40 anos a dirigir o quinzenário A Voz do Mar, poeta com obra publicada (Um Rio chamado Ilusão e À Conquista de Horizontes, poemas), professor e formador competente e empenhado, foi o Seara alvo de justíssimas homenagens de Peniche e dos penichenses, que souberam reconhecer a qualidade e a profundidade duma vida dedicada quase por inteiro ao seu semelhante.

Reencontrar o António Alves Seara, poder contar novamente com ele nesta minha adaptação a um novo meio, que é agora comum, representa um inestimável privilégio pessoal.

António Martinó de Azevedo Coutinho

A cor do dinheiro – II

bilhar cor

Os grupos mais significativos de talões abarcam, sobretudo, três instituições locais: a Sociedade União Operária, que a malta conhecia como Sociedade Vintém, designação bastante proletária; o Clube de Futebol do Alentejo, ou Alentejo Futebol Clube (quase à inglesa!); e a Casa da Mocidade.

Num brevíssimo apontamento complementar, pode acrescentar-se que a Sociedade União Operária foi fundada, conjuntamente com o Montepio Operário Portalegrense, pelos anos 1905 e 1906, com activa intervenção de Pedro Castro da Silveira, genro do patriarca George Robinson e cunhado de Wheelhouse, sendo a sua sede instalada num prédio térreo no Largo da Fonte da Boneca (Serpa Pinto); o Clube de Futebol do Alentejo nasceu a 1 de Agosto de 1922, tendo sido a delegação n.º 3 do Sporting Clube de Portugal, com sede na Rua do Pirão (Mousinho da Silveira), em casa com rés-do-chão e dois amplos andares; a Casa da Mocidade, sita da Rua de Santo André (Alexandre Herculano), fronteira ao plátano e ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, abriu solenemente as suas portas à juventude portalegrense no dia 1 de Dezembro de 1944, onde lhes disponibilizou salas e pátio com jogos, biblioteca, refeitório e diversos ateliers de formação.

A vasta colecção dos talões de que aqui reproduzo alguns conjuntos presta-se a diversas análises que nem me atrevo a explanar em pormenor, deixando tal tarefa ao gosto e interpretação de cada leitor.

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Apenas me permito deixar algumas notas soltas.

Antes do mais, ainda que os dicionários não consignem tal significado, a gíria que era entre nós usada para denominar os talões era: os baratos. Assim, talvez alguém quisesse considerar como baixo –ou acessível- o custo do aluguer de tempo e equipamento, o que não correspondia, com rigor, ao que pensávamos a tal propósito… Este deveria ser, provavelmente, o ponto de vista da “entidade patronal”, neste caso as direcções das agremiações em causa.

Na imagem que contém três talões soltos, da FNAT, com sobretaxa Ping sobre o impresso Bilhar, $50 em vez de 4$00, outro do futebol (?), com Peão a um escudo, existe uma peça única, relativa ao Grupo Desportivo Portalegrense, dotada da qualificação: Baratos.

Depois, há a questão essencial (ainda que meramente formal) de relacionar o colorido com o custo: a cor do dinheiro, que inspirou este título. Ainda que nem sempre presente, esta distinção visual é curiosa.

Pode também estabelecer-se um confronto entre os custos do mesmo jogo nas diferentes sedes e, até, ao sabor da relativamente baixa inflação desses tempos. De referir, ainda, a lógica distinção entre bilhar novo e velho…

A análise pode levar-nos a perguntar o que significavam 5 minutos de ping-pong. Nem para o aquecimento dava! No entanto, creio que a numeração, seguida em sequência, de algumas séries de talões denuncia a continuidade do prélio por vários períodos sucessivos de 5 minutos.

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Uma das notas mais curiosas, que precisa duma explicação complementar, diz respeito aos talões alusivos ao stik (Casa da Mocidade). Entre as modalidades disponíveis, havia o hóquei em patins, jogado num precário ring de cimento sito no polivalente pátio. Mesmo que a maioria de nós nem sequer soubesse patinar, sempre se podia brincar a um sucedâneo: o hóquei em sapatilhas, um “misto” inventado por nós que não dispensava o instrumento fundamental para impulsão da bola.

Acrescente-se que nos campeonatos escolares praticava-se a modalidade, que tinha as suas vedetas locais.

E muitas outras considerações, que a memória pessoal evoca, poderiam ser tecidas em torno dos coloridos talões. Mas prefiro deixá-las à vivida experiência dos mais velhos ou à imaginação dos mais novos leitores.

António Martinó de Azevedo Coutinho

A cor do dinheiro – I

bilhar cor

A Cor do Dinheiro é um filme de Martin Scorcese, datado de 1986. Protagonizado pelos consagrados Paul Newman e Tom Cruise como vedetas principais da fita, esta gira em torno duma antiga estrela de snooker que encontra um jovem e promissor praticante do jogo. Por amizade, ele tenta fazer deste um campeão, mas a sua vaidade e um caso de rivalidade amorosa levam ao confronto entre ambos.

Bilhar e cor do dinheiro, eis uma espécie de simbólica referência associada ao tema que aqui me proponho agora apresentar.

Na Portalegre do século XX, sobretudo nos seus primeiros três quartos de duração, existiam diversos recintos de convívio e recreio, ou similares, com amplos espaços onde se praticavam vários jogos de salão como o bilhar, nalgumas das suas modalidades (clássico, snooker e “laranjinha”), e o ténis de mesa, onomatopaicamente mais conhecido por ping-pong. Nas sedes dos clubes desportivos, nas sociedades de recreio e em sindicatos (lanifícios e corticeiros, sobretudo) praticavam-se tais jogos, que chegaram a proporcionar campeonatos citadinos dotados de grande interesse e afluência populares.

Lembro-me do entusiasmo com que eu, e muita outra malta miúda, acorríamos aos locais onde se disputavam acesas pugnas entre praticantes dotados de nível bastante apreciável. Alguns serões passei nesse entretenimento, recordando por exemplo as salas do Clube Inferno (assim denominávamos a sociedade alojada no solar que hoje alberga o museu da tapeçaria), dos corticeiros (na Rua do Carmo, onde ainda estão -precariamente- instalados), da FNAT ou da Casa da Mocidade…

casas de jogos

Nós próprios, os mais novos, aproveitávamos as oportunidades surgidas para praticarmos tais jogos, sobretudo o bilhar e o ténis de mesa.

Servindo de contraponto aos mais velhos, que ao lado jogavam cartas (sobretudo a bisca “lambida”, designação que vinha do uso da saliva no manusear das cartas…) ou o dominó (singelo, porque o “belga” obrigava ao cálculo mental incompatível com o puro recreio), servindo-lhes de contraponto, os gaiatos ou jovens que éramos preferíamos alternativas mais movimentadas.

Naturalmente, a disponibilidade dos equipamentos, mesas, instrumentos e outros acessórios implicava um pagamento. A oportunidade de os utilizarmos dependia das nossas ocasionais disponibilidades financeiras em épocas em que eram ainda desconhecidas as modernas práticas das mesadas…

Depois, os tostões ou os escudos de que dispúnhamos também tinham de servir para a compra dos rebuçados com cromos do futebol ou para a aquisição, normalmente colectiva, das bolas de trapo com que travávamos acesos desafios pelas calçadas, desafiando as multas aplicadas pelos polícias, ou mais livremente em pátios privados ou nos arredores menos urbanizados.

Voltemos à nossa prática possível do bilhar, da “laranjinha”, do ping-pong, ou da grande novidade matraquilhos, quando estes surgiram. Este era o mais competitivo de todos os desportos de salão, precisamente o que melhor macaqueava a realidade e que mais se prestava à exibição de virtuosismos técnicos individuais.

talão 1

O aluguer do tempo de jogo, com custos respectivamente correspondentes ao escolhido, era traduzido num talão de cor e de preço diversos, onde a minutagem e os custos eram controlados com o rigor do aperto que a potencial freguesia interessada justificava. Por outras palavras, o contínuo era implacável ou tolerante na contagem do tempo, anotado a giz em ardósias afixadas junto ao respectivo equipamento. Em horas fora dos períodos de ponta, a malta sempre tinha direito a uns minutos extra para além da tabela…

Encontrei uma série de talões, autêntica colecção de memórias pontuais, de sítios, de rostos, de tempos idos sem retorno, retratos de épocas, peças do puzzle complexo que era a nossa sociedade urbana sob o Estado Novo.