REENCONTRO DE AMIGOS

Conheci o Seara em Évora, na Escola do Magistério Primário, onde ambos estudámos. Foi no início dos anos cinquenta do passado século e ele era finalista quando eu entrei. Já então o Seara denunciava as preocupações culturais que sempre o acompanhariam ao longo da sua fértil vida.

Norte alentejano como eu, ele do Gavião, um pouco mais acima da minha Portalegre natal, tivemos noutro ilustre gavionense, o saudoso Padre José Patrão, um sólido amigo comum.

Quando comecei a frequentar Peniche, onde agora me fixei, ainda numa oportunidade o Padre Patrão, há um bom par de anos, aqui passou uns dias de convívio connosco.

grupo

Entretanto, passara o Seara por Portalegre, onde exerceu, onde exercemos juntos na desaparecida Escola da Fontedeira, de que a fotografia junta nos mostra um momento de convívio. Connosco estão Jaime Belém, director da Escola, que tinha sido meu professor das primeiras letras, D. Benedita, mãe do Patrício Rodrigues, meu colega liceal, Maria Violeta, catequista e cidadã empenhada nas causas da assistência, e a Graciete, que depois seria esposa do Luís Branco, outro bom amigo.

Conviveu então o Seara com José Régio e lembro-me das fabulosas fotografias que ele fez do autor da Toada, assim concretizando duas das suas paixões, a cultura e a fotografia.

SEARA 2Foi imediatamente antes da vinda do Seara para Peniche, onde pessoalmente se realizaria e onde realizaria uma obra de marcante intervenção na sociedade local.

Não pretendo aqui deixar uma cronologia da sua vida, muito menos uma biografia, mas não deixo de referir, por justa, uma presença de décadas sempre alinhada por uma qualidade polivalente ao serviço da comunidade.

Jornalista, com mais de 40 anos a dirigir o quinzenário A Voz do Mar, poeta com obra publicada (Um Rio chamado Ilusão e À Conquista de Horizontes, poemas), professor e formador competente e empenhado, foi o Seara alvo de justíssimas homenagens de Peniche e dos penichenses, que souberam reconhecer a qualidade e a profundidade duma vida dedicada quase por inteiro ao seu semelhante.

Reencontrar o António Alves Seara, poder contar novamente com ele nesta minha adaptação a um novo meio, que é agora comum, representa um inestimável privilégio pessoal.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s