PADRE JOSÉ PATRÃO – 8 (fim)

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PADRE PATRÃO, SEMPRE!

A Igreja do Bonfim seria pretexto e cenário para uma das mais recentes homenagens ao Padre Patrão. Entre os diversos estudos, este já praticamente completo, que nos deixou estava uma obra sobre este templo.

A versão que se encontrava no computador estava quase preparada para a edição, mas alguns equívocos e erradas estratégias dificultavam e iam adiando tal publicação. Foi então que o Instituto Politécnico de Portalegre decidiu assumir essa tarefa, não só porque o Padre Patrão fora professor na Escola Superior de Educação, em 1998 e 1999, como conta por amigos e admiradores os seus próprios responsáveis. Assim, após um cuidado trabalho de revisão e ilustração do texto, foi promovido o lançamento público da obra Igreja do Senhor do Bonfim, como n.º 9 da Colecção Largo da Sé, conjunto de livros da autoria de “gente” do Politécnico.

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Foi muito cuidada a cerimónia de apresentação pública desse trabalho póstumo de José Patrão. No próprio templo que lhe deu origem, perante centenas de amigos, o programa traçado foi cumprido com rigor e elevação, dignos do homenageado.

 

O dia 3 de Maio de 2012, efeméride do seu aniversário, foi o escolhido. Os Professores António Ventura e Domingos Bucho apresentaram a Obra e recordaram o Homem. Seguidamente, o Dr. Albano Silva, vice-Presidente do Instituto (na ausência do Presidente, em serviço oficial), explicou a edição e agradeceu a cooperação da família do Padre Patrão, da Escola Secundária Mouzinho da Silveira, da Diocese, dos amigos Comandante Carlos Rôlo e Padre Américo Agostinho, da Confraria do Bonfim, das Paróquias e das Juntas de Freguesia de São Lourenço e da Sé, das Câmaras Municipais de Portalegre e de Gavião e da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. Só todo este conjunto de boas vontades e de recursos tinha possibilitado a concretização da edição e também daquele acto. Usaram ainda da palavra o Bispo D. Antonino Dias, o Padre Américo Agostinho e um representante de família da Padre Patrão, João Aparício, seu sobrinho. Terminou a cerimónia na Igreja um curto mas magnífico recital pelo Orfeão de Portalegre. A Dr.ª Arlanda Gouveia, Directora da Escola Mouzinho da Silveira, ali próxima, convidaria os presentes para um Portalegre de Honra, em convívio e confraternização, assim como para a visita a uma exposição sobre a vida e obra do Padre Patrão, antigo professor da instituição.

Acrescente-se, como nota complementar, que a edição já se encontra hoje esgotada…

 

Os seus três Prefácios, muito signficativos, constituem outras tantas manifestações de apreço:

 

 O Senhor Padre Heitor Patrão, homem de fé e de amor à cidade, na sua fina sensibilidade cultural e artística, quis contribuir com a sua quota parte de responsabilidade na preservação e enriquecimento do património. A comunidade local e instituições prestam-lhe a sua homenagem. Todos lhe agradecemos o
testemunho e o estímulo que nos deixou
.”

 

Antonino Eugénio Fernandes Dias – Bispo de Portalegre-Castelo Branco

 

 O seu lado de historiador e investigador foi uma constante da sua vida, trazendo ao nosso conhecimento pedaços de Portalegre sob um olhar muito próprio. As suas obras transmitem também traços do perfil do autor, como o rigor e o detalhe que colocou sobre tudo o que fez.”

 

Joaquim Mourato – Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre

 

Neste livro se pode ver e aprender, para além do que à história do local e do nome de Bonfim se refere, o sentido das evocações complementares, a importância da Confraria e da acção dos leigos associados, a preocupação de a construir e embelezar com arte, o cuidado de tudo inventariar, a anotação dos contributos recebidos das mais diversas fontes e das despesas feitas, o respeito pela devoção criativa do povo humilde e crente. As manifestações de fé e da acção da Igreja e dos seus responsáveis geraram uma cultura de verdade. E os caminhos continuam em aberto, porque cada tempo e cada monumento religioso são sempre portadores de saber e de fé.”

 

António Baltasar Marcelino – Bispo emérito de Aveiro

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Escolhemos para terminar estes apontamentos sobre a vida e morte do Padre Patrão aquela que foi, certamanente, a mais significativa homenagem à sua memória, precisamente porque foi prestada pelos seus, pela sua própria terra natal. No feriado municipal de Gavião, a 23  de Novembro de 2009, escassos meses após a sua morte, ele já não pode receber a distinção que lhe fora atribuída. Da reportagem alusiva no Fonte Nova, da autoria do jornalista André Relvas, respigámos o texto (parcial) e as imagens seguintes:

 

Um homem inigualável

 

Seguiu-se a atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, a título póstumo, ao Padre José Heitor Dias Patrão, uma distinção que, de acordo com o Presidente Jorge Martins, fora deliberada em reunião camarária a 18 de Março de 2009 e que, devido à sequência de homenagens que, também no final de Março, tiveram lugar em Portalegre e que incluíam José Patrão, o executivo entendera agendar para o Feriado Municipal, uma data especial para o Município onde o sacerdote nasceu.

 

Infelizmente o ciclo da vida, também marcado pela morte, veio retirar-nos a oportunidade de o ter aqui connosco. Mas estamos aqui porque é justo que esta atitude retrate o reconhecimento pelo seu contributo relevante no desenvolvimento da cultura e da arte no nosso concelho“, referiu o autarca, agradecendo a presença dos familiares do Padre Patrão, nomeadamente as suas duas irmãs, o cunhado e um sobrinho.

Estamos a fazer aquilo que tinha de ser feito, com dignidade, respeito e consideração que a memória do Padre Patrão nos merece“, concluiu.

 

Também Jaime Estorninho, Governador Civil do Distrito, que, ao longo da sua vida, teve a oportunidade de privar várias vezes com o sacerdote, fez questão de sublinhar que o acto ali realizado o encheu de orgulho.

Na verdade, e pouco depois de entregar a medalha à família do falecido, o Governador afirmaria que o Padre José Patrão “simbolizava e significava aquilo que de mais autêntico existe no povo de Gavião: a nobreza de carácter, a generosidade, a simplicidade e humildade, aliadas a uma inteligência fabulosa e a um espírito crítico muito sério que eu tive a oportunidade registar“.

 

Foi assim, com efeito, o Padre José Dias Heitor Patrão: nobre de carácter, generoso, simples e humilde como só os grandes sabem naturalmente ser, aliando os dotes da fabulosa inteligência ao espírito crítico que nunca perdeu. Se lhe acrescentarmos uma ostensiva alegria de viver e a permanente dádiva aos outros, creio que dele fica um retrato perfeito, sem precisar de qualquer retoque.8 - 0

Em vez de pensar no que perdi com a sua morte, prefiro lembrar o que sempre ganhei com a sua fraterna amizade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

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