PORTALEGRE – e agora?

As eleições autárquicas em Portalegre vistas de fora

 

ptgAgradaram-me globalmente os resultados das eleições autárquicas em Portalegre.

Ao nível local, no concelho de Portalegre, ficou comprovada uma íntima convicção, a de que a Democracia não se esgota nos partidos políticos, bem pelo contrário. O Povo, onde reside a tal enorme -e cada vez maior- maioria silenciosa, fez calar o mando dos responsáveis partidários e sancionou a sua miopia.

Portalegre é, a nível nacional, uma insignificância, mas o Porto conta e de que maneira….

Ao nível distrital, inserindo o Norte Alentejano no contexto do Grande Alentejo, verificou-se a confirmação da tese que aqui tenho defendido com frequência: somos diferentes. Em todo o restante território a que convenciona chamar Alentejo, o domínio socialista e comunista é absoluto, salvo uns raros independentes, pela primeira vez. No Norte Alentejano, há saudáveis excepções a tal uniformidade. Porém, esta excepcionalidade também encerra outra, a de que os sociais democratas, que aqui conseguiram resistir ao tsunami rosa e vermelho, não têm qualquer representatividade nas edilidades das três cidades do Norte Alentejano. Em 21 cadeiras não ocupam uma única!

A nível nacional, fiquei confortado com a demolidora derrota sofrida pelos actuais detentores do poder. O seu autismo, a sua subserviência aos poderes da estranja e a sua óbvia incompetência foram severamente penalizados. Saberão entender a lição? Duvido.

 

Volto à minha terra. A vitória absoluta de Adelaide Teixeira é o merecido resultado de uma vontade férrea, da determinação e da inteligência e nasce da sua rejeição aos caprichos partidários. É a supremacia da independência pessoal sobre as cangas colectivas.

Mas quase nada significará se for mantida a cinzenta e equívoca governação anterior, que tem conduzido Portalegre para o abismo da desqualificação.

São diferentes os dados, pois a presidente é-o agora por uma clara aprovação popular e não pela simples sucessão dinástica. Porque conta com um fiel aliado na própria freguesia citadina. Porque pode aproveitar (e espero que o saiba fazer) a inegável excepcionalidade dos dois ex-cabeças de outras listas, com estes valorizando um elenco autárquico carente de recursos humanos qualificados. Porque, para o futuro, não estará bloqueada pelos resíduos da desastrada linha governativa anterior, assim evitando a repetição de idênticos erros e encetando um período de recuperação, lento mas seguro.

Impõe-se para isso uma ruptura -absoluta- em Portalegre e apetece-me a este propósito citar os revolucionários do Maio de 68, naquilo que os orientava:

 

·         Sejam realistas, exijam o impossível!

·         A imaginação ao poder.

·         A revolução tem de ser feita nos homens antes de ser feita nas coisas.

·         O sonho é realidade…

 

Os meus votos para o percurso próximo da cidade e concelho de Portalegre concentram-se no desejo -único- do início de uma nova era, que já tarda. O bom senso, o equilíbrio e a força colectiva de uma comunidade poderão operar o milagre, que tem de ser desencadeado a partir de uma renovada edilidade.

As condições são de excepcionalidade, apesar de crise, e esta não pode servir de desculpa para tudo.

Portalegre vai erguer-se a custo do pântano onde tem sobrevivido ou afundar-se-á sem remédio. A diferença reside na vontade dos portalegrenses, criada e mantida pela edilidade em que acabam de depositar um inequívoco crédito de confiança.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

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