PORTALEGRE NA GRANDE LISBOA

O DESCORTIÇAMENTO
UMA EXPOSIÇÃO A NÃO PERDER

BILÉ CINCOEduardo Bilé, engenheiro de formação, no trabalho, fotógrafo de opção, no lazer.

Portalegrense, descobriu o encanto da fotografia há menos de uma década. Mas a paixão bateu forte e, desde então, procura partilhar com os outros as provas e os testemunhos desse gosto pessoal.

Lembro-me das “Cumplicidades“, por exemplo. Eduardo Bilé afirmou, então, que sentia necessidade de eternizar pela imagem momentos de vida. Essas fotografias, umas quatro dezenas, revelaram a cumplicidade do autor com certas imagens de que era, simultaneamente, autor e protagonista. O sentimento de partilha do que vê, sente e vive ganha assim, uma nova dimensão, ultrapassando o momento do instantâneo.

Aliás, existe aqui simultaneamente uma perspectiva histórica. Uma das últimas BILÉ QUATROiniciativas de Eduardo Bilé ultrapassou a fixação da imagem, projectando-se na crónica local, numa grata invasão de memórias pessoais depois tornadas colectivas. As vivências da e na “Vila Nova/Lopes Pires” constituiram motivação para um trabalho de pesquisa, de recolha e de organização de recordações, tornadas depois objecto de partilha e de enriquecimento da comunidade, pelo menos daquelas parcelas desta ainda interessadas num melhor conhecimento das suas raízes.

Agora, Eduardo Bilé aborda outro capítulo da complexa rede dos fenómenos sociais da sua e nossa região. É no campo, num dos trabalhos mais característicos das fainas BILÉ DOISagrícolas, que ele procurou e recolheu o presente pretexto: o descortiçamento. Operação especializada, esta actividade manual incide sobre uma das mais carismáticas árvores alentejanas, o sobreiro, e evoca uma indústria que outrora deu nome, proporcionou trabalho e criou riqueza em Portalegre. As gerações de vida da Robinson perpassam ainda por muitos de nós, sobretudo na penosa sensação de uma perda definitiva, na vista daquelas chaminés, hoje impotentes, vazias dos densos fumos brancos e negros de outrora….

BILÉ TRÊS

Esta é, pois, uma oportunidade a não perder. A vasta “colónia” portalegrense da Grande Lisboa dispõe da rara oportunidade para conhecer um conterrâneo que vai à capital levado por um sincero sentimento e desejo de partilha do seu trabalho de pesquisa e recolha de imagens, também de evocações.

BILÉ UM

No próximo dia 5 de Outubro (embora ainda não seja de novo feriado, este ano é Sábado!), pelas 15 horas, na Casa do Alentejo em Lisboa, será inaugurada a mostra “O Descortiçamento“, fotografias da autoria de Eduardo Bilé.

A exposição estará patente até ao dia 11 de Outubro, no escasso espaço de tempo de uma única semana, pelo que a grande oportunidade acontecerá mesmo na inauguração, até pela possibilidade de convívio com o autor.

Da programação prevista para a inauguração consta a projecção de um documentário sobre o descortiçamento e uma intervenção ao piano pelo Prof. José Coelho.

 

 

Peniche – Pormenores – XXVII

Peniche Porm

XXVII – Peniche em 1979 (oito)

Completa-se hoje, por fim, a abordagem aos muitos textos contidos no suplemento de “O Primeiro de Janeiro” de 27 de Novembro de 1979, dedicado a Peniche, que temos vindo a recordar.

Os dois artigos finais são muito interessantes. Um deles, Ilha da Berlenga – Centro de resistência contra as Águias Imperiais, trata um período da história local com muito interesse, onde se dá conta sumária do heróico comportamento de resistência do povo de Peniche perante os invasores napoleónicos.

O outro, Jacob Rodrigues Pereira – Apóstolo do ensino para surdos-mudos, traça um breve percurso biográfico de uma das maiores figuras naturais de Peniche, onde tem lugar de destaque na toponímia local, pois concede nome à sua mais central praça. Porque provavelmente a sua vida e obra não pertencem, como deveria acontecer, ao conhecimento geral da população a evocação deste texto pode ajudar a suprir esta falha cultural.

No próximo, e último, “capítulo” desta abordagem será feita uma breve análise global do conteúdo, das gravuras e da componente publicitária do suplemento.

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Ilha da Berlenga
Centro de resistência às águias imperiais !

 

A sombra dos exércitos de Napoleão estendia-se pela Europa. As águias imperiais eram uma ameaça!

Foi neste ambiente de maus presságios para a Pátria por­tuguesa que, em 1806, o prín­cipe D. João passou alguns dias em Peniche. Quando re­gressou a Lisboa não aderiu ao bloqueio continental e Na­poleão, como represália, ris­cou Portugal do mapa euro­peu, pelo tratado de Fontainebleau, em 27 de Outubro de 1807. E neste mesmo ano, em 30 de Novembro, o gene­ral Junot, à frente de 30 mil homens, entrou em Lisboa cuja cidade a família real abandonara na véspera, par­tindo para o Brasil. O País ficara entregue a uma regên­cia sem prestígio nem força onde pontificava o conde Sampaio – Secretário do Es­tado dos Negócios Estran­geiros e da Guerra. A sua or­dem era no sentido de se dis­pensar aos franceses “toda a deferência e respeito”!

Oito dias depois da ocupa­ção de Lisboa, devido à sua posição estratégica, surgiu a vez de Peniche. O general Thomiéres entrou triunfal­mente na vila.

O conde Sampaio intimou a entrega imediata da forta­leza ao exército napoleónico, devendo a guarnição do forte abandonar a posição e aquartelar-se em Óbidos.

Luís António Castelo Bran­co, governador da Praça de Peniche, embora contra a sua vontade, dispôs-se a receber o oficial francês com um in­térprete.

Thomiéres, quando teve conhecimento que aquele, na qualidade de comandante do célebre regimento de Peni­che, participara na campanha do Roussillon, observou mostrar-se bastante surpreendi­do que não falasse uma pala­vra de francês.

O ar de desconsideração e desprezo patenteado pelo ofi­cial de Napoleão motivou pronta resposta do brigadei­ro português que ordenou ao intérprete:

– Diga a esse senhor que mais admirado estou eu de ele vir a Portugal, sem que ninguém de cá o chamasse e sem falar português!

E enquanto este traduzia a resposta, Luís António Caste­lo Branco retirou-se, voltan­do as costas ao general fran­cês.

O que os franceses fizeram na sua missão de “amizade e auxílio” na expressão infeliz do conde de Sampaio – não tem conta: desceram a ban­deira portuguesa, picaram as armas embutidas na porta principal da cidadela e esta­beleceram um regime de ter­ror semelhante ao de outras terras do País onde o seu do­mínio se manifestou em des­truições, ultrajes e roubos.

Convencido de que viera para ficar, Junot mandou re­parar alguns troços arruinados da cinta de muralhas e construir um pequeno fortim no alto dos rochedos do Ba [existe aqui uma falha no texto original] ainda de ter outros desaires antes de acompanhar Junot na sua derrocada nas bata­lhas de Roliça e de Vimeiro, desastrosas para a perma­nência dos exércitos napo­leónicos na península Ibérica.

Para se avaliar o receio que a certo momento os franceses tiveram dos ingle­ses e da revolta dos patrio­tas portugueses cuja resistên­cia ao invasor foi um facto, basta apenas lembrar alguns episódios que cobriram de ridículo o general francês, comandante do forte de Pe­niche.

Uma vez a praça esteve num alerta rigoroso por um grupo de estudantes ter disparado duas pequenas peças trazidas de Leiria, cuja cida­de fora ousadamente tomada aos franceses, e descia para o sul disposto a libertar Na­zaré, a Pederneira e Peni­che…!

Outra ocasião, os toques de clarim encheram os ares e a praça ficou em expecta­tiva

Ao longe, um grupo de ca­valeiros vestidos de verme­lho e bandeiras ao vento cavalgava para as muralhas.

Thomiéres, impaciente, mandou reconhecer o atre­vido inimigo.

No vasto areal do istmo, onde postou os seus homens, a infantaria aguardou o ataque. No entanto, os cavalei­ros continuaram a avançar sem darem mostras de se preocuparem com os defen­sores da fortaleza. Recean­do qualquer armadilha, o general francês antecipou-se e mandou envolver de baio­neta em punho o numeroso esquadrão que não disparou um só tiro.

O terrível exército inglês não passava afinal de um pa­cífico grupo de romeiros que, com fervor e fé, prestava o seu culto à Virgem dos Re­médios!

O descalabro económico, causado por pesados tribu­tos, e a tirania dos franceses aumentaram as forças da resis­tência. Deste modo, grande número de penichenses começou a emigrar para a Berlenga que fora ocupada pelos ingleses. Eram os próprios penichenses quem, pela cala­da da noite, transportavam os soldados britânicos nos seus barcos a fim de fazerem pe­quenas surtidas contra os franceses.

Estes actos de guerrilha enfraqueceram a moral dos invasores que assistiram impotentes ao aprisionamen­to por este processo de guar­das inteiras que eram surpreendidas sem terem tem­po para esboçar qualquer gesto de defesa.

Os pequenos barcos de pes­ca desempenharam também importante papel no desem­barque dos ingleses na praia de Porto Novo, onde se jun­taram aos exércitos anglo-lusos, comandados por Wel­lington.

Em 1808, com a derrota de Junot, a bandeira das cinco quinas tremulava novamente na cidadela de Peniche.

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Jacob Rodrigues Pereira
Apóstolo do ensino para surdos-mudos

 

A vila de Peniche serviu de berço a alguns vultos que ligaram o seu nome às artes, às ciências, à religião e à administração pública, enquanto outros, vindos de fora, também deram muito da sua vida, do seu saber e virtude a esta terra hospitaleira.

 

Pareceu-nos oportuno es­colher o nome de Jacob Ro­drigues Pereira, inventor do alfabeto para o ensino de surdos-mudos, e que a tra­dição diz ter nascido na Berlenga, em 11 de Abril de 1715.

No entanto, aqui regista­mos outras figuras de que o concelho de Peniche tan­to se orgulha, nomeadamen­te os padres Lourenço Anes e João Anes, D. Luís de Ataíde, Pedro Salgado, Ja­cinto Ferreira Viçoso (Bis­po de Mariana), Pedro Cer­vantes, Dr. Pedro António Monteiro, Mendo Fóios Osó­rio e tantos outros que, por nascimento e obras, são penichenses que ocuparam po­sições de relevo nos diferen­tes ramos da actividade hu­mana.

Jacob Rodrigues Pereira, oriundo de família Judaica radicada há muito no nosso país, segundo alguns auto­res, teria também possivel­mente nascido na Estrema­dura espanhola, em Berlen­ga, quando os seus pais fu­giam às perseguições reli­giosas que foram implacá­veis tanto em Portugal co­mo em Espanha. Contudo, por respeito à tradição, ainda hoje Peniche mantém acesa a sua veneração a es­te português ilustre cujo busto se encontra no jar­dim público da vila.

Sabe-se que, em 1734, Ja­cob Rodrigues Pereira encontrava-se em Paris, en­quanto os seus pais viviam na Rochela onde promoviam a educação de uma sua ir­mã surda-muda.

Esta circunstância de or­dem familiar cedo colocou Jacob Rodrigues Pereira perante o mundo isolado do silêncio e influenciou forte­mente os seus interesses científicos. Assim, relacionou-se com o sábio francês Barbot e como resultado das suas investigações e da sua experiência quotidiana so­bre o problema e a sua melhor resolução, em 1745, apresentou, na Academia de Caen, um surdo-mudo de 16 anos, chamado Aaron Beau-Marin, que respondeu pron­tamente por escrito e com judiciosa correcção a tudo que lhe perguntaram.

Estava dado o primeiro grande passo para o diálogo com os surdo-mudos, atra­vés de um alfabeto manual com mais de 80 sinais gráficos.

Como, em regra, acontece existir um certo cepticismo a tudo que surge de novo no campo científico, Jacob Rodrigues Pereira também lutou no seu tempo contra a rotina, o preconceito e a descrença que motivaram o estudo do seu método em crianças pobres que não lhe podiam pagar os seus ser­viços.

Só a partir de 1749, quan­do o cientista português se apresentou perante uma comissão de sábios, entre eles o naturalista Buffon e os professores Mairan e Ferrien, com o seu discípulo Afi d’Etavigny, conseguiu finalmente ver reconhecidos os resultados do seu traba­lho.

Com efeito, a referida co­missão referiu o notável tra­balho do português à Academia das Ciências projec­tando assim o seu reconhe­cimento internacional ao mesmo tempo que as acade­mias, apostadas no desen­volvimento científico, disputavam a sua presença e tributavam-lhe numerosos aplausos.

A fama de Jacob Rodrigues Pereira foi generosa­mente compensada por Luis XV, rei de França, que lhe concedeu uma pensão anual de 800 libras, em 1751, e nomeou-o seu intérprete de português e espanhol, em 1764.

Os intelectuais e políticos como Gondamine, Rousseau, Diderot e D´Alembert, assinalaram os seus talentos com rasgados elogios.

Estava-se no prelúdio da igualdade, fraternidade e solidariedade e a palavra liberdade entoava em todos os corações como um hino. Quem melhor do que Jacob Rodrigues Pereira tocara na corda sensível do ser hu­mano?

Outras manifestações de apreço vieram de todo o lado. O vice-rei da Sarde­nha confiou-lhe a educação de uma sobrinha surda-muda, os reis da Polónia, Sué­cia e Dinamarca agraciaram-no com honrarias e au­diências especiais.

E qual o discutido méto­do de Jacob Rodrigues Pe­reira?

Se é certo que introduziu em França os métodos da educação de surdos-mudos, nunca os divulgou comple­tamente, embora expusesse os princípios gerais que permitiram o desenvolvimento e estudo desta matéria.

Na prática, ele ensinava os surdos-mudos a articu­lar sons e palavras segundo as impressões obtidas pelos sentidos, designadamente a vista, o ouvido, o tacto que eram auxiliados por alfabe­to com mais de 80 sinais gráficos. Este alfabeto era o ponto de encontro entre a pronúncia e a ortografia, sendo a entoação marcada com o gesto e o som, tal co­mo acontece na música.

Jacob Rodrigues Pereira inventou ainda um tubo acústico para o ensino da articulação das palavras que obtinha extraordinários re­sultados nas crianças. O es­tudo da fonética era um precioso auxiliar a que re­corria permanentemente para melhor ensinar os sur­dos-mudos.

O homem que ascendeu com a sua descoberta a grande benemérito da humanidade, dedicou-se tam­bém a estudos matemáti­cos, deixando uma valiosa Memória sobre o modo de suprir a acção dos ventos nos grandes navios e um projecto de seguros maríti­mos a que se deu grande valor na época.

Enquanto o abade Deschamps prestou justiça ao trabalho  desenvolvido por Jacob Pereira no Curso de Educação de Surdos-Mudos, onde revela que aquele lhe explicou minuciosamente o seu método, o abade de L’Epée atacou-o no livro Instituição dos Surdos e Mudos.

O maior desgosto, no en­tanto, foi o facto de o rei de França ter concedido ao seu rival o patrocínio da criação do primeiro Institu­to de Surdos-Mudos do mundo e cuja honra tanto desejara e justificara. O ins­tituto a que se ligou o no­me do abade L’Epée serviu de modelo aos institutos que nasceram posteriormente em outros países.

Jacob Rodrigues Pereira, além da Memória apresen­tada à Academia das Ciên­cias de Paris, deixou ainda escrito Observações Sobre Surdos-Mudos que foram inseridas num volume publi­cado em França, em 1739, sobre sábios estrangeiros.

Em 1771, este ilustre por­tuguês foi eleito sócio da Sociedade Real de Londres.

dúvidas quanto à si­tuação material de Jacob Rodrigues Pereira, na altura da sua morte. Enquanto Barbosa de Pinho Leal as­sinala em Portugal Antigo e Moderno que morreu em Paris, possivelmente em 1774, já que existem autores que indicam a sua morte em 1780, sendo sepultado no cemitério de Villette, “cheio de honras e riquezas”, a Grande Enciclopédia Portu­guesa e Brasileira regista que “morreu pobre, sem tor­nar público o seu método completo, racional e fecun­do”.

O problema é um mero dado circunstancial que se perde no tempo da história e esbate-se mediante a en­vergadura da obra deste penichense que conheceu em vida todas as homenagens a que um cientista pode as­pirar e o reconhecimento público dos seus trabalhos em imensas edições cientí­ficas e culturais da Europa. No entanto, fica-nos a cer­teza, quando nos debruçamos sobre o significado da sua descoberta e da sua obra, de que Jacob Rodri­gues Pereira foi um grande apóstolo da educação dos surdos-mudos, quebrando a neutralidade inerte dos se­res que pareciam condenados ao mais trágico e pro­fundo isolamento. Graças a ele a barreira do silêncio foi vencida.

 

Uma data de datas – XLV – Charlot

datas

XLV – 25 de Janeiro de 1913 –
O primeiro contrato de Charles Chaplin

No dia 25 de Janeiro de 1913, há precisamente 100 anos, um jovem e quase charlot 4desconhecido actor inglês, de nome Charles Spencer Chaplin, assinou o seu primeiro contrato com a empresa britânica Keystone Film Company. Estreou-se com o filme Making a Living, mais ou menos um fracasso, e o presidente da empresa sentiu que cometera um grande erro com aquela contratação. Mas convenceram-no a conceder ao actor uma nova oportunidade. E o sucesso não tardou…

Charlie Chaplin, Charlot, foi uma das mais fascinantes personalidades do mundo do cinema em todos os tempos. A sua carreira durou mais de 75 anos, quase até à morte, em 1977. A partir de certa altura, foi ele que charlot 5escreveu, dirigiu, produziu, financiou e protagonizou os seus próprios filmes, ganhando assim uma invejável independência. É quase incontável a lista das suas obras, mas todos lembramos O Imigrante, O Garoto, Em busca do Ouro, O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque ou A Condessa de Hong-Kong, para citar apenas estes.

A figura de Charlot, um andarilho pobretão com maneiras de fidalgo e dignidade de um cavalheiro, apresentava-se com um fraque preto, já bastante coçado, calças e sapatos usados e maiores do que o seu tamanho, chapéu de coco (por vezes cartola), uma bengala de bambu e, sobretudo, um pequeno bigode, espécie de inconfundível imagem de marca. Ainda nos tempos heróicos do cinema mudo, esta figura tornou-se imortal, ao som da música tradicional, ao vivo, cujo ritmo acompanhava a acção. charlot 1

Charlot “nasceu” em 1914, nos alvores da primeira Guerra Mundial, tinha Charlie Chapin 25 anos.

Mesmo depois do advento do sonoro, Chaplin resistiu durante mais de uma década a introduzir o som nas suas obras, porque achava que o essencial no cinema era a pantomina, isto é, a representação. Passou depois por uma fase em que aceitaria a música sincronizada e alguns efeitos sonoros. Por fim, acabou por converter-se aos filmes falados e musicados, com igual sucesso. O primeiro destes foi precisamente O Grande Ditador, em 1940, público e corajoso acto de rebeldia contra Hitler e o nazismo, lançado nos Estados Unidos da América um ano antes de este país ter abandonado a sua política de neutralidade e entrado na Segunda Guerra ao lado dos Aliados.

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Foi o mais homenageado cineasta de todos os tempos, condecorado em vida pelos governos britânico e francês, doutorado honoris causa por universidades e academias norte-americanas, e recebendo um Óscar especial, em 1972, pelo conjunto da sua obra.

charlot 2Pioneiro na sétima Arte, era extremamente exigente para consigo próprio e para com os outros, obrigando frequentemente a repetição da filmagem de uma cena, dezenas de vezes, até ser atingido o efeito pretendido. Os cortes de milhares de metros de fita eram o resulatdo de montagens onde o perfeccionismo atingia as raias do inconcebível. Era assim Charlie Chaplin e residiu nessa forma de actuar uma boa parte do seu sucesso.

Outra característica decisiva foi a enorme versatilidade de que deu sempre provas, não apenas como actor, mas também como músico, poeta, dançarino, coreógrafo, mímico e até regente de orquestra…charlot

Homem de esquerda e agnóstico, sofreu politicamente pela suas opções políticas, que jamais renegaria. Por tal, preferiu abandonar os Estados Unidos, regressando à Europa e fixando-se na Suíça, onde acabou por morrer.

Quando a gente se lembra de que, há cem anos, ele quase ia falhando na sua carreira, até se fica com pele de galinha… Cruzes, canhoto!

Por acaso, Charlie Chaplin até era canhoto.

Portalegre na História e na Lenda… – Lenda de Alter do Chão

lenda e história

I – Uma lenda de Alter do Chão

lendas 000José Viale Moutinho nasceu no Funchal em 1945. É escritor e jornalista no Diário de Notícias, tendo realizado investigações sobre a vida e a obra de alguns escritores portugueses do Séc. XIX, recuperando epistolografia e textos inéditos ou esquecidos de Camilo Castelo Branco, Trindade Coelho, António Nobre e Joaquim de Araújo, entre outros. Também trabalhou sobre a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), guerrilheiros espanhóis antifranquistas actuando em Espanha e na Resistência Francesa (maquis), bem como acerca da deportação de antigos combatentes da II República Espanhola em Mauthausen e Dachau. Participou no movimento português da Poesia Experimental e em exposições de Arte Postal. Autor de numerosos textos em catálogos de Artes Plásticas. Integrou a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da Morte de Camilo. Traduziu romances, ensaios e peças de teatro, estas para companhias profissionais que as representaram.

Com contos, poemas e narrativas, colaborou em diversas publicações: República (Lisboa), O Diário (Lisboa), Schema/Rivista di Poesia (Milão), Hífen/Cadernos de Poesia (Porto), Feria (Albacete), Nagyvilág (Budapeste), Extramundis/Papeles de Iria Flavia (Iria Flavia), Il Piccolo (Trieste), Península (Barcelona), Persona/Centro de Estudos Pessoanos (Porto), O Escritor (Lisboa), Barcellos Revista (Barcelos), Boletim da Casa de Camilo (VN de Famalicão), Colóquio/Letras (Lisboa), Rurália (Arouca), Prelo (Lisboa), Dimensão/Revista de Poesia (Uberaba), Malvís (Madrid), Sempre (Porto), etc.

Ganhou vários prémios literários e de jornalismo. Na Galiza foi-lhe atribuído o prestigiado Pedrón de Honra em 1995, e, no ano anterior, na Alemanha, foi finalista do Prémio Europeu de Conto. Também venceu o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/ APE, o Prémio Edmundo de Bettencourt de Conto e de Poesia, assim como Prémios de Reportagem Kopke, Norberto Lopes/Casa da Imprensa de Lisboa e El Adelanto (Salamanca).

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Em 2002/2003 elaborou para o Diário de Notícias um trabalho inserido na Literatura Popular Portuguesa, recolhendo por todo o país um notável conjunto de lendas, depois publicado no jornal. Entre mais de três centenas de textos, cuidadosamente tratados, seleccionei os quinze relativos a outros tantos Concelhos do Distrito de Portalegre. Portanto, e pela sua ordem alfabética, serão recordadas as lendas recolhidas por Viale Moutinho, ilustradas por Francisco Lança e Joana Imaginário e publicadas pelo Diário de Notícias.

Aqui fica hoje uma lenda de Alter do Chão.

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(clicar sobre a imagem para a ampliar)

 

Saborzinho achocolatado – três (actualização)

NOTA – Após diversas diligências, acabo de adquirir a obra O Pirilau que vendia balões e outras histórias de Cottinelli Telmo, organizada e introduzida por Carlos Bandeira Pinheiro e João Paulo Paiva Boléo, editada em 1999 pela Bedeteca de Lisboa, então dirigida por João Paulo Cotrim. Trata-de de um meticuloso trabalho que muito vem contribuir para esta minha actual tarefa, fornecendo-me preciosos dados a que não tinha acesso. Em virtude desta oportuna achega, rectifiquei alguns pontos do “capítulo” III, aqui publicado no Domingo passado. Mantendo embora essa publicação, repito-a hoje, numa versão devidamente actualizada em função dos novos dados agora disponíveis.

  título geral

 

III – Da origem divina do chocolate
e das suas consequências históricas

 

As multímodas e riquíssimas personalidade e obra de Cottinelli Telmo ficam reservadas para mais adequado tratamento aquando de uma posterior abordagem ao jornal ABC-zinho. Para já, como prometido, fiquemos pelos chocolates SIC e pela sua publicidade.

João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, no suplemento sobre a História do Chocolate, que acompanha a sua obra O Pirilau que vendia balões e outras histórias, dizem-nos que SIC era a sigla da empresa Sociedade Industrial de Chocolates, formada em princípios de 1921. SIC, não o esqueçamos, era o melhor chocolate para creanças!

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A publicidade relativa a produtos desta natureza, nomeadamente nas publicações infanto-juvenis, assume uma naturalidade tão óbvia que nem merece qualquer justificação. Mesmo entre nós, tal aconteceu e continua a acontecer com frequência, na imprensa, na rádio ou na televisão.

O que pode considerar-se menos natural, no caso da publicidade da SIC no ABC-zinho, apenas se refere à época e à dimensão. O aspecto relativo aos quadros com paródias à História de Portugal nem sequer esgota o capítulo, pois as páginas do jornal mostram outras modalidades publicitárias, no âmbito da SIC, algumas até mais interessantes e originais, que a seu tempo iremos descrevendo.

Como já referi, é parcelar e fragmentado o material de que disponho, assim como é limitada a informação que escassas fontes fornecem sobre este tema específico. Aquilo que pretendo é, apenas, produzir e divulgar mais alguns dados, inéditos ou complementares, que possam contribuir para um melhor conhecimento deste interessante sector da riquíssima crónica da banda desenhada nacional, ainda tão mal sistematizada por ausência de suficientes estudos articulados e integrados sobre ela, nomeadamente quanto à sua época pioneira.

Balizado por estes parâmetros, começo pela série de três dezenas de quadros históricos parodiados que Cottinelli Telmo criou para publicidade dos chocolates SIC.  Aliás, na parte final do conjunto teve a ocasional colaboração de outros desenhadores, entre os quais Emmérico Nunes, que se integrou perfeitamente no espírito humorístico geral, assim como o(s) restante(s) anónimo(s) (!?).

Quase sempre na contracapa, algumas vezes na capa, os quadros iniciaram-se no número inaugural do ABC-zinho (15 de Outubro de 1921) e prolongaram-se até ao 40 (18 de Junho de 1923), com algumas interrupções.

Logo no arranque, provavelmente para conceder um enquadramento universalista e bíblico à importância do chocolate, Cottinelli Telmo socorre-se de uma oferta de Adão a Eva, precisamente uma caixa de bombons SIC, “invenção” de Nosso Senhor. Entre folhas e flores dos jardins do Éden, o primeiro casal inaugura assim uma História do Chocolate, cujos episódios serão vividos neste nosso rectângulo terreal à beira-mar plantado.

Poderia o artista criador ter escolhido, em alternativa a esta “introdução”, uma similar oferta de Viriato a um general romano ocupante, que a fizesse chegar ao Augusto César? Teria assim, porventura, produzido um “arranque” mais adequado ao tom global da série… Mas faltar-lhe-ia o alibi da origem divina do chocolate, como explicação para a sua importância na nossa gesta histórica.

O quadro número dois aborda o rei conquistador, de montante em punho, a decepar cabeças e mãos dos mouros envolventes. Da bucólica paz anterior passou-se instanteamente à guerra! E, quanto à relação com a desejada temática, ei-la patente na legenda onde, em tom coloquial, o autor explica aos meninos que aquela enérgica força conquistadora chega ao rei fundador através do… chocolate.

A incursão pela História pátria leva-nos depois ao encontro de Sancho I, que fazia jus ao seu cognome (segundo a conveniente versão de Cottinelli Telmo) povoando o reino e construindo fábricas de chocolate, por onde repartia, um pouco bruscamente, habitantes e operários.

Não possuo estas imagens iniciais, e algumas outras, pelo que me servirei de fontes alheias, entre elas sobretudo o suplemento já atrás indicado.

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No recurso ao meu próprio arquivo, utilizarei a reprodução de originais que, propositadamente, não retocarei por qualquer processo digital à disposição, assim revelando o seu estado autêntico, por vezes precário.

O número 4 do ABC-zinho, publicado a 5 de Dezembro de 1921, está presente na minha colecção (ainda que algo danificado), podendo garantir que o real tema reproduzido na sua contracapa respeita a D. Afonso II, “que engordou como os meninos estão vendo” por ter comido tanto chocolatinho da SIC!  Bela oportunidade perdida de abordar a praga da obesidade, sobretudo a infantil…

Também possuo a capa deste número 4, bastante interessante, pois é um bom testemunho da subtil metalinguagem dominada pelo autor: um leão, juntamente com um corvo (!?) apreciam as páginas do próprio jornal, em exemplar do número dois, pois reproduz claramente o quadro histórico relativo à afonsina matança… Ao mesmo tempo, o ABC-zinho, publicitariamente, visava a própria promoção, sendo sugerida uma assinatura familiar.

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E a SIC aproveitaria a “boleia” pois a sua história do chocolate dispôs assim de uma dupla visibilidade, nos nobres espaços da capa e da contracapa do jornal.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

Como brilhar nos exames…

A ESCOLA DO FUTURO – UMA VERSÃO NACIONAL

Há dias, revelei aqui uma versão futurista da escola no ano 2000, tal como um século antes fora prevista.

Uma máquina triturava os manuais cujo conteúdo era “introduzido” nos cérebros infantis através de misteriosos influxos eléctricos.

Hoje, a proposta do “blog” é similar. Foi apresentada uns vinte anos depois, mas baseia-se num princípio bastante parecido, diferindo da receita de Jean-Marc Côté na “técnica” de “introdução” dos conteúdos. Porém, a diferença justifica-se plenamente, uma vez que este caso se relaciona com um momento crucial e inadiável do percurso escolar: os exames.

 

Carlos Botelho foi chamado o pintor da cidade. De Lisboa, acrescente-se.

Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho (1899-1982) foi um artista plástico carlosbotelho2que marcou a sua época. Multifacetado, distribuiu-se pelas artes gráficas, pintura, ilustração e decoração. Lisboa, a cidade onde nasceu e morreu, foi o tema tema central da sua criação, tratando-a plasticamente ao sabor da própria evolução artística. Aluno das Belas-Artes, bem depressa abandonaria a escola e se tornaria auto-didacta, tendo passado por Paris.

Entre 1924 e 1929 produziu com regularidade histórias de banda desenhada para o ABC-zinho, jornal pioneiro dessa época. Foram mais de 400 páginas, sobretudo a cores, na capa e contra-capa da publicação. Consideram os especialistas que esta fase foi decisiva na própria formação plástica do artista, constituindo mesmo uma componente essencial da sua carreira e parte integrante da obra criativa pessoal.

Como aspecto interessante deste acervo, assinale-se a reinterpretação, no ABC-zinho, das duas histórias – O Pirilau que vendia balões e A grande fita americana – que o seu director e amigo Cottinelli Telmo tinha desenhado para a revista ABC. O seu estilo concederia uma nova feição aos trabalhos originais.

Amplamente premiado em salões e concursos, Carlos Botelho receberia igualmente justas comendas e distinções de alto nível.

A sua obra plástica, durante mais de 50 anos, revelou-se muito ecléctica. Algumas das pinturas sobre Lisboa foram adaptadas a cartões e traduzidas em tapeçarias superiormente manufacturadas em Portalegre.

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É neste contexto que se realça a produção de Carlos Botelho sob a forma de bandas desenhadas. Desde a sua primeira página publicada no ABC-zinho, em Janeiro de 1924, nota-se uma positiva evolução no estilo, até ter atingido um apreciável nível qualitativo, com perfeito domínio das sínteses narrativas, num estilo personalizado. As histórias curtas são a sua “especialidade, sem embargo de ter produzido séries de continuação.

A historieta em causa, Zé Carequinha, o Cábula, inventa uma receita para fazer carlosbotelho1exames lindos!, utiliza um modelo narrativo muito frequente, de três tiras com três vinhetas cada. Dos elementos tradicionais da linguagem da BD, notam-se as legendas, fora do enquadramento da vinheta (abaixo), signos cinéticos (indicativos do movimento) presentes, ausência de metáforas visualizadas e uso de dois simples balões, nas últimas vinhetas, o segundo desprovido do tradicional limite envolvente e do respectivo apêndice. O traço é simples e eficaz e as cores planas, numa antecipação ao estilo “linha clara” hergeneano, que nasceria anos depois.

Datada de 26 de Abril de 1926, é possível que o argumento e o próprio texto desta BD fossem de autoria alheia. Isso foi muito frequente, sobretudo nestas histórias curtas e com as legendas em verso.

A principal curiosidade, tal como destaquei no início, diz respeito à descrição da técnica de aprendizagem acelerada, passando por uma máquina trituradora de manuais relativamente semelhante à “inventada” por Jean-Marc Côté na sua antecipação da escola no ano 2000.

Aqui, o cábula reduz a ciência a um “caldo” onde se sintetizam dicionários, sinopses, leituras, gramática, educação cívica, história, ciências, tabuada, contas e problemas (conforme consta das lombadas dos manuais), líquido depois vertido directamente para o cérebro, após uma conveniente trepanação caseira. As torrenciais respostas do Zé, no exame, fazem depois lembrar a inesquecível e antológica cena da fita portuguesa A Canção de Lisboa, onde Vasco Santana impressiona o júri com a sua sapiência centrada no “esternocleidomastoideu”.

Acrescente-se, pela inerente curiosidade que este foi o primeiro filme sonoro nacional, realizado na Tobis em 1933 por Cottinelli Telmo, precisamente o genial director do ABC-zinho, tendo Carlos Botelho sido assistente de realização. Lembre-se ainda que Martins Barata, Reis Santos, Leitão de Barros, Stuart Carvalhais e outros se tinham encontrado com Carlos Botelho e Cottinelli Telmo nos bancos do Liceu Pedro Nunes. Julgo que estes “pormenores”, todos juntos, são qualquer coisa mais do que simples coincidências…

E aqui fica esta página de antologia.

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NOTA – A receita acima descrita não se recomenda…

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

  

ESTRELA BRILHANTE

PARABÉNS, ESTRELA DE PORTALEGRE!

 

A guerra devastadora ia deixando meia Europa desorganizada. Por cá, uma ainda jovem e algo confusa República vivera mais uma revolução, dirigida por Sidónio Pais.

Portalegre não escapava à confusão geral do país e até recebera a visita do ditador. Resistir em tempos difíceis era quase uma arte, numa cidade modesta, sujeita às cíclicas crises que afligiam a sua considerável massa operária industrial e também os trabalhadores dos campos.

Os gaiatos e os jovens portalegrenses, como era normal, tentavam passar os seus tempos livres em descuidadas brincadeiras, já que a vida futura não lhes prometia muito. A bola de trapo jogada por pés na maior das vezes descalços era um dos passatempos preferidos. Como hoje, só que agora há sapatos ou ténis e os esféricos são mais sofisticados. Então, nos alvores da década de vinte do passado século, o árbitro que normalmente permitia ou suspendia o jogo estava fardado de cinzento, usava um cassetete e, em vez de cartões amarelos, espalhava multas, bem negras…

Foi então que, estimulado pelo exemplo dos mais crescidos, um grupo de jovens decidiu organizar-se em clube, largando de vez a improvisação das ruas e o tumulto das fugas à polícia.

Juntavam-se em improvisadas mas produtivas assembleias mais ou menos gerais onde bem calhava. Dizem as crónicas do tempo que era junto à (extinta) cascata do Jardim Público, ou no largo da Sé, ao abrigo das torres, ou debaixo da grande árvore do Rossio, quase sempre à noite, quando o estudo (pouco) e o trabalho (muito) deixava a malta mais liberta.

E foi assim que, destas diligências, nasceu o Estrela, precisamente por ter sido dado à luz… das estrelas.

Sou do Desportivo, sempre fui do Desportivo, que nasceria um pouco depois. No meu tempo de escolha isso da idade não contou, mas a opção paterna, pois o meu pai e outros familiares, sobretudo o primo João José Albuquerque, eram todos do Desportivo.

estrelaMas tenho pelo Estrela num carinho muito especial, até porque alguns dos meus amigos certos são do Estrela, como o João Transmontano ou o Nuno Oliveira. Alguns dos meus mestres, e entre os melhores, foram igualmente do Estrela e lembro sobretudo Jaime Belém e Francisco Barrocas. E o mesmo se passa com muita gente que respeito ou por cuja memória tenho consideração, por exemplo Manuel Milhinhos, Jorge Arranhado, António Costa, Ricardo Nunes ou Lino Amaral. Dos futebolistas de diversas gerações ocorrem-me o Martelo (pai), os Casaca, os Beirão, os Bica, o Roquete, o Chapelli, o Catinana, o Figueiredo e sobretudo os que pelos anos 50 foram meus alunos, enquanto adultos e mais velhos do que eu, o Manuel Botavento, o Carrilho Micróbio, os Rosa e mais alguns cujos nomes (não os rostos) já esqueci.

É evidente que o expoente máximo do clube é o grande e saudoso Carlos Canário, fabuloso futebolista a quem em memorável entrevista para A Cidade chamei O Leão do Estrela.

Em 23 de Setembro de 1919 o Sport Club Estrela de Portalegre foi oficializado. Faz hoje, portanto, 94 anos. A caminho de um século de vida, cheia de momentos memoráveis, atravessa um período de eclipse. Acontece isso com os astros, como se sabe da astronomia.

E também se sabe que, inevitavelmente, depois das sombras volta sempre a luz.

Será assim com o bilhante Estrela.

Parabéns, Estrela da minha terra!

 

António Martinó de Azevedo Coutinho