S.O.S. chaparro!

QUERCUS SUBER

 

O sobreiro, símbolo do Alentejo, foi classificado como Árvore Nacional de Portugal, “pormenor” que muito provavelmente será desconhecido por parte da imensa maioria dos cidadãos. Pois foi no dia 22 de Dezembro de 2011 que a Assembleia da República assim decidiu, através do Projecto de Resolução n.º 123/XII/1.ª

sobreiro realO sobreiro, que tem como desiganção científica o nome de Quercus suber, é também conhecido por sobro, sobreira ou mesmo chaparro. As zonas povoadas de sobreiros denominam-se montados. É uma árvore da família dos carvalhos, e tem como principal aplicação prática a periódica disponibilidade da sua “casca”, a cortiça. A extracção desta não prejudica o sobreiro, que a regenera no prazo de 9 ou 10 anos. O seu fruto, tal como acontece com outros carvalhos, é a bolota, também conhecida por lande ou glande. Serve para a alimentação humana e de outros animais. A madeira também é muito apreciada e teve uma decisiva importância histórica em construção naval na época dos Descobrimentos, utilizando-se hoje na indústria do mobiliário e noutros fins.

sobreiro umO sobreiro tem uma grande importância ecológica pois forma ecossistemas com elevada biodiversidade, como os sobreirais e o montado de sobro. É também sobejamente conhecida a sua importância económica no sector suberícola, com impactos muito positivos no PIB nacional e nas exportações internacionais.

Ora neste momento acontece que, contraditoriamente, o sobreiro está ameaçado.

 A direcção nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da sobreiro quercusNatureza divulgou há pouco um comunicado em que dá conta da sua preocupação perante a próxima possibilidade de alterações na legislação que protege o sobreiro -Árvore Nacional-, actualmente em preparação no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a quem devia competir o máximo zelo na defesa do ambiente.

Prepara-se, ao que parece, uma simplificação processual no abate de sobreiros que não estejam integrados em povoamentos. Ora acontece que uma percentagem substancial de sobreiros adultos, em plena produção, se encontra nesta situação. Atendendo a que se trata de uma espécie de crescimento lento, que só começa a dar cortiça com cerca de 40 anos de idade, facilitar o corte indiscriminado de sobreiros significa o desbaratar de uma valiosa herança que as anteriores gerações nos legaram, de difícil e demorada reposição.

Os habitats de sobreiros, ou montados, pelo seu elevado aproveitamento agro-silvopastorial e industrial, são importantes não apenas por este valor económico, mas pela sua permanente função de conservação do solo, de regularização dos ciclos hidrológicos e de contributo para a manutenção da qualidade das águas.

sobreiro váriosO abate de sobreiros, pelas razões expostas, facilitará a instalação de monoculturas agrícolas e florestais intensivas, como os eucaliptais. E todos sabemos, para além dos estragos ambientais provocados por esta cultura, o que acontece todos os anos, infeliz e dramaticamente, com os incêndios florestais…    

É por isso indispensável que a opinião pública, normalmente “distraída” quanto a questões deste tipo, se consciencialize sobre a importância da ameaça que pende sobre o sobreiro.

Este é um assunto nacional, que implica a nossa intervenção, se ela se tornar necessária.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

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