O CASO FERNANDO GREGO – zero

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PRÓLOGO

(A cena representa uma sala de estar. Cenário habitual, com algumas estantes-vitrinas cheias de objectos. Quadros nas paredes e um televisor ao fundo, desligado. À esquerda um grande guarda-livros, cheio. A mesa está à direita do público, posta um pouco de través, com um portátil, ligado, cujo monitor fica virado para a boca de cena. Ao lado da mesa, também à direita, uma larga varanda dá para o casario, baixo, com o mar no horizonte).

 

HOMEM

 

(entra pela esquerda e vai sentar-se ao computador, um portátil. É um tipo já idoso, com calças de ganga, em mangas de camisa. Usa o rato e percorre as páginas que vai lendo no monitor. A certa altura pára, inclina-se sobre uma mensagem e vai abrindo alguns sucessivos anexos. Pega a seguir no telemóvel pousado sobre a mesa e disca um número…)

 

– Florindo? Olá! Acabei de ler o que me mandaste. Isto é muito giro e dá para colocar no blog, se o teu amigo concordar, claro! Que dizes?

cenário

 

***

Poderia assim continuar, neste estilo de texto teatral, mas isso cansar-me-ia (não sou propriamente um dramaturgo nem lá perto!) e nem sequer seria produtivo.

É de teatro que terei de falar, mas não tenho de me exprimir teatralmente…

O Florindo Madeira, incansável no crescente e desvelado carinho e no permanente apoio (diz-se que os amigos são para as ocasiões, e é verdade), enviou-me há dias um mail surpreendente. Continha o relato sumário e as peças fundamentais de um episódio acontecido há umas décadas entre um outro seu amigo e José Régio.

Nada mais acrescento sobre tal assunto, por ora. Quando telefonei ao Florindo (o excerto inicial da “peça” acima não é ficção) foi para saber se eu poderia usar aquele interessante material. A resposta foi afirmativa. Comecei a estudar o tema e pedi-lhe mais informações e outros complementos, servindo ele de diligente intermediário quanto ao outro seu amigo, que se revelou muito interessado e colaborante, o que agradeço.

Chegou agora o momento de aqui colocar o relato desse episódio inédito que, creio, contribuirá para um melhor conhecimento da verdadeira face de José Régio, muitas vezes injustiçado.

Achei igualmente, após uma alargada reflexão, que seria esta uma magnífica oportunidade para estudar, sistematizar e aqui partilhar essa face -ainda hoje a menos conhecida- da multímoda actividade criativa do autor: o seu Teatro.

Isto por duas razões fundamentais: a de ensaiar um contributo/tentativa de esclarecimento de certos equívocos e de algumas imprecisões -autores consagrados citam apenas seis e outros sete ou oito peças regianas no seu conjunto, por exemplo; e a de conceder um enquadramento prévio e digno ao citado e inédito episódio, que bem o merece e justifica.

Será um pouco longa, porque exaustiva, a abordagem ao Teatro de José Régio. Tentarei que seja igualmente interessante, pois ela servirá, segundo pretendo, para melhor e mais perfeitamente se entenderem tanto o contexto como as implicações do relato em causa, que tudo isto afinal motivou.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

 

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