TERRA DA PACIÊNCIA – Portalegre em Lisboa…

Terra da Paciência 13 (889x1024)PORTALEGRE NA CASA DO ALENTEJO EM LISBOA
(Lançamento do novo livro de Francisco Ceia)

Como previsto e aqui divulgado, aconteceu na passada 5.ª feira (ontem) o lançamento em Lisboa da nova obra literária do portalegrense Francisco Ceia.

Tal como acontecera com a sua estreia nesta aventura das Letras, com Jogo de Janelas, foi igualmente na Casa do Alentejo que o autor quis revelar na capital o fruto da sua mais recente inspiração criativa, agora intitulado Terra da Paciência.

Fora a 13 de Abril de 2013, com Mário Zambujal, agora foi a 30 de Janeiro de 2014, com Ceia da Silva.

Num dos belos salões do palácio que abriga em Lisboa a casa alentejana por excelência, feitas as honras da casa por uma sua responsável, foi o editor portalegrense Fernando Mão de Ferro quem a seguir repetiu um ritual que há muitos anos vem cumprindo, o de apresentar mais um produto cultural da sua editora, a Colibri. Mais um produto cultural e lagóia, retintamente portalegrense, revelando que ao menos por banda da inteligência criativa a crise ainda não atingiu, de todo, a cidade de Régio.

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São já quase incontáveis as edições de autores portalegrenses ou afins, versando ou não temáticas de Portalegre, que a Colibri concretizou. Já por mais de uma vez aqui realcei este serviço que, muito para além de uma relação técnica, implica uma autêntica cumplicidade, uma permanente disponibilidade de Fernando Mão de Ferro ao serviço da afirmação cultural de Portalegre e das suas gentes.

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Depois, coube a Ceia da Silva o encargo de ali “apadrinhar” Terra da Paciência, ele que às terras do Alentejo todo vem dedicando a sua… impaciência! Impaciência, entenda-se, no sentido da activa e total disponibilidade para zelar pela promoção turística de um terço (belo terço!) do território nacional. E falou disso, como falou do autor e da obra, revelando  da trama e das personagens apenas o bastante para em nada reduzir a natural curiosidade dos interessados.

O autor terminou, com o seu depoimento, a componente “curricular” da apresentação. De alguma maneira, estabeleceu a lógica interna desta nova obra, aprofundando temáticas e personagens que anteriormente já esboçara. Seguramente, tal como acontece com a sua vida de cantor, nas músicas como nos poemas, esta sua paralela criatividade, em distinto campo de intervenção, não pára por aqui [isto acrescento por minha conta, conhecendo-o como conheço]…

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Esteve Francisco Ceia rodeado de amigos e no entanto muitos faltaram, por imperiosos motivos. Como eu. Por isso foi longa a ritual sessão de autógrafos, porque esta não é, apenas, uma mera aposição de assinaturas, antes a troca e o prolongamento de amizades e de recíprocas admirações.

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Houve outro prolongamento, este gastronómico, no convívio em torno de outras coisas boas do Alentejo, do pão ao vinho, dos enchidos a demais petiscos.

O Florindo, o mais antigo e assíduo correspondente do Largo dos Correios/Fonte do Rosário na Grande Lisboa, também esteve impedido de participar pessoalmente no encontro. Foi o correspondente-adjunto (o título acaba de lhe ser justamente conferido), Tito Costa Santos, quem o substituiu. A contento, absoluto, acrescenta a Redacção, que a ambos reconhecidamente agradece. Por isso, em cima do acontecimento, aqui está a “reportagem”, no texto e na imagem.

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Para que conste e até à próxima oportunidade.

Ao Francisco Ceia, com o abraço amigo de sempre, os parabéns e a expectativa: – para quando o próximo? Livro ou disco, tanto faz.

Florindo/Tito/Martinó

EUSÉBIO – Crónicas de um reinado – 09

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1966 – O Mundial de Futebol (parte quatro)

 

Portugal-Coreia: o filme da recuperação, eis o tema central da evocação de hoje. Incontornável, como sempre, o memorável encontro de futebol volta à ribalta.

A reprodução das páginas alusivas da Flama 960, de 29 de Julho de 1966, com a indiscutível qualidade das suas fotografias e a emoção das palavras escritas ainda a quente, evidenciam Eusébio, sempre Eusébio, o dos quatro golos em campo e também a vedeta nos bastidores…

A derrota com a Inglaterra, nas meias-finais, também aqui fica documentada, em Última Hora. O número seguinte detalhará o acontecimento.

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OPERAÇÃO DULCINEIA – dois

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A comunicação social da época encontrou no caso um fértil manancial de notícias. Sem dispor dos meios de transmissão de hoje, nem lá perto, era a informação mais demorada e difícil de obter.

Em Portugal, foram devidamente censuradas as informações chegadas da origem.

A capa e a contracapa do diário O Século traduzem essa realidade. A sua edição do dia 24 de Janeiro, uma terça-feira, denota uma intencional deturpação, onde é exagerado para quase o triplo o número dos assaltantes, assim como se insinua a sombra de Moscovo no golpe, pois era táctico costume do regime ligar o comunismo e os comunistas a tudo quanto constituísse transgressão da “ordem” estabelecida.

Aqui ficará a reprodução dessas páginas, como clara demonstração da manipulação da opinião pública através de uma deturpação censória da informação publicada.

Aliás, para que disto não reste qualquer dúvida, basta atentar no pequeno rectângulo na capa, logo abaixo da fotografia do venerando chefe de Estado, ao visitar a Exposição de Turismo: Este número do “Século” é de 16 páginas e foi visado pela Comissão de Censura. Incontornável…

De distinta natureza é a reportagem publicada pelo histórico exemplar n.º 617 do semanário francês de implantação mundial Paris Match, de 4 de Fevereiro de 1961. Esta revista, na emergência, fora sem dúvida o mais decidido de todos os órgãos02 - lapierre   de comunicação presentes.

O seu representante nas Américas, o jornalista Dominique Lapierre, recebeu de imediato instruções para partir para Recife, no Brasil, e foi dotado de uma elevada quantia para obter um exclusivo mundial do acontecimento.

Lapierre era um notável profissional, que alugou um avião e conseguiu que o repórter fotográfico Gil Delamare, da agência parisiense Dalmas, saltasse de pára-quedas e chegasse ao Santa Maria, numa arriscada e bem sucedida manobra.

Foi assim que o trabalho de ambos chegou por cabo a Paris, à sede da revista, que publicou um rigoroso exclusivo pela pena do redactor Robert Collin, em 11 páginas, fora a capa, dedicadas ao caso. A bordo do Santa Maria – fotos e relato; A fantástica aventura de Galvão e dos piratas da revolução; O palácio flutuante era o “primeiro pedaço da pátria libertada” – eis alguns dos sub-títulos de uma curiosa reportagem que dá conta daquilo que é considerado um “louco cruzeiro“… De qualquer forma, aquele texto significa um independente e saudável contraponto à rígida interpretação oficiosa das autoridades estatais portuguesas.

02 - gilAquela simbólica e algo quixotesca declaração de liberdade (Operação Dulcineia, não o esqueçamos!) resultaria no entanto em pleno, sobretudo no espectacular golpe desferido no coração do Estado Novo, expondo o velho regime e o seu líder à severa atenção mundial.

Aqui ficam, a seguir, as duas reproduções do jornal O Século e as doze da revista Paris Match.

02 - século 1 02 - século 2

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02 - santamaria 06 02 - santamaria 07 02 - santamaria 08 02 - santamaria 09 02 - santamaria 10 02 - santamaria 11 02 - santamaria 12 02 - santamaria 13 02 - santamaria 14 02 - santamaria 15 02 - santamaria 16

Agenda do dia – 031

dia 31 janeiro

DIA 031 – 31 de Janeiro de 1807

Após três anos de experiências, o engenheiro suíço François Isaac de Rivaz solicitou a patente do primeiro motor de explosão, ou de combustão interna. Foi precisamente no dia 31 de Janeiro de 1807, data que assinala uma revolução nos futuros meios de transporte.

Ainda primitivo, o motor dispunha de um cilindro vertical, onde um pistão interior era projectado para cima pela força da explosão. Na queda, o pistão puxava uma corda ligada às rodas da frente de um veículo, assim provocando o seu movimento.

Poesia de João Barbosa – um

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Tal como prometido, e graças à generosa disponibilidade do autor, aqui se divulgará regularmente a poesia de João Barbosa.

A questão para mim mais difícil respeita à sua selecção. Cada poema tem vida própria, vale por si mesmo, e eu gosto de todos… Por isso, ficará cada sucessiva escolha sujeita e um critério pessoal, quase aleatório, discutível como todos os critérios.

Mas hoje não tenho qualquer dificuldade, pois sirvo-me de uma escolha que outros fizeram, a anotada na breve biobibliografia do autor, duas poesias -entre tantas outras- ali citadas, porque alvos de divulgação e tradução na vizinha Espanha.

Por isso aqui ficam Fim, da obra Tejo (2005), e pele da terra, de memória da terra (2008).

*

Fim

É dentro do mar salgado
sob o olhar do bugio
que acaba serenamente o meu rio.

Acaba.

Morre? Adormece?
Transforma-se? Desaparece?
Esconde-se? Funde-se?
Desfaz-se? Confunde-se?

Que importa,
se o seu fim é um começo
de mar?

*

pele da terra
 

a terra lavrada.
chego descalço
de tudo, despido.

poros com poros

eis-me aqui corpo maduro, fruto
de semente lançada noutra terra

eis-me aqui erguido,
tronco nu de terra

eis-me aqui terra com pele
sobre a pele de outra terra.

Rua com pirolitos e outras coisas boas dentro

Este blog, como ponto de encontro, tem-me proporcionado muitas coisas boas. Coisas boas – emprego deliberadamente uma expressão simples, popular, vernácula. São coisas boas as lembranças de memória, recados de amizade que este pretexto proporciona e que me enchem de saudade e de gratidão, daquelas que nada têm de piroso saudosismo mas do sentimento, autêntico, de uma solidária partilha.

O Luís Leite Rio é de outra geração, a do meu filho; o Joaquim Chagas (outro “exilado”) é do meu tempo, na partilha comum dos bancos da escola e nas sonhadoras vivências daí nascidas. Encontrámo-nos, os três, em volta do pirolito, imagine-se: o que eu via encher no mágico sótão do primo Galamarra, o que o Luís furtivamente (!?) retirava ao património familiar, o que o Joaquim num dia de festa brava provou e nunca mais esqueceu…

Acho que lhes devo reconhecimento pelos seus cúmplices testemunhos. Nada me pareceu mais adequado, como sinal de concreta gratidão, do que dedicar-lhes outro pretexto de vivências comuns, que os três muitas vezes percorremos, ainda que por diverso motivo e em diferentes épocas, o Luís na frequente ida à casa de família, eu e o Joaquim pelo obrigatório percurso para a escola: a Rua da Carreira na primeira metade dos anos 40.

*

Ao Luís Leite Rio e ao Joaquim Chagas, com um abraço amigo

 

Rua da Carreira, era assim que a conhecíamos. Nem sabíamos que ostentara um nome de herói caído em desgraça, João de Azevedo Coutinho, e pouco ligávamos ao outro que figurava na lápide toponímica, data ignota e sem qualquer relevante carreira 1significado: 19 de Junho. Ainda hoje, que temos a Wikipédia e mil outras enciclopédias -em papel ainda e sobretudo virtuais- à mão de semear, a imensa maioria destas olimpicamente a ignora, desprezando o dia da sessão inaugural da Assembleia Constituinte da ainda jovem mas já conturbada Primeira República Portuguesa. Deixemos isso, porque as ruas são muito mais para percorrer que para ler.

E nós percorríamos pelos anos 40 a Rua da Carreira, que ligava duas das praças mais importantes para a comunidade lagóia, a da Sé e a do Corro, sobretudo no seu troço mais ocidental, entre o Café Alentejano, há pouco renovado, e o grande largo, então cheio de vida, onde se situavam a Câmara, a Escola Industrial, o jornal O Distrito de Portalegre, o Grémio da Lavoura, o quartel dos Bombeiros, a Caixa Agrícola, a Sé Catedral, logo a seguir a nossa Escola (onde está hoje o Museu) e o Tribunal, as Finanças, o Registo Civil e o Predial, o cartório notarial (o actual Paço Episcopal) e eu sei lá mais o quê, porque até a extensa relação quase cansa…

Aqueles cinquenta metros da rua, medida a olho, eram um fascinante microcosmos, na variedade e interesse dos seus motivos, insinuantes aos nossos olhos infantis. Vejamos com algum pormenor esses pretextos, em pedra e sob a forma de gente. E, não o esqueçamos, três quartos de século passados…

O princípio daquele troço começava com a mercearia (naquele tempo, mercearia carreira 2era sinónimo de supermercado, embora mais pequeno), do senhor Fernando Meira, que a recebera do pai João Maria, frente ao Alentejano e ladeando a Rua da Carreira. Nesta, do outro lado, ficava a sede da Comissão de Iniciativa e Turismo, na esquina com a Rua de Elvas. Tinha lá dentro umas fascinantes e perfeitas figuras talhadas em macia madeira de bunho, com trajos alentejanos típicos, o pastor, a ceifeira, o ganhão, o semeador. O sorridente senhor Cassola, esfregando as mãos à porta, e a circunspecta dona Rosa Carrilho no interior, eram os habitantes vivos daquela casa cujos ocupantes imóveis, porque mortos mas vestidos a tradicional rigor regionalista, mais nos atraíam.

Depois, quase em frente, estava a clara e atraente casa comercial, uma mercearia fina, do simpático senhor Francisco José Carichas, que até tinha uma arca congeladora, novidade para a época e apetitosas coisas de comer e chorar por mais. Nos altos ficava a Mansão, que há pouco abrira, gerida pelos proprietários do recentíssimo Café Victória (não é produto do Achordo Ortographyco, era assim que o nome se escrevia).

Do mesmo lado e  logo a seguir ao Turismo, ficava a fábrica de pirolitos do senhor carreira 5Joaquim da Cruz Correia, que nós espreitávamos pelas grades duma janela do rés-do-chão. Devo aqui acrescentar que me lembro dessa mesma fábrica num anterior local, no Bairro Alto (Rua de Infantaria 22), onde depois foi instalada uma outra, ainda mais “impressionante” onde se construíam mosaicos a partir de engenhosos puzzles de argila colorida. Um encantamento! Mas voltemos à nossa rua.

Mais ou menos em frente da fábrica dos pirolitos, situava-se a pequena loja -um bazar- do senhor Mota. Franzino, movimentando-se com extrema dificuldade com o auxílio de uma muleta (ainda não tinham sido inventadas as “canadianas”!) e surdo que nem uma porta, o senhor Mota detinha uma das principais fontes de atracção da malta miúda: as latas de rebuçados com cromos do futebol, que tinham bolas de couro como prémio máximo, porém praticamente inacessível por causa do mágico número único da necessária colecção. Quase todos os nossos parcos tostões iam parar à gaveta do senhor Mota, em troca dos lambuzados rectângulos estampados com a desbotada imagem dos génios do futebol indígena, muito antes dos Figos, Eusébios e Ronaldos. O único mago do tempo era o Zé Travassos.

A modista que então morava nos altos -dona Carolina Carvalho- era permanente pretexto para o nosso gáudio, quando sujeitávamos a surdez do senhor Mota ao implacável e fonético bullying de “alpista” versus “modista”. Como éramos cruéis!

Logo a seguir, outro -ainda que diferente- fascínio: a oficina gráfica do jornal A Rabeca. Discípulos ainda de Gutemberg, eram aqueles homens de batas azuis pacientes coleccionadores de pequenas peças de chumbo com as quais confeccionavam palavras, linhas e páginas do semanário que (isso ignorávamos então em absoluto) dava que fazer aos censores políticos da época. Aquelas máquinas em funcionamento rivalizavam aos nossos olhos com as dos pirolitos, ainda que produzindo bem diverso produto.

A casa de hóspedes do senhor Noronha completava aquele lado da rua, fazendo já gaveto com a praça. Do senhor Noronha, assíduo, rotundo e piedoso cristão, sabíamos que se conservava vivo porque na igreja, embora de olhos sempre fechados, rezava ou cantarolava entre dentes as deixas devidas aos fiéis. Era sobretudo nas procissões que se destacava o seu volume, embrulhado em gigantesca opa, talvez roxa, talvez vermelha, ou vermelha e roxa à vez conforme e respectiva solenidade, confesso disso não me lembrar com absoluto rigor.

Na esquina oposta, confluindo com a Rua Nova dos antigos judeus que há muito ali se teriam estabelecido, situava-se a tasca do Gabirra, que disputava com o senhor Mota a posse dos tais nossos parcos tostões. Porém, não eram cromos mas pevides, torradas, salgadas e gostosas sementes de abóbora, que ali íamos negociar. Em cartuchinhos de papel, prática embalagem de tempos anteriores à descoberta de ecopontos, reciclagens e outros ecológicos princípios, em cartuchinhos de papel -dizia- vinham as pevides que deram nome e fama ao senhor Gabirra, espanhol de origem. O seu vinho e os seus petiscos, obviamente, tinham outra clientela que não os putos que nós éramos.

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Era assim a Rua da Carreira, onde a mais espectacular atracção não era a das nossas próprias carreiras, ou correrias, mas a do pronto-socorro dos bombeiros, a sua mais rápida viatura que logo partia disparada ao estridente e soluçante som da sereia no alto castelo. Conduzida pelo senhor Queirós, um dos nosso heróis locais de carne e osso, com os voluntários agarrados ao banco corrido, sem a protecção sequer de cintos de segurança (outra invenção de fresca data!) e um deles agitando freneticamente a sineta de alerta, era espantoso ver aquela frágil viatura descer a Rua da Carreira e, quase o juraria!, descrever a duas rodas a curva com a Rua de Elvas. Que espectáculo, dentro da emoção e da angústia desses por vezes frequentes momentos!

carreira 3A Rua da Carreira, organismo vivo, mudou, foi mudando. Preencheu-a depois um banco, a saltitante sede do clube local do meu coração -o Desportivo-, a Junta de Freguesia com a poetisa/charadista Isa, a Casa Capote, o jornal Fonte Nova, a Escola Silvina Candeias, estabelecimentos comerciais, uma empresa turística e cultural, eu sei lá… O que lhe resta?

A Rua da Carreira é hoje um organismo sobrevivente, que liga duas praças distantes, muito distantes, do antigo esplendor local desses anos 40, quase três quartos de século atrás. Não fora o Politécnico e uma das suas Escolas, que lhes restaria, de ainda vivo e em permanência? Fenómeno natural, inevitável evolução (!?), sinal dos tempos e do desgaste que estes provocam nas comunidades? Talvez, mas também, incontornavelmente, fruto de muitos erros acumulados da parte de quem foi (des)governando uma pequena cidade.

Rua da Carreira, era assim que a conhecíamos.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

*

P.S. – Mesmo agora soube que uma revista espanhola de turismo e viagens acaba de colocar a Rua Augusta, em Lisboa, e o Cais da Ribeira, no Porto, entre as 31 artérias citadinas “a percorrer antes de morrer“. Mais modestamente, creio que a Rua das Carreiras, em Portalegre, foi bela de percorrer, depois de termos nascido… Não me atrevendo a solicitar a sua inclusão numa lista internacional, ela ficou registada, para sempre, na incontornável relação dos meus afectos.

Agenda do dia – 030

dia 30 janeiro

DIA 030 – 30 de Janeiro de 1943

A denominada Batalha de Stalingrado é um dos episódios marcantes da II Guerra Mundial, no seu cenário europeu. Fundamentalmente, consistiu numa violenta e prolongada operação militar levada a cabo por poderosos exércitos alemães pela posse da cidade russa de Stalingrado (hoje Volvogrado), nas margens do Volga. Processou-se entre meados de Julho de 1942 e princípios de Fevereiro de 1943, atravessando e gelado e mortífero Inverno das estepes russas. Terá sido a mais sangrenta batalha de toda a História, pois causou cerca de dois milhões de vítimas, entre soldados e civis.

A 30 de Janeiro de 1943, o marechal-de-campo Friedrich Paulus assinou a rendição, sendo o primeiro oficial general alemão detido como prisioneiro de guerra. Alguns combatentes, dispersos, renderam-se dias depois…