O último testemunho

El último testigo

Hace más de 70 años que el viento trata de secar las lágrimas y no lo consigue. nora gaonLas lágrimas están todavía allí.
El viento hace callar las voces de los jóvenes, los trinos de los pájaros, el sonido de las máquinas y los disparos. Todos quieren que este lugar guarde silencio, pero la tierra en su silencio nos pide que hablemos.
Todos están allí: nosotros los humanos con nuestras voces, los pájaros, que no estudiaron historia, con las suyas, las máquinas que construimos para construir y para destruir.
En la tierra llena, no cabe nada más. Todo la rebaza. Ella no puede hablar, algo y alguien le aprietan la garganta. Está muda. Por eso es necesario las voces, los trinos y los ruidos de las máquinas.
El verde lo cubre todo incluso a nosotros. Ese verde es de tristeza por el cielo gris y por la tierra llena.
Solo el viento, dueño y señor del lugar, pasa sin pedir permiso, moviendo de vez en cuando la rama de un árbol y el cabello de los jóvenes.
Una vez más el viento trata de callar a los cañones, a las máquinas, a los trinos y a las voces – el resultado es el de siempre.

… fueron traídos, sobrevivieron algunos, murieron tantos…

En el fin de los tiempos, con las lagrimas todavia por secar, el viento será el último testigo en Bergen Belsen.

Abril, 2014
Nora Gaon, Directora no Spanish Desk International Department of Guetto Fighters House, sediado no kibbutz Beit Lohamei Haghetaot, Israel

bergen belsen

O último testemunho

Há mais de 70 anos que o vento tenta secar as lágrimas mas não o consegue. As pascoal1lágrimas porém permanecem ali.
O vento faz calar as vozes dos jovens, o trinar dos pássaros, o som das máquinas e dos disparos. Todos querem que este lugar guarde silêncio, mas a terra, no seu silêncio, pede-nos que falemos.
Todos estão ali: nós, os humanos, com as nossas vozes; os pássaros, que não estudaram história, com as suas; as máquinas que construímos para construir e para destruir.
Na terra cheia não cabe mais nada. Tudo a faz transbordar. Ela não pode falar; algo e alguém lhe apertam a garganta. Está muda. Por isso são necessárias as vozes, os trinos e os ruídos das máquinas.
Ao verde cobre-o tudo, inclusivamente a nós mesmos. Esse verde é o da tristeza pelo céu cinzento e pela terra cheia.
Só o vento, dono e senhor do lugar, passa sem pedir permissão, movendo de vez em quando a rama de uma árvore e o cabelo dos jovens.
Uma vez mais, o vento trata de calar as armas, as máquinas, os trinos e as vozes – o resultado é o de sempre.

… foram traídos, alguns sobreviveram e morreram tantos…

No fim dos tempos, com as lágrimas ainda por secar, o vento será o último testemunho em Bergen-Belsen.

Tradução do original em língua castelhana por
António Jacinto Pascoal

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