O gato bolchevista (ao cuidado de Catherine Labey)

Cara Catherine

Encontrei há dias, perdido entre as páginas do Almanaque do Jornal O Século de 1939 (XXXVII Ano), um estranho gato. Como conheço (e aprecio) a sua fabulosa colecção de felinos domésticos, lembrei-me de lhe fazer chegar mais um, na esperança de que este ainda dela não conste. Se já lá estiver, que se salve pelo menos a minha intenção…gato 0

Por outro lado, porque também conheço a sua louvável (e invejável) prática de fazer rodear as generosas partilhas pessoais de toda a informação complementar que as situa no tempo, no espaço e noutros contextos relevantes, não quis desmerecer desse cuidado, pelo que junto os dados mais significativos que consegui pesquisar sobre o interessante autor do poema O Gato Bolchevista.

Quanto aos autores da capa do almanaque, que anexo, assim como da ilustração da página em questão, não me atrevo a acrescentar seja o que for sobre Stuart ou Rocha Vieira, tendo para mais a Catherine a felicidade de contar ao seu lado com alguém como o Jorge.

Aqui fica, portanto, um apontamento sobre o poeta.

Luís Edmundo

gato 3Luís Edmundo de Melo Pereira da Costa foi jornalista, poeta, cronista, memorialista, teatrólogo e orador. Nasceu no Rio de Janeiro em 26 de Junho de 1878, descendendo de um avô paterno português.
Foi o terceiro ocupante da Cadeira 33 na Academia Brasileira de Letras, tendo sido eleito em 18 de Maio de 1944.
Como durante muitos anos desempenhou o cargo de corretor de companhias francesas de navegação, efectuou inúmeras viagens marítimas à Europa.
Publicou o seu primeiro livro de versos, Nimbus, em 1899, logo seguido de Turíbulos, em 1900, e de Turris Ebúrnea, em 1902, obras que reuniu, mais tarde, no volume das Poesias (1896-1907). Tornou-se um poeta muito popular, com cunho impressionista, que misturava elementos do Parnasianismo e do Simbolismo.
Luís Edmundo era um carioca apaixonado pela sua cidade. Quando sentiu que a inspiração poética se lhe esgotava, transferiu o lirismo para a prosa, transformando-se num grande cronista da cidade. O boémio e o poeta foram substituídos pelo bibliófilo e pesquisador do passado, buscando temas para as peças de teatro que viria a escrever. Voltou o seu interesse para o século XVIII, indo a Portugal para pesquisar em arquivos, bibliotecas e conventos da província, e depois a Espanha, reunindo material, também iconográfico, para as obras que depois escreveu, como O Rio de Janeiro no tempo dos vice-reis (1938), O Rio de Janeiro do meu tempo (1940), Memórias (1958, 1962 e 1968, algumas destas póstumas), etc.
Faleceria na sua cidade em 8 de Dezembro de 1961.

É tudo, por mim, quanto a este gato e ao seu literário patrono.

Resta-me enviar-lhe um beijinho de admiração e afecto, com um forte abraço de muita amizade ao Jorge, do

António Martinó

gato 1 gato 2

René la Borderie e o ICAV – XII

RENECABEÇALHO

(continuação)

18 de Março de 1986 – Nova proposta, n.º 248, para alargamento da Operação ICAV, com passagem de 25 para 32 professores, com 2 coordenadores nacionais. A Directora de Serviços, Dr.ª Aura Goulão, aceitou a primeira componente da proposta e adiou, novamente, a segunda…

Junho de 1986 – número 8 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEB

12 - d

8 e 9 de Julho de 1986 – Faro – Acção de sensibilização ICAV para orientadores pedagógicos, no Centro de Apoio Pedagógico

1986/88 – Pela primeira vez, é aprovada para um período de dois anos lectivos a Operação ICAV, sendo a experiência alargada a 32 professores.

21 a 23 de Outubro de 1986 – Encontro Nacional de Experimentadores ICAV – Praia Grande

Dezembro de 1986 – número 9 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEB

Março de 1987 – número 10 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEB

2 a 4 de Junho de 1987 – (Praia Grande) Encontro Nacional ICAV

12 - a

Julho de 1987 – número 11 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS (com um “dossier” alusivo ao diaporama Azul e Amarelo igual a Verde, inspirado pela prática ICAV e premiado com a Medalha de Ouro da Fedération Internationale de l’Art Photographique, no Festival de Portalegre)

1987/88 – No início deste ano lectivo, o senhor Director-Geral do Ensino Básico e Secundário declara que a Operação ICAV passará a funcionar, não já como Experiência, mas integrada nas actividades normais da DGEBS.

Dezembro de 1987 – número 12 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS

Março de 1988 – número 13 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS

12 - c

3 a 5 de Maio de 1987 – Praia Grande – Encontro Nacional ICAV, onde os experimentadores elaboraram um relatório sugerindo a possível e desejável estrutura de integração do ICAV na DGEBS, conforme intenção declarada pelo seu máximo responsável. Este relatório, na íntegra, foi publicado como separata, autónoma, ao n.º 14 da revista IC.

Junho de 1988 – número 14 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS + uma separata.

12 - e

26 de Junho de 1988 – Num despacho do Secretário de Estado da Reforma Educativa, o ICAV deixou de ser “Experiência Pedagógica” e foi institucionalizado no âmbito dos projectos da DGEBS, designadamente no contexto da formação contínua de professores.

13 de Fevereiro de 1989 – Proposta do Gabinete ICAV para uma cadeira semestral de Comunicação Educativa – Educação para a Comunicação na Escola Superior de Educação de Portalegre.

Julho de 1989 – número 15 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS. É aqui 12 - fapresentada uma súmula do trabalho realizado ao nível dos diversos sectores, incluindo participação no Diaporama 89 – 4.º Festival Internacional de Diaporama de Portalegre, através de uma comunicação proferida pelo coordenador nacional José Antunes da Silva. Juntam-se os textos das comunicações de Antunes da Silva, António Martinó, Carlos Capucho e Manuel Vilas-Boas. Igualmente se refere a abertura do presidente da Comissão Instaladora da Escola Superior de Educação de Portalegre para a eventual criação aí de uma cadeira, em regime de opção, sob os auspícios do ICAV. Finalmente, integra este número um cuidado índice de todos os IC publicados.

12 - b

Janeiro de 1990 – número 16 da revista IC – Gabinete ICAV – DGEBS (o último). Começa com um notável e premonitório texto/editorial subscrito por José Antunes da Silva, de título Quem manda, manda bem. Termina assim:
Como disse René la Borderie, a relação com o saber faz-se sempre através dos modos de comunicação do saber. Os problemas da Educação e do Ensino/Aprendizagem são, antes de mais nada, problemas de Comunicação. Tanto bastaria para se entender a necessidade de definir uma área na escola e na formação de professores, especificamente dedicada à Comunicação: à Educação para a Comunicação – ao ICAV. E tanto bastou. Mas não podemos ficar por aí. Despachos anteriores apontaram para a generalização do ICAV. O ‘Despacho ICAV’ orienta-o para a formação contínua e a perspectivação da Reforma em curso. Mas ainda lá não estamos. É preciso esclarecer o que supúnhamos estar esclarecido; é preciso vencer o que devia estar vencido. É preciso divulgar, sensibilizar, investigar, formar. E é preciso confia em que quem manda… continue as boas tradições“.

Quem mandou, mandou bem. Isto é, à portuguesa. [este comentário, final, é da minha responsabilidade]

O ICAV desfez-se e todos os sonhos projectados também.

António Martinó de Azevedo Coutinho 

Agenda do dia – 304

304

DIA 304 – 31 de Outubro de 1517

Martinho Lutero, monge agostinho e professor de teologia alemão, em 31 de Outubro de 1517 afixou na porta da igreja de palácio de Wittenberg as suas 95 Teses, onde enunciava os temas que gostaria de discutir com os teólogos católicos.

O documento versava alguns assuntos polémicos, como a penitência, a venda de indulgências e a salvação das almas pela fé.

Depois de excomungado pelo papa Leão X, em 1520, Lutero publicou três obras, que seriam fundamentais para o início da reforma protestante, de onde resultaria a criação da Igreja Presbiteriana.

Francisco Sancho – a morte de um homem bom de Alter

Colhi a notícia, há pouco, na divulgação que, sob a chancela do seu jornal Altosancho 3 Alentejo, Manuel Isaac colocou on line. Um alterenese comunicou assim, afinal,  o desaparecimento de um seu destacado conterrâneo.

Conheci Francisco Manuel de Sousa Sancho durante o seu segundo mandato autárquico, como presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, a pretexto da comemoração dos 750 anos da concessão do primeiro foral daquela vila norte-alentejana. Foi em princípios de 1982, já lá vão 32 anos, e sempre mantive e reforcei depois sobre ele a excelente impressão nascida nesses primeiros contactos, estabelecidos no âmbito da revista cultural portalegrense A Cidade, onde o facto teve o devido destaque.

sancho 1Francisco Sancho era um cidadão empenhado no progresso da sua comunidade e deu o melhor de si em tal serviço. Dotado de uma cativante simpatia, soube cumprir por duas vezes a missão de autarca atento aos problemas locais, que sempre tentou resolver com notável sentido de responsabilidade e de geração de consensos alargados.

Muitas vezes com ele conversei nos anos seguintes, quando o encontrava, quersancho 2 em Portalegre quer em Alter do Chão. Sempre fiquei encantado com a qualidade humana que revelava, com o actuante humanismo patente no que pensava e exprimia, no que partilhava em cultura temperada pela  rara sensibilidade.

Compreendo que seja grande a dor de uma comunidade inteira, na perda sem remédio de um dos homens bons de Alter. O seu diversificado currículo demonstra o ecletismo pessoal e a forte inserção na vila e na sua zona de influência.

À sua família deixo aqui a expressão da minha solidariedade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Ainda as praxes…

elisio estanqueElísio Guerreiro do Estanque nasceu no Alentejo, em Rio de Moinhos, Aljustrel, tendo frequentado o ensino secundário na sua terra, no Liceu Nacional de Faro e no Externato Marquês de Pombal, em Lisboa. Com 16 anos fixou residência nesta cidade, onde trabalhou e continuou os estudos. Foi activista sindical e de diversos movimentos sociais no período revolucionário (1974-1975). Como trabalhador-estudante frequentou e concluiu a licenciatura em Sociologia no ISCTE – Universidade de Lisboa, entre 1981 e 1985. Em Novembro de 1985 integrou a equipa de Sociologia/ Ciências Sociais da FEUC, Coimbra, onde se mantém. Desde sempre foi irreverente, independente e crítico dos abusos de poder de todos os tipos; continua activista de diferentes causas de esquerda, mas é contra quaisquer seguidismos e alinhamentos cegos. Procura usar os seus conhecimentos e experiência ao serviço dos valores democráticos e do combate às injustiças sociais.

Deste breve currículo do autor do texto a seguir reproduzido com a devida vénia do jornal Público, de 22 de Outubro, pode perceber-se a independência, clareza e coragem com que denuncia os extremismos irracionais a que são levadas as praxes, em muitos locais de prática de tal “tradição”.

praxe 1 praxe 2

Agenda do dia – 303

303

DIA 303 – 30 de Outubro de 1938

O produtor radiofónico Orson Welles dirigiu e encenou o principal papel numa adaptação da obra A Guerra dos Mundos, do escritor H. G. Wells. O texto descrevia uma suposta invasão marciana da pequena localidade de Grovers Mills, em New Jersey. Porém, a emissão do dia 30 de Outubro de 1938 tornar-se-ia tão realista que apavorou meia América, produzindo o caos, pois milhares de cidadãos, em verdadeiro pânico, abandonaram precipitadamente os lares, para fugir dos extra-terrestres.

Orson Welles, protagonista desse episódio, um dos mais célebres da história da rádio, acabaria pedindo desculpa pelo seu excessivo “profissionalismo”…