Tintin volta ao Irão – 23

TINTIN NO IRÃO 2

As aventuras de Tintin na Rússia Soviética, ficcionalmente vividas em 1929, continuam a ser aqui evocadas, na versão iraniana decalcada sobre um álbum clandestino, sincopado e colorido.

Reproduz-se hoje mais um conjunto ou bloco de seis das suas páginas, conjuntamente com as duplas congéneres originais, criadas por Hergé.

Esta a relação das páginas a seguir reproduzidas:

 Edição original em álbum               Edição iraniana
          84 e 85                                               37
          86 e 87                                               38
          88 e 89                                               39
          90 e 91                                               40
          92 e 93                                               41
          94 e 95                                               42

23 - 01 23 - 02 23 - 03 23 - 04 23 - 05 23 - 06

A primeira constatação corresponde ao facto de terem sido hoje escolhidas seis páginas do álbum iraniano em vez das cinco habituais e a seguinte à circunstância, complementar, de a cada uma destas corresponderem duas das originais, sem necessidade de acréscimos para acerto da narração.

Quanto à quantidade do conjunto, procurou-se abarcar uma vulgar sequência passada na estepe gelada e correspondendo à perseguição de Tintin pelas patrulhas soviéticas enviadas no seu encalço, sequência com episódios desprovidos de real interesse narrativo quanto à trama essencial da aventura; sobre o facto de existir o rigoroso paralelo de cada página do álbum iraniano equivaler a duas páginas originais, ele deve-se à circunstância, aritmética, facilmente comprovável, de a quantidade de vinhetas rigorosamente lhes corresponder: 76. Trata-se de uma mera coincidência, mas a verdade é que, nesta fase da história, o adaptador se limitou a encaixar em cada página sincopada da versão clandestina a quantidade de vinhetas constante de cada par de páginas originais. O ligeiríssimo atraso narrativo vem de trás…

Ao contrário da fase imediatamente anterior da história, de argumento muito rico em interpretações, a de hoje revela-se de uma extrema vulgaridade.

Quatro simples notas resumem os escassos pontos de interesse aqui recenseados.ateu 1

Na página 84, um dos soldados soviéticos declara ao seu camarada, alto e bom som: – Só Deus sabe onde estará agora esse Tintin! Embora não conhecendo como terá sido traduzido em língua parsi esta frase, a original corresponde a uma antítese daquilo que corresponderia teoricamente a um “bom” comunista, por definição ateu.

Cinco páginas adiante, o acto de obter uma chama por fricção entre dois pedaços de madeira (à maneira polinésia), faz alguma luz sobre a preparação “profissionalizante” recebida por Tintin no seio da sua entidadelume empregadora, o jornal Le Petit Vingtième. Por outro lado, denuncia a formação escutista de Hergé…  

O maravilhoso como elemento narrativo (evocando as antigas aprendizagens escolares de Os Lusíadas) surge aqui muito claro, quase como uma intervenção divina, com a teatral aparição de uma embalagem com sal, a única substância -por ser anticongelante- susceptível de safar Tintin da sua enrascadíssima situação. Isto acontece na página 91.

Finalmente, na 92, assinala-se a imprecação soltada pelo jornalista, como provocação ao seu adversário a quem insulta com o epíteto de maldito bolchevique.

O cenário da história vai mudar na próxima cena, onde voltaremos aos interiores. Como convém, atendendo ao tempo, agreste, da estepe exterior…     

António Martinó de Azevedo Coutinho

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