Tintin volta ao Irão – 26

TINTIN NO IRÃO 2

O conjunto das páginas hoje reproduzidas é o penúltimo da série.

Aproximamo-nos do final das aventuras de Tintin na Rússia Soviética, ficcionalmente vividas em 1929, que aqui têm vindo a ser evocadas, na versão iraniana decalcada sobre um álbum ocidental clandestino, sincopado e colorido.

Apresenta-se a seguir mais um conjunto ou bloco de cinco das suas páginas, conjuntamente com as correspondentes duplas originais, criadas por Hergé.

Esta a relação das páginas a seguir reproduzidas:

 Edição original em álbum              Edição iraniana
          117 e 118                                           53
          119 e 120                                           54
          121
          122 e 123                                           55
          124 e 125                                           56
          126 e 127                                           57                                        

Neste conjunto, ao contrário do que vinha acontecendo ultimamente, tornou-se necessário acrescentar uma página original “suplementar”, para acerto do paralelismo relativo entre as narrações, a original e a truncada.

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Passando à narrativa propriamente dita, constatamos que afinal Tintin aterrou em Tempelhof, perto de Berlim, tendo ultrapassado há muito a fronteira russa, como ele próprio reconhece, pondo algo em causa as suas próprias capacidades de orientação aérea…

Hergé aproveita uma fase de ouro da aviação, com numerosas proezas transoceânicas na época, como os ingleses Alcock e Brown a unir o Canadá à Irlanda em 1919, Sacadura Cabral e Gago Coutinho ligando Portugal ao Brasil em 1922, dois aviões norte-americanos a cumprir uma primeira volta ao mundo pelos ares em 1924, Byrd e Bennett -também americanos- a voar sobre o Pólo Norte em 1926, Charles Lindberg a atravessar solitariamente o Atlântico em 1927, Charles Smith a voar entre os Estados Unidos e a Austrália, em 1928, e novamente Byrd a sobrevoar o Pólo Sul em 1929… Portanto, como poderemos ficar admirados por Tintin ter sido confundido, neste mesmíssimo ano, com um aviador que se propunha fazer o raid Pólo Sul – Pólo Norte, com escala em Berlim?

26 - 08

Na sequência da confusão gerada, o nosso herói (e também Milou) acaba por ficar embriagado, situação que se irá repetir mais algumas vezes nas suas aventuras. De anotar, graficamente, a deficiente representação das cenas nocturnas que se seguem, com cores empasteladas e pouco legíveis, esteticamente muito distintas das resultantes da adequada utilização das tramas que, em 1929, Hergé soube empregar com rara mestria no preto e branco da sua criação.

26 - 07

A sinistra polícia soviética GPU, infiltrada na Alemanha, consegue raptar Tintin, pretendendo aliciá-lo como agente duplo, possivelmente para o utilizar na desmontagem dos benefícios das políticas capitalistas ocidentais… Mas a inesperada e insólita aparição de um tigre salvará provisoriamente o jornalista, surpresa repetida logo a seguir por Milou, disfarçado de… tigre. Ele há cada coincidência neste maravilhoso de Hergé!!!

Aqui se inaugurará, no episódio, uma certa incursão pelo zoológico, universo de fábula que posteriores aventuras de Tintin vão explorar, por intermediação de Milou.

Por agora, esta ida do jornalista à Rússia soviética vai-se aproximando do seu termo. O universo comunista da época está quase desmistificado e a missão jornalística cumprida.

Com inegável êxito, como será objectivamente reconhecido.

 António Martinó de Azevedo Coutinho

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