Um ricochete certeiro! – 01

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Em mais uma interessante iniciativa editorial do Público no aliciante domínio da BD, eis-nos perante um regresso, em oportuno ricochete: Ric Hochet, ardina-jornalista-detective que fez as delícias de muitos de nós, desde as páginas, saudosas, do Cavaleiro Andante, do Zorro, do Tintin e de alguns outros títulos nacionais de referência.

Ric Hochet, embora nunca tenha atingido o íntimo significado pessoal de Tintin que descobri muitos anos antes e em inolvidáveis circunstâncias, é um dos meus heróis predilectos.

Criado há 60 anos por uma dupla de notáveis criadores da escola francófona dos quadradinhos, o argumentista belga André-Paul Duchâteau e o desenhador francês Tibet (Gilbert Gascard), o onomatopaico Ric Hochet nasceu para a aventura em 12 de Maio de 1955, nas páginas da edição francesa n.º 342 do jornal Tintin. Era então um adolescente curioso e decidido, ardina e detective ocasional.

O seu próprio estilo gráfico, tal como aconteceria um pouco com o jornalista ric 01 - 09Tintin, foi evoluindo até se tornar quase realista, tanto nas figuras como nos cenários. A personagem ganhou direitos de cidade e bem depressa conquistaria imensa popularidade entre os leitores.

Os seus companheiros ou aliados tornaram-se consistentes -Bourdon, Ledru, Nadine, Richard, Hermelin…- e o herói mereceu mesmo o direito a possuir inimigos de estimação, como o Carrasco e o Serpente. Sinceramente, com todo o respeito pela escolha do Público, acho que falta aqui o Camaleão, algo subalternizado, apenas com uma referência.

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Como quase sempre vem acontecendo -Tintin é uma das raras excepções- outros criadores foram continuando a série das aventuras de Ric Hochet, que hoje contará com cerca de oito dezenas de títulos. Uma curiosidade: tal como Tintin tem como companheiro o cão Milou, também Ric Hochet, embora sem uma tão estreita relação, dispõe de um gato, o Nanar…

O jornalista Ric Hochet, que pertence aos quadros do jornal La Rafale, apresenta uma quase invariável imagem de marca, calças de ganga, camisola vermelha de gola alta, um casaco pied de poule e, por vezes, uma gabardina bege, deslocando-se prioritariamente num vistoso Porsche amarelo. As suas histórias rivalizam de algum modo com as do lendário 007, mantendo sempre um suspense onde por vezes o jornalista-detective corre perigo de vida.

É muito antigo e bastante diversificado o percurso indígena de Ric Hochet.

A sua primeira aparição aconteceu no Cavaleiro Andante, o jornal juvenil que sucedeu ao Diabrete e antecedeu o Zorro. Foi aí reproduzida a pequena historieta completa de apenas 4 páginas que o apresentara no Tintin francês, Mène le Jeu, entre nós traduzido por Qual dos Três? Aliás, o próprio herói, estávamos então no período “nacionalizante” mais agudo, 1955, foi crismado de João Nuno!

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Pela sua curiosidade, iremos aqui reproduzir amanhã esta curta banda desenhada, que servirá como uma espécie de apresentação do herói, quando ainda muito jovem, antes da divulgação de outras suas posteriores aventuras.

 António Martinó de Azevedo Coutinho

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