HISTÓRIAS ALENTEJANAS – vinte e três

histórias alentejanas

Há vinte anos, lapso de tempo que parece quase a eternidade, ainda o Inatel dispunha de uma excelente revista entretanto desaparecida. Dedicada à cultura e ao turismo, entre outros temas, fazia e propunha umas incursões pelo país e pelo estrangeiro, um pouco à semelhança das viagens que organizava.

Em Outubro de 1995, no seu número 55, foi a Portalegre, Lugar Tranquilo23 - 0

Pela câmara, excelente, de Carlos Gil, e pelo texto do mesmo, não tanto, ficámos a saber algo sobre a capital do Alto Alentejo que, por mero acaso, era e é Évora. Portalegre é a capital do Norte Alentejano, uma espécie de sub-região algo diferente do restante território alentejano. Também o Parque Natural não se denomina de S. Mamede mas da Serra de S. Mamede, o que não é exactamente a mesma coisa…

O articulista queixa-se de não haver ao tempo material de consulta, turística, e tem razão. Mas perde-a quando propõe, em troca, o que oferece. Chamar à Manufactura de Tapeçarias de Portalegre Fábrica de Tapetes e colocá-la equivocamente no Palácio Póvoas e não na Fábrica Real (onde estava por essa altura) não é um bom serviço… Também não existe um Museu José Régio mas uma Casa Museu, o que também não é o mesmo. A Rua 19 (!?) parece remeter-nos para Espinho ou Nova Iorque… Enfim, aquele mapa alternativo também não servia, apesar da evidente boa vontade.

Alegrete também não é uma aldeia, mas uma vila. E já foi importante…

Curiosa é a nota de destaque concedida à extraordinária colecção antoniana que Heculano Curvelo doou à cidade e que o Museu Municipal então ainda mostrava aos seus visitantes, tendo-a agora ocultado… Era aquele um bom pretexto para ir de passeio a Portalegre, disse o articulista. Ironias do destino.

Outra ironia está patente na relação de sítios onde então comer. Compare-se com a actualidade e talvez por aí possam ser anotadas algumas diferenças. Para pior, hoje…

Enfim, aqui fica Portugal de Lés a Lés, em Tempo Livre de há vinte anos: Portalegre Lugar Tranquilo

Mais uma história alentejana.

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Viu os melhores filmes americanos de sempre?

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De vez em quando, ciclicamente, surgem listas de filmes. Ainda há pouco dei aqui conta, devidamente comentada, de uma lista de personagens fílmicas. Isto faz parte da mitologia do cinema. Tenho para mim, como aspecto interessante, o facto de sempre podermos comparar e aferir os gostos pessoais. Provavelmente, nem sempre estaremos de acordo, parcial ou mesmo total, com critérios alheios, ainda que autorizados.

É o caso presente.content_pic

Há poucos dias, a poderosa e conceituada BBC fez eleger os 100 melhores filmes norte-americanos de todos os tempos. O único critério consistiu as fitas terem sido financiamento dos EUA e a escolha foi entregue a 62 críticos da especialidade, escolhidos entre os mais conceituados em todo o mundo.

Devemos reconhecer, sem esforço, que a contribuição dos Estados Unidos para o cinema mundial é imensa. Afinal, o país produziu dramas, comédias, musicais, filmes de suspense e de terror, romances e tantos outros filmes clássicos e contemporâneos que já entraram para a história, definindo um certo modo de produzir e realizar longas-metragens ao redor do mundo.

Não era necessário que o realizador fosse americano, nem que as filmagens tivessem ocorrido nos Estados Unidos. Cada um dos 62 críticos submeteu uma lista com o seu top 10 (não necessariamente de filmes mais importantes, mas sim daqueles que os cinéfilos preferiam) em que o melhor filme valia dez pontos e o décimo apenas um ponto. A lista final derivou da soma de todos os pontos das 62 listas entregues.

Não se pode recusar isenção ou espírito democrático a este referendo.

O top 10 final deu o seguinte resultado:

  1. O mundo a seus pés                      Orson Welles                                   1941
  2. O Padrinho (parte I)                        Francis Ford Coppola                    1972
  3. A mulher que viveu duas vezes    Alfred Hitchcock                             1958
  4. 2001 – Odisseia no espaço            Stanley Kubrick                              1968
  5. A desaparecida                               John Ford                                        1956
  6. Aurora                                              Friedrich Wilhelm Murnau             1927
  7. Serenata à chuva                            Stanley Donen e Gene Kelly          1952
  8. Psico                                                Alfred Hitchcock                             1960
  9. Casablanca                                      Michael Curtiz                                 1942
  10. O Padrinho (parte II)                       Francis Ford Coppola                     1974

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Ressaltam daqui, a meu ver, algumas curiosas e surpreendentes conclusões, quase instantâneas. Uma destas será a de o filme mais recente aqui arrolado ter a idade da Revolução dos Cravos, 41 anos! Nenhum filme das quatro últimas décadas está no top 10… Em contrapartida, o filme mais antigo tem quase 90 anos. E também foi citado, mais para diante, um outro com 100 precisos anos, o incontornável O nascimento de uma Nação, de David W. Griffith.

Tubarão, de Steven Spielberg, surge apenas no 38.º lugar, Koyaanisqatsi, o fabuloso documentário de Godfrey Reggio, em 69.º, Indiana Jones (Os salteadores da arca perdida) em 82.º e não há vestígios de 007…

A idade de ouro deste conjunto é a dos míticos anos 50 do passado século. Curiosamente, coincide com o tempo em que, pelos meus vinte anos, vi tudo o que era possível ver. Foi um privilégio, que apenas hoje reconheço.

Depois, apenas dois realizadores, qualquer deles excepcional, Hitchcock e Coppola, têm duas citações.

O mundo a seus pés (Citizen Kane) é um clássico habituado a figurar na cabeça de listas similares, disputando sempre os lugares cimeiros. Mas, por exemplo, e cito apenas este, E tudo o vento levou, também habituado a destaques semelhantes, ficou num modesto 97.º lugar!

Falamos muito destas fitas recentes, carregadas de efeitos especiais. Pois bem, de todos os filmes realizados neste nosso século XXI, só 6 (seis) figuram na lista dos 100 melhores… O mais citado foi Mulholland Drive, de David Lynch, em 21.º lugar.

Enfim, fiquemos por aqui, porque seriam intermináveis os comentários. Para despedida, aqui ficam umas imagens alusivas.

Matemos saudades dos 100 melhores filmes americanos de sempre. Mesmo que esta não seja a nossa lista.

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BAJA PORTALEGRE 2015

baja portalegre 2015

A Baja Portalegre 500 foi a primeira competição de todo-o-terreno organizada em Portugal, em Junho de 1987, com base nos arredores da cidade de Portalegre.

O Clube Aventura, liderado por José Megre, ex-piloto do Rally Dakar, tinha idealizado esta prova desde 1983, mas demorou cerca de 4 anos a concretizar a ideia, desde que obteve ajuda e autorização das autoridades locais.

Deve lembrar-se o inestimável apoio do Dr. Miranda Calha, portalegrense e então membro do Governo, que permitiu concretizar a iniciativa. Também a Finicisa, empresa local, foi decisiva no patrocínio concedido.

Cerca de 100 carros e mais de 100 motos participaram na primeira Baja de Portalegre, então chamada Rali Maratona de Portalegre – Finicisa.

A prova decorreu num circuito de 400km, percorrido duas vezes sem quaisquer interrupções. Fortes chuvas e muita lama tornaram a prova num enorme desafio para pilotos, carros e motos.

A segunda e a terceira edição viram o número de inscritos duplicado, mas foi na 4.ª edição que foram atingidos os máximos de 250 carros e 450 motos, que se mantiveram vários anos, depois da memorável edição de 1989 em que apenas 10% dos participantes conseguiram chegar ao fim da prova!

Enfim, a Baja Portalegre tornou-se prova de referência e sobreviveu ao desaparecimento do seu mentor, José Megre.

Mas parece agora correr sérios riscos…

O ACP, clube hoje organizador da Baja de Portalegre, acaba de revelar o programa da edição de 2015, prova onde estão inscritas algumas modificações de relevo.

Segundo se pode ler no comunicado do ACP, na sexta-feira (dia 23 de Outubro) para além da Super Especial (prólogo), que se realizará próximo de Portalegre, haverá ainda um troço com cerca de 85 km que utiliza no final grande parte do percurso do prólogo, terminando no mesmo local, preenchendo assim o dia nas proximidades de Portalegre.

Este ano, uma das principais novidades tem a ver com o novo local de partidas e chegadas, que passará a ser em Ponte de Sor.  A Câmara desta cidade aceitou colaborar com o ACP de uma forma mais abrangente, a ajudando a viabilizar a realização da 29.ª Baja de Portalegre 500. E onde esteve, aqui, a Câmara de Portalegre?

Assim, logo após o prólogo, os concorrentes rumarão a Ponte de Sor onde existirá um parque fechado antes do segundo sector – o troço de 85 km que terminará em Portalegre ainda na tarde de sexta feira. A habitual assistência ao final do dia será feita no Nerpor em Portalegre.

No dia seguinte, sábado (24 de Outubro), as partidas e chegadas terão lugar em Ponte de Sor, com os automóveis a fazerem uma paragem depois do SS3 em Portalegre para reabastecimento e assistência com a duração de 20 minutos, seguindo-se depois um reagrupamento antes do SS4 com 200 quilómetros e que levará os concorrentes até Ponte de Sor. Quanto às motos terão pela frente um único sector cronometrado de 350 quilómetros.

Lamentavelmente, tudo isto parece denunciar o risco de, num indesejável mas expectável futuro, a Baja Portalegre passar a denominar-se Baja Ponte de Sor…

Hinos e canções

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Erguei-vos, filhos da Pátria,
Chegou o dia da glória!
A tirania está contra nós
Ergue-se o estandarte sangrento,
Ouvem os sons nos campos?
O rugir desses ferozes soldados?
Eles vêm direitos a nós
Degolar os nossos filhos e companheiras!

 [coro]

Formem os vossos batalhões,
Marchemos, marchemos!
Para que o sangue impuro
Regue os nossos canais!

Acho que o nosso Hino Nacional é demasiado bélico para o meu gosto pacifista, embora entenda que o contexto histórico em que foi criado, a reacção contra o humilhante Ultimato inglês, justifica essa tonalidade. Porém, quando oiço A Marselhesa, o nosso Hino parece-me uma canção de infantário… Afinal, é igualmente uma questão de contexto.

A canção patriótica A Marselhesa foi composta por Claude Joseph Rouget de Lisle, na cidade de Estrasburgo, em Abril de 1792, com a finalidade de ser o hino do Exército no Reno, precisamente quando os franceses tentavam desesperadamente defender a sua Revolução contra a invasão das forças prussianas e austríacas. Foi a 30 de Julho de 1792, cumpre-se hoje mesmo mais uma efeméride, que foi ouvida pela primeira vez em Paris, cantada por um exército de voluntários vindos de Marselha, no Sul da França, os quais a tinham adoptado como marcha militar. Em 1796, foi oficializada como o primeiro hino francês, embora Napoleão a suprimisse, mais tarde, por considerar a sua letra como perigosa… Após outros incidentes, voltaria a ser definitivamente adoptada em 1879.

A popularidade de A Marselhesa é hoje inquestionável e de ressonâncias mundiais. Os Beatles, na sua imortal canção All You Need is Love, homenagearam o hino francês, comparado com o qual A Portuguesa é pacífica peça de um cancioneiro infanto-juvenil…