Mais uma garfada numa vida de formiga…

manuel

O mundo abala, dia a dia, com o silêncio daqueles que no seu silêncio figuram as imagens de mortos, refugiados, sem abrigo, gente da nossa gente que, sem esperança e sem voz, fazem o que podem para sobreviver. A condição humana, a cada dia que passa, é crescentemente posta em causa das formas mais violentas, mais desumanas.

O cidadão europeu, comum, é confrontado dia a dia com esta realidade “longínqua”, famílias, idosos, crianças, adultos, no seu desespero. O longe acabou, esta realidade não é Africana, Asiática, esta realidade é Europeia, e está a bater-nos à porta. A solução tem de ser aplicada pelo continente Europeu.

Esta situação tem sido abordada pelos mais variados líderes europeus e nacionais. Num comportamento absolutamente vergonhoso, esses falam, falam, falam, vemo-los a arranjar uma solução? A resposta é não!

A extrema direita, em ascensão, fala-nos de uma praga que tem de ser expulsa do continente, um grupo de sanguessugas. A União Europeia nem fala, nada diz, numa apatia e passividade assustadoras. Um prémio Nobel da Paz não pode ficar indiferente a uma situação destas! Em Portugal temos o nosso primeiro ministro IMG_2242imbuído da demagogia que tanto critica. Em época eleitoral, nada melhor que aproveitar para dizer: – Eu disse que temos de fazer melhor e Portugal também.

Parabéns, Dr. Passos Coelho, penso que qualquer ignorante já tinha chegado a essa conclusão.

Eu, enquanto cidadão português e europeu, sinto-me revoltado, porque este tipo de discurso não faz a diferença, o que faz a diferença são as acções, são medidas e propostas concretas, e isso eu não oiço, só ignorância, demagogia e apatia. Isto é inaceitável, estamos a falar de vidas humanas, estamos a falar de gente da nossa gente. Basta de inacção!

Outra situação é o tipo de acção que se aplica, o que se está a fazer é adiar o confronto com o problema originário deste caso. Estas pessoas não decidiram vir para a Europa porque lhes apeteceu, não! Estas pessoas vieram porque nos seus países vivem situações de pobreza, guerra, epidemias, esses são os grandes problemas, esses é que temos de resolver. Esqueçamos dívidas, lucros, receitas, PIB’S, taxas, impostos, todas esses economias que restringem a nossa acção. Estamos a falar de vidas humanas. De jovens como eu, de crianças como muitas que temos em casa ou ao nosso lado, estamos a falar de seres humanos. Se a nossa raça chegou aqui foi porque uniu a sua inteligência ao seu espírito colectivo. Falta isso nos dias de hoje. A ganância e o egocentrismo tomaram o ser humano e regem a sua ação. Ajamos com compaixão, com solidariedade.

Vivemos uma vida de movimentos pendulares, de rotina, de  stress, de turbilhão, uma vida sem vida para viver. Podemos assemelhá-la a uma vida de formiga, viver para trabalhar, trabalhar para sobreviver, viver para sobreviver, mas isso não nos retira o dever de agir nesta situação; quem nos governa não age, então temos nós, os indignados com esta situação, de agir! Da próxima vez que estiver a tomar a sua refeição e no noticiário aparecer uma notícia desta atrocidade não deixe passar, não dê a garfada seguinte da mesma maneira, reflicta, aja, porque este texto que eu escrevo pode não fazer a diferença, mas se todos escrevermos textos, falarmos, agirmos, o mundo muda, o mundo ouve!

A bola está do nosso lado, quem nos governa representa-nos, mas isso não nos retira o direito de ter uma voz activa, crítica deste caso.

 Manuel Azevedo Coutinho

2 thoughts on “Mais uma garfada numa vida de formiga…

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