A VOZ DOS EGRÉGIOS AVÓS – nove

A VOZ DOS EGRÉGIOS AVÓS

O tema de hoje, ainda que vindo do tempo dos nossos egrégios avós, merece uma bolinha vermelha ao canto superior direito do ecrã. Ou talvez não.

Em 1929, pouco antes de José Régio ter chegado a Portalegre para dar aulas no Liceu onde ficou para cima de trinta anos, o beijo era assunto mais ou menos tabu, perfeitamente controlado pelas autoridades policiais, que em absoluto o reprimiam com o mesmo zelo com que proibiam o uso público do isqueiro.

O beijo é o toque dos lábios de alguém noutra pessoa ou num objecto. Beija-se uma fotografia, o manto de uma estátua religiosa, uma flor. Quando o beijo se troca entre pessoas, a escala vai do afecto de mãe ao desejo sexual, numa panóplia muito diversificada e complexa.

O beijo mais famoso da história é, provavelmente, o que a revista norte-americana Life divulgou pelo mundo fora e que ainda hoje mantém o seu simbolismo. Aconteceu quando um marinheiro, num súbito impulso, beijou uma desconhecida enfermeira, em Times Square, Nova Iorque, em espontânea comemoração do previsível final da II Guerra Mundial. Foi em 14 de Agosto de 1945 e o fotógrafo, Alfred Eisenstaed, estava lá…

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Este ícone do nosso tempo tornou-se depois quase viral, como agora se diz, ao ponto de em San Diego, na Califórnia, ter sido erigido um enorme monumento àquele histórico beijo. 1250549510668_f

Com todo este floreado quase ia cometendo a injustiça de omitir a referência a uma outra imagem, quase um clássico, precisamente O Beijo, escultura realista em mármore, da autoria do artista francês Auguste Rodin (1840-1917), criada em 1888/89.

Mas estou a desviar-me do essencial, que é a capa e o “dossier” sobre o beijo, publicados no número 40, II série, do semanário O Notícias Ilustrado, em 17 de Março de 1929.

O material aqui apresentado sobre o tema não é assim tão romântico. Basta verificar que, sobre o beijo no cinema, é referida uma campanha então em marcha, nos Estados Unidos da América, contra tal prática. Mesmo nas fitas, o fim do beijo era assente não propriamente em motivações morais mas em razões higiénicas. É que alguns médicos afirmavam que o beijo -estou a citar!- colaborava na destruição da raça, sendo veículo transmissor de várias doenças e graves afecções. Nem o diácono Remédios diria melhor!

Aliás, noutra secção da revista onde constam depoimentos de ilustres clínicos (incluindo um médico veterinário!), podemos ficar sabendo no concreto a relação dessas doenças transmitidas pelo beijo: tuberculose, sífilis, difteria, peste pneumónica e lepra. Que venha o diabo e escolha…

Depois disto, quase nem me apetece recomendar a consulta da crónica de Feliciano Santos, romântica q.b., sobre Beijos, Beijinhos e Beijocas, subdivididos em 3 categorias e diversas subdivisões.

Basta de comentários, eis o corpo de delito.

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