mil novecentos e sessenta e um – dia 029

196129 JANEIRO

Enfim, um Domingo sem grandes novidades no que diz respeito ao paquete Santa Maria. Dizem as últimas notícias que as negociações decorrem no maior segredo, e confesso que não percebo se isso é bom ou mau. O governo brasileiro já afirmou que confiscará o navio e o devolverá aos seus proprietários. Valha-nos isso.
A Voz Portalegrense escreve na primeira página que Salazar alcançou no caso do Santa Maria uma clara vitória diplomática. Li e confesso que não percebi muito bem onde está a vitória. Sinceramente, nem sequer me parece um empate…
Entretanto, já chegaram a Portugal os tripulantes soltos, muito abatidos e desmoralizados. Isto tudo é uma tristeza.

As relíquias de Nun’Álvares, segundo dizem os jornais, começaram hoje a percorrer todas as províncias de Portugal. Deve ser para levantar a moral do povo que está em baixo.

Cá pela terra, os jornais falam no progresso da cidade, de novas casas de habitação, do fim do “Piolho”, uns velhos casebres ali para os lados do Calvário e do Mercado Municipal, de ruas calcetadas, dos autocarros e, agora, da Tapada de D. Fernando que vai ser urbanizada. Também, ao que parece, talvez o Batalhão de Caçadores 1 se mantenha por cá… Oxalá! O Centro de Assistência Social, ali na rua de Santo André, vai reabrir porque esteve fechado por dificuldades financeiras, pelos vistos já resolvidas. Ainda bem.
No Largo dos Correios foi estreada a nova iluminação pública, com luzes fluorescentes. Ficou muito bonito o efeito. À noite, é claro.

Hoje foi a anual Feira dos Porcos, com sua “lecença”, como se diz por cá. É uma tradição muito antiga, com todo o folclore do costume, onde se vende de tudo e mais alguma coisa, para além do gado suíno que lhe deu o nome. Dá movimento à cidade e vem muita gente das freguesias.

Só mais um assunto que julgo interessante aqui falar. Trata-se dos números do Instituto Nacional de Estatística relativos a 1959. Quantos somos? Nesse ano, houve 213.062 nascimentos, 97.754 óbitos e 75.868 casamentos. Há números e mais números mas em nenhum lado explica quantos somos ao todo. Apenas diz numa frase que os serviços calculam que a população do Continente e Ilhas Adjacentes deveria computar-se em 9.413.219 habitantes ao findar o ano de 1939. Ora bolas, isto foi há mais de vinte anos! Então nunca mais fizeram um recenseamento ou lá como é que isso se chama?
Ainda não somos dez milhões? Gostava mesmo de saber.

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