Os Textículos Sacânicos

Os Textículos Sacânicos, romance de Salman Henrique Rushdie Raposo

Esta obra, cujo título original é Alentejo prometido, foi publicada em princípios de 2016 e provocou grande polémica no mundo alentejano.

alentejo prometidoFoi criticada não só a sua linguagem violenta e obscena, como também a utilização de figuras, imagens, instituições e memórias, ligadas à fantasia ficcionada, sem qualquer representação da realidade.

Para os alentejanos, a obra contém referências que ofendem a sua ancestral  naturalidade e as suas tradições, bem como os seus autênticos usos e costumes. Em consequência da publicação do livro, foi emitida uma fatwa (decreto de honra), pelos Alentejanos Anónimos condenando não só o escritor a uma valente coça, de caixão à cova, como também todos os envolvidos na publicação e divulgação do volume, nomeadamente a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O livro será banido de todas as livrarias e bibliotecas das províncias alentejanas e todas as suas cópias colocadas à venda serão apreendidas e queimadas, em rituais autos-de-fé, por comunidades de naturais indignados.

O livro, no entanto, é considerado um sério candidato ao Prémio Ignobel.

 ***

Por mim, alentejano confesso, ficar-me-ia por aqui, na paródia atrás.

Acho que nem a obra nem o seu autor merecem mais. Aliás, depois de ter lido Alentejo prometido, a única falha que lhe encontrei foi o severo e grave esquecimento do ficcionista, ao ter omitido o devido e urgente aviso prévio: Este livro deve ser lido como uma obra de ficção científica, pelo que toda e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Se a criatura quis -por acaso ou azar- descrever o Alentejo real, então o desvio foi de cento e oitenta graus, isto é, baralhou-se de alto a baixo. O fulano confessa que pouco passou do litoral e que se serve de testemunhos de alheia memória. As mulheres, o suicídio e o complexo dos desenraizados, temas que alguém pretendeu destacar dos restantes e envolventes lugares-comuns, constituem um confuso e contraditório amontoado de preconceitos que qualquer genuíno alentejano desmonta com pasmosa facilidade. O pretensiosismo marialva do texto é bacoco e a leitura dos agradecimentos basta para se entender a vacuidade do que antecede o capítulo terminal.

Enfim, o Alentejo pode ter sido prometido mas este, o do presente volume, não passou mesmo da mais vã e oca promessa.

Acho que o mais indicado para o senhor Raposo prosseguir o seu projecto de vida será redigir uma crónica sobre a Patagónia. Pode ser que melhor se safe e que os patagões sejam mais tolerantes, ou estúpidos, que os alentejanos.

Um livro de reportagens sobre a Coreia do Norte talvez também não fosse má ideia. E até poderia ter nisto alguma orientação da parte do José Luís Peixoto.

Por acaso um alentejano, mas do Alentejo real. Não do prometido.

 António Martinó de Azevedo Coutinho

PS – É completamente absurdo que a prevista apresentação pública do livro, na terça-feira 8, seja rodeada de rigorosas medidas de segurança como as anunciadas na imprensa. Creio que apenas o autor pode beneficiar desta absurda e ridícula encenação. E a sua miseranda obra não o justifica. O desprezo, o mais absoluto desprezo, é o que merece dos alentejanos.
O senhor Raposo que se entretenha aprendendo a distinguir um chaparro duma azinheira, ensinamento para si certamente proveitoso. Que descanse depois em paz e vá chatear outros. Por exemplo, os norte-coreanos, repito.

alente

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