mil novecentos e sessenta e um – dia 243

1961243 QUINTA 31

O Paulo Mota era dos Fortios e apenas um pouco mais velho do que eu. Esteve no Asilo de Santo António alguns anos e lembro-me bem de o encontrar muitas vezes na Casa da Mocidade e nos desafios de futebol da malta nova. Depois saiu da cidade e ficou na tropa, onde já era 2.º sargento. Pertencia a um Regimento de Cavalaria em Elvas e foi mobilizado para a guerra em Angola. Estava lá há cerca de um mês e picos, quando foi ferido a tiro numa emboscada. Levaram-no para Luanda, onde acabou por morrer no hospital. Deixa viúva e uma filhita com dois anos… Que merda de vida!!!

A lista do jornal de ontem publicou, entre outros, o seu nome. Mas o Paulo era gente. Sinceramente, não quero ser mal interpretado, mas prefiro um cidadão vulgar vivo a um herói morto.

Ao Ricardo, de Alegrete, juntou-se agora o Paulo, dos Fortios. Qual será o próximo portalegrense a figurar nesta terrível lista? Não acrescento mais nada. Quero é esquecer e depressa…

Concluindo a leitura atrasada da Rabeca, também lá se fala de soldados. Mas são soldados da paz, dos que salvam e não dos que matam vidas, os bombeiros. E os bombeiros de Portalegre têm fama entre os melhores. Houve o seu Dia, onde participaram os voluntários e também os privativos da Robinson, com o habitual desfile e toque de clarins, romagem ao cemitério, continência e flores no monumento aos Mortos da Grande Guerra, ao Rossio, e depois missa e confraternização. Diz o jornal que aí falou o Chico Queirós, meu colega e amigo. Achei bem, já que o pai dele é um autêntico símbolo dos bombeiros, pois ainda há pouco veloz e corajosamente conduzia os carros de combate ao fogo, o autotanque ou a ambulância, sempre ao serviço dos outros, de todos nós.

Quanto a notícias colhidas no Diário de Lisboa que costumo ler todos os dias, a que chega do Brasil é ainda inquietante, porque enquanto o Congresso Federal decidiu respeitar a Constituição e a investidura do vice-presidente João Goulart, os poderosos ministros militares continuam a opor-se a esta solução da crise política. Como vai acabar este braço de ferro?

Continua a nada haver de novidades sobre o caso de Berlim. Não sei como interpretar este silêncio, se será bom ou mau sinal…

Combate de quatro horas entre soldados brancos e um grupo numeroso de assaltantes ao norte do Caxito – este é o título de primeira página do jornal sobre Angola.  A notícia explicita um combate de quatro horas que terminou com a fuga dos terroristas. De resto, houve outros incidentes em diversos lugares da província. Nomeadamente em Carmona, aconteceram os habituais ataques e contra-ataques relacionados com fazendas e café.

Infelizmente, e não gosto nada de falar nisto, lá vem a lista, mais uma, dos mortos em combate.

Outro combate de que fala o jornal é o que se trava contra os fogos, o tal, o dos bombeiros. Só nas serranias de Bragança, os prejuízos foram de milhares de contos.

A propósito de dinheiro, está quase a começar o Totobola e o DL diz que com 3 escudos podem ganhar-se 1.000 contos. Estou cheio de curiosidade…

Última notícia: o Sporting tornou-se ontem à noite campeão nacional de handebol de 7, ao vencer o Benfica na final por 17-12.

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