Os Robinson, uma família inglesa

30 1896

?????????????????????????????????????????????????????????

Acreditando na autenticidade da efeméride que A Rabeca de 30 de Agosto de 1961 publicou, devemos saudar a data de hoje como marcante para a História de Portalegre.30 rob

Há precisamente 120 anos, hoje mesmo cumpridos, foi constituída em Londres a empresa que projectaria pelo mundo o nome de Portalegre e a qualidade da sua produção industrial. Serviço inestimável de um homem, de uma família inglesa, a Robinson Brothers tornou-se notabilíssima designação que apenas uma certa incompetência colectiva diluiria, pouco a pouco, em sucessivas décadas posteriores.

Tal lembrança tornou-se crítica nestes últimos anos, quando uma manifesta e desleixada impotência, esta personalizada, deixou perder uma oportunidade, excepcional e talvez irrepetível, de perpetuar dignamente a memória dos Robinson.

O arriscado futuro (!?) de uma Fundação em que foram depositadas legítimas esperanças põe em causa uma das suas principais finalidades, a de transformar todo o espaço e o “arqueológico” espólio da Fábrica Robinson numa moderna organização museológica. Portalegre arrisca-se a perder, sem remédio, um invulgar instrumento de valorização e progresso, peça talvez decisiva na recuperação e na afirmação pelas quais a comunidade anseia.

São louváveis todos os esforços que estão em marcha no sentido de “ressuscitar” o projecto. Oxalá estes encontrem um eco oficial susceptível de tornar o sonho em realidade, invertendo o presente e acelerado percurso para o pesadelo.

30 mm2 30 mm3a 30 mm5

Os Robinson, membros de uma família inglesa que o coração e o afecto30 rob1 naturalizaram portalegrenses, merecem um monumento à altura daquilo que fizeram pela capital do Norte Alentejano.

Todos os de boa vontade, todos os que respeitamos a memória dos nossos maiores, teremos de lutar para que Robinson continue a ser um nome de primeira grandeza na História de Portalegre.

Nestes 120 anos da constituição da Robinson Brothers devemos reafirmar o público reconhecimento por quem tão intensamente amou Portalegre e por ela lutou como se fosse seu filho.

António Martinó de Azevedo Coutinho

mil novecentos e sessenta e um – dia 241

1961241 TERÇA 29

Hoje escrevo à pressa. É pelo início da noite, depois do jantar, que normalmente dou aqui conta do balanço do dia. Mas hoje vamos ter uma saída nocturna, pois iremos em marcha livre até à foz do Lisandro com capacete, arma e outros equipamentos de combate. Vai ser duro e chegaremos tarde pelo que estas linhas vão mais apressadas do que é costume.

O dia nada teve de especial. Recapitulando os jornais da terra, faço rápida menção a um artigo da última Rabeca sobre as motorizadas intitulado Cautela, srs. Velocipedistas! Acho que só o título diz quase tudo e tenho notado que cada vez há mais referências ao trânsito, que tem crescido imenso e vai causando problemas em série. Este oportuno artigo dá conta dos incómodos e desastres que os imprevidentes condutores das motorizadas vão provocando.

Deve realçar-se a circunstância de os próprios jornais diários nacionais terem vindo a dedicar bastante atenção aos acidentes de trânsito cujas consequências em prejuízos materiais e em perdas humanas, feridos e mortos, assumem uma crescente dimensão e importância.

O Diário de Lisboa de hoje tem um título dramático relativo à crise presidencial brasileira: Goulart chegará ao Brasil dentro das próximas 48 horas para exercer o Governo ou morrer. Ao que isto chegou! Espero, apesar de tudo, que as coisas se resolvam sem violência. Nem quero pensar numa guerra civil…

De Angola chega a notícia de que decorrem activamente as operações militares destinadas a dominar e a eliminar os assaltantes do Norte. É na zona da Pedra Verde, reduto terrorista, que a intervenção das nossas tropas se exerce prioritariamente.

Por Berlim, a situação mantém-se num perigoso impasse, registando-se alguns incidentes junto à linha de fronteira.

Fico hoje por aqui, pelo motivo atrás exposto. Logo, quando regressar, já não terei paciência para escrever no diário…

Até amanhã.