mil novecentos e sessenta e um – dia 304

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É soturno o ambiente que vivemos aqui no convento. A falta dos nossos companheiros de desdita é notória e sente-se a cada momento, respira-se na mínima oportunidade, incomoda-nos a todo e qualquer pretexto. Provavelmente, é agora mais dura esta ausência na exacta medida em que todos acreditávamos que a situação militar em Angola estava controlada e que tudo por lá, embora devagar, iria normalizar-se. Mas lemos este facto como uma espécie de desmentido de tal expectativa. Afinal a guerra é para continuar e a nossa vez, a fatídica vez de cada um dos que ainda por aqui restamos, vai chegar.

Por outro lado, o ambiente de desconfiança criado pelas eleições, com as notícias que a gente vai sabendo sobre a Oposição e as suas críticas, também não ajuda a acreditar piamente nas palavras e nas promessas do Governo. Enfim, andamos desorientados.

Para desanuviar um pouco, vou pegar na Rabeca que ontem chegou e que me causou, como já disse, alguma estranheza.

A primeira página não se esgota naqueles dois artigos que já comentei, pois traz ainda a secção Retalhos, com a citação de um texto do Diário de Lisboa denominado A lição da Turquia, precisamente sobre as recentes eleições neste país. E também publica dois dos Direitos do Homem, sobre a Liberdade e sobre o respeito devido às opiniões de cada um. Também se interroga sobre o que é a Verdade. Enfim, é muita coisa junta, fora do habitual… Entende-se o que quero dizer?304-desenho

Bem, também vêm no jornal os textos do costume, sobre a terra e as pessoas, como por exemplo a homenagem ao professor Luís Costa, da Escola Industrial e Comercial. Por acaso traz uma magnífica caricatura deste assinada pelo pintor Manuel d’Assunção, filho do fotógrafo Rosiel, que foi meu colega na tal Exposição dos Novos Artistas, em 1947, de que já aqui falei. Vou recortar o desenho e colá-lo ao lado.

O Desportivo tornou a ganhar ao Estrela, desta vez por 4-1. A minha equipa portalegrense preferida começa bem a época!

O restaurante Amaia, ao fundo da Rua dos Canastreiros, é destacado, assim com a nova classe particular de ginástica pelo professor Eurico Fonseca, bem como um pedido à Setubalense para colocar um abrigo para os passageiros das camionetas ao fundo da Rua de Elvas.

E com estas ligeiras notas concluo a leitura da Rabeca. Para amanhã, feriado nacional, já tenho a Voz Portalegrense do dia 28 que chegou hoje.

O Diário de Lisboa destaca a notícia sobre os candidatos oposicionistas do Porto que expuseram à Imprensa os seus anseios de liberdade. Outra vez a liberdade. Nunca li tanto sobre isto e dá que pensar…

Os comunicados de ambos os lados ocupam muito espaço, páginas e páginas inteiras, no jornal.

O Exército colabora na recuperação económica da província de Angola, conforme transcrição que o DL faz de um seu colega angolano. Mas vem uma notícia preocupante: a morte de um soldado, precisamente em Angola. A comunicação não diz quando nem porquê, mas há semanas que nada disto acontecia…

A Junta de Energia Nuclear acalma a opinião pública garantindo que as recentes explosões nucleares não são motivo para alarme em Portugal. Valha-nos isso!

Amanhã dá para ficar um pouco mais de tempo na cama, porque não há instrução nem toque de alvorada.

Dâmaso Afonso – Troféu Honra do Amadora BD 2016

O maior festival nacional de quadradinhos, o Amadora BD, instituiu como seu31-da-1-foto prémio máximo o Troféu  Honra. Segundo o respectivo Regulamento, destina-se a galardoar anualmente uma entidade ou personalidade que, pelo seu trabalho e dedicação, se tenha destacado na área da Banda Desenhada. O prémio é atribuído por deliberação da Câmara Municipal da Amadora, mediante proposta da direcção do Festival e o seu titular apenas é divulgado na cerimónia de entrega de prémios, que se realiza sempre no segundo sábado do evento.

Assim aconteceu em 2016, tendo sido distinguido Dâmaso Afonso.

António José Dâmaso Afonso, alentejano, nasceu em Évora a 11 de Janeiro de 1931. Cursou a Escola Industrial e Comercial Gabriel Pereira, na sua cidade, e começou a carreira profissional como escriturário, convertendo-se mais tarde em desenhador na Direcção de Estradas do Distrito de Lisboa, depois num gabinete de Arquitectura e finalmente na Sorefame.

Entretanto publicou anedotas ilustradas no Sempre Fixe (1951), assim como em O Mundo Ri, assinando aqui também com o pseudónimo “Tony”.

Colaborou no jornal Democracia do Sul (1955) e mais tarde em Itinerário (Boletim da Casa do Pessoal da Junta Autónoma de Estradas), no Boletim Informativo do Clube Sorefame e em D. Quixote, suplemento literário inicialmente do Jornal de Évora e depois do Diário do Sul.

Ilustrou uma história para o jornal da J.O.C. e, para o Exército Português, forneceu muitos desenhos respeitantes a ginástica, atletismo, luta livre, lançamento de granadas, etc., destinados a ilustrar livros dos cursos de sargentos e oficiais, a partir de 1959.

É coordenador e redactor do suplemento e rubrica ocasionais sobre BD no Diário do Sul, com a epígrafe O Cuco, desde 1994.

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Foi recentemente eleito presidente da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, associação que há muito acompanha de perto. Costuma elaborar os cartazes anunciadores dos frequentes eventos culturais do Clube.

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Tenho por Dâmaso Afonso amizade e admiração. O relacionamento com a personalidade tranquila e segura que ele sempre representou é fácil, genuíno e permanente. Fico feliz pela justeza do galardão com profundo significado que lhe foi atribuído, como reconhecimento de uma carreira em que os quadradinhos encontraram, e encontram, um fidelíssimo e persistente cultor.

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Congratulo-me pelo prémio com que o Amadora BD em boa hora decidiu distinguir Dâmaso Afonso, a quem envio um forte e sincero abraço de parabéns, de alentejano para alentejano.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Hoje é o Dia Mundial das Cidades

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Mensagem do Secretário Geral da ONU para o Dia Mundial das Cidades

Com a decisão da Assembleia-Geral da Nações Unidas de estabelecer o Dia Mundial das Cidades, agora dispomos de uma data anual para celebrar uma das mais complexas e mais grandiosas criações da humanidade.

Este novo dia é um dos legados da Expo 2010 de Xangai, na qual a comunidade internacional explorou as melhores práticas urbanas e conceitos de todo o mundo. Dessa forma é adequado que Xangai seja a cidade anfitriã do principal evento de inauguração desta nova celebração da ONU.

O tema deste Dia Mundial das Cidades – “Liderando as Transformações Urbanas” – sublinha o poder pioneiro das cidades. Num mundo onde metade da população mundial já vive em áreas urbanas, o futuro da humanidade é claramente um futuro urbano. Temos de utilizar uma urbanização adequada, o que significa reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, reforçar a resiliência, garantir os serviços básicos como os de água e saneamento e ainda desenhar ruas públicas seguras e espaços que possam ser partilhados por todos. Cidades mais habitáveis são não só cruciais para os habitantes destas mas também para oferecer algumas soluções para alguns aspectos chave do desenvolvimento sustentável.

Hoje é também uma oportunidade para reconhecer as contribuições dos presidentes de Câmara e outros líderes. Transformações urbanas requerem vontade política e  a capacidade de coordenar muitos actores e partes interessadas. Os presidentes de Câmara dão voz aos cidadãos e desempenham um papel central na construção de cidades bem planeadas, tornando-as motores de prosperidade, inovação e inclusividade.

Em 2016, a comunidade internacional irá reunir-se para a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III). Enquanto reflectimos sobre o nosso futuro urbano, vamos aproveitar todas as oportunidades que as cidades oferecem para criar uma nova agenda urbana transformativa.

Ban Ki-moon

John John Supertubos Florence

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Aos 24 anos John John Florence tornou-se campeão mundial
na praia dos Supertubos, em Peniche.
É a primeira vez que o título mundial de surf é conquistado
numa etapa portuguesa.

John John Florence conseguiu o que não julgava possível: sagrar-se campeão mundial em Peniche, antes da última etapa do circuito – que por sinal será no Havai, em Dezembro.

Por isso, o regresso de John John a ‘casa’ já será  como campeão do mundo de surf, o que permite ao havaiano usufruir da etapa – que confessou ser a sua favorita – sem qualquer pressão.

Voltando ao areal dos Supertubos, Florence, que venceu o MEO Rip Curl Pro Portugal, abriu o champanhe ainda antes do embate com Conner Coffin, na grande final. Tudo porque beneficiou da eliminação do sul-africano Jordy Smith nas meias-finais da etapa portuguesa do circuito mundial.

Contra Conner, o espectáculo estava garantido: velocidade e aéreos com pontuações a rondar os 10 pontos  (máximo possível) e a festa de Florence ficou fechada  em Peniche.

John John Florence conquistou o primeiro título mundial da sua carreira e é o sucessor do surfista brasileiro Adriano de Souza.

A história do surf passou a contar agora com mais um havaiano, o quarto, a conquistar o título mundial, depois de Derek Ho (1993), Sunny Garcia (2000) e o tricampeão Andy Irons (2002, 2003, 2004), que morreu em 2010 vítima de ataque cardíaco.

‘Desde pequeno que sonho com isto’

Emocionado e «chocado», Florence saiu da água com uma certeza: tinha conseguido o título com o qual sonhou «desde pequeno, quando via Kelly e Andy» – apesar de nunca ter pensado que o conseguiria em águas lusas. «Ainda nem acredito, pois pensava que ia decidir isto no Havai, mas acabou por ser uma surpresa e conquistar o título aqui  é maravilhoso», confidenciou Florence, quase incrédulo por ser considerado o ‘melhor surfista do mundo’.

Um ídolo na ‘bancada’

Kelly Slater, onze vezes campeão do mundo, tomou uma opção que não é frequente em si: permaneceu em Portugal, até ao fim da competição, para assistir à coroação de John John. No fim, partilhou uma fotografia nas redes sociais com o havaiano, felicitando-o pelo «feito inevitável». Mais uma surpresa para Florence, que não sabia da presença do ‘ídolo’ de infância. «É fantástico ter o apoio do Kelly Slater,  ele tem sido o melhor surfista do mundo desde que eu nasci, tê-lo aqui e receber os elogios dele foi muito bom», disse o rei do surf, que segue para a sua onda preferida com a consciência de que o mais difícil depois de chegar ao topo é «aguentar lá».

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 Laura Ramires
29/10/2016 Jornal i

Filipe Palmeiro, um campeão portalegrense do TT

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A 30.ª edição da Baja Portalegre vai ficar para a história da prova e da modalidade. Ricardo Porém conseguiu a terceira vitória consecutiva, feito único na mítica alentejana. A juntar a esta marca Nuno Matos e Filipe Serra, ambos de Portalegre, sagraram-se campeões nacionais de TT após um intenso duelo com João Ramos/Vítor Jesus.
Sem pensar em campeonatos, Ricardo Porém apresentou-se na cidade do Alto Alentejo com um único objectivo. O piloto de Leiria, acompanhado pelo co-piloto portalegrense Filipe Palmeiro, procurava a vitória na prova e demonstrou-o desde o início. Depois de obter o mesmo tempo que Miguel Barbosa no prólogo, venceu SS2 e acabou o primeiro dia na frente da competição. Na manhã de hoje voltou a ser o mais rápido. A margem conquistada permitiu-lhe gerir durante a tarde para voltar a subir ao lugar mais alto do pódio, com quase 4m52s de vantagem sobre Xavier Pons.30-2-10
É fantástico. Estou muito muito feliz. Não tenho palavras. 30.ª edição, a minha terceira vitoria consecutiva. Já fiz história nesta prova. Quero dar os parabéns ao público maravilhoso, à organização fantástica e a todos os meus adversários que deram muita luta. Este carro não tem asas mas nós, às vezes, fazemos para que tenha”, afirmou Porém.
Com a questão da vitória na 30.ª Baja Portalegre 500 resolvida, as atenções 30-poremviraram-se para o duelo entre Nuno Matos e João Ramos. Quem ficasse à frente sagrava-se campeão nacional. Para qualquer um seria um feito inédito. O portuense superou o rival alentejano durante o dia de ontem mas a história nesta última etapa foi diferente. Matos recuperou tempo em SS3 e à tarde bateu o adversário para conquistar o título.
Foi um final dramático. Ramos perdeu tempo a partir de meio de SS4, sem direcção assistida na Hilux. A isso somou-se um furo já quase no final. Nuno Matos também não esteve imune a problemas e fez a ligação até ao parque fechado com um furo no Opel Mokka Proto. Assegurado o campeonato, Matos não escondeu a felicidade.
30-porem_ganha575Foi fantástico! Foi um sonho concretizado numa prova espectacular. O título discutido ao segundo. Ganhar em Portalegre, na minha 20.ª participação, no meu décimo campeonato e na última prova é inexplicável. Quero dar os parabéns ao João. Se o campeonato lhe fosse entregue também não estaria mal porque o campeonato foi fantástico. Foi uma época fabulosa. O Miguel Barbosa também foi um grande adversário. Formámos um trio extremamente competitivo”, sublinhou Nuno Matos que completou o pódio absoluto.
No T2, a vitória foi para Adel Abdulla, em Nissan Patrol. No evento nacional, Tiago Reis ganhou com o Toyota RAV4, enquanto Pedro Dias da Silva, que foi segundo, ganhou no Desafio Mazda.

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Filipe Palmeiro nasceu em Portalegre no ano de 1977, ali estudou e reside,  começando no Todo-o-Terreno em 2000, naquela altura “ao volante”. Internacionalizou-se e ganhou prestígio como competente navegador, ou co-piloto, com muitas vitórias no seu currículo.30-filipe-palmeiro
Para além do Dakar e outras, entre essas duras provas internacionais, as que mais lhe agradam são as dos sertões, pelo ambiente e pelo povo brasileiro, que acolhe os desportistas do motor com um entusiasmo que é difícil esquecer.
Das provas nacionais a Baja Portalegre, por ser a prova da sua terra e por reconhecer que ela consegue em poucos quilómetros apresentar um percurso muito variado com excelentes condições e um público maravilhoso, é a sua predilecta.
Filipe Palmeiro é também um apaixonado pela fotografia, nunca esquecendo uma máquina na mochila quando frequentemente viaja.
Com Ricardo Porém ao volante, a dupla conseguiu uma vitória na Baja 500 Portalegre.
Este significativo e justo triunfo, sobretudo por ser nas suas terra e região, ganha para o co-piloto uma diferente e  mais afectiva dimensão.
Parabéns, Filipe Palmeiro, e aqui ficam os votos de muitas mais e valiosas vitórias, para seu prestígio e para afirmação das gentes da nossa cidade comum.

António Martinó de Azevedo Coutinho