mil novecentos e sessenta e um – dia 303

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A semana não começou da melhor maneira. Fomos surpreendidos pela falta, no refeitório, de mais dois dos nossos camaradas habituais. Contaram-nos os que ficaram no quartel durante  o fim de semana que o Álvaro e o Luís Filipe foram convocados por uma mensagem urgente para se apresentarem nesta segunda-feira em Lamego, nos Caçadores Especiais, uma espécie de guia de marcha para a guerra em África. Enfim, quando agora íamos ficando mais tranquilos quanto a esta ameaça, tudo se desmorona outra vez. Sinceramente, ficámos todos sobressaltados.

Quando vai acabar este pesadelo?

Bem, tentemos regressar à normalidade possível. Por exemplo, chegou hoje a Rabeca do dia 25. Sem grande paciência, fazendo das tripas coração, cá vai o comentário possível às notícias de Portalegre e afins.

Os dois grandes títulos da primeira página são estranhos: Os grandes amigos da morte e Homenagem aos que pensam, exteriorizam e difundem as suas locubrações.

O primeiro, assinado L.P.P.S. (não faço ideia de quem seja!), muito filosófico, trata da carências como a fome, e do abusos como o alcoolismo. Defende o equilíbrio e confesso que não percebi bem onde o autor quer chegar…

O segundo artigo é assinado pelo coronel Jorge Velez Caroço, cidadão oposicionista muito respeitado na cidade. Fala de individualidades superiores, que contribuem para o progresso dos seus conterrâneos e para o progresso intelectual e moral da sociedade. Depois, apresenta uma longa lista de seus contemporâneos que considera dignos de louvor. Termina com um Viva a República e um Viva a Portugal. É evidentemente um artigo político inserido no espírito da Oposição.

Sinceramente, acho isto algo estranho, até porque procurei por todo jornal e não encontrei em lado nenhum aquela habitual nota Visado pela Censura. Que se teria passado?

Passo ao Diário de Lisboa que traz bem à vista, no canto inferior direito a nota habitual: Visado pela Censura. Diz logo a abrir que a campanha eleitoral se mantém na expectativa da atitude a definir pelos candidatos da Oposição.

Há negociações muito amplas para solucionar o litígio franco-argelino e explodiu uma superbomba nuclear russa. Foi um ensaio na região do Árctico e tem provocado muitas reacções de protesto.

Parece que foram mais de trezentos os concorrentes ao Totobola que acertaram nos 13 resultados. Eu, quando experimento, nem sequer em metade acerto. Não percebo mesmo nada de futebol.

Aliás, parece-me que cada vez percebo menos seja do que for. Por exemplo, não percebo nada do que estou a fazer aqui em Mafra, armado em militar…

Até amanhã.

Miguel Branco em Paris

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O artista português Miguel Branco esteve recentemente representado na Feira Internacional de Arte Contemporânea (FIAC), em Paris, na passada semana, e vai ter duas exposições na capital francesa a partir de 8 de Novembro próximo.

Desde a passada quinta-feira, 20 de Outubro, e até domingo, 23, na FIAC, no Grand Palais, a galeria Jeanne Bucher Jaeger expôs uma escultura e três pinturas de Miguel Branco, ao lado de obras de Nicolas De Staël, Jean Dubuffet, Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, entre outros nomes marcantes da pintura do século XX.

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O mundo da arte reúne-se em Paris cada ano a pretexto da FIAC, a Feira de arte contemporânea internacional.   Evento imperdível no mundo da arte moderna e contemporânea, a FIAC acolhe todos os anos uma selecção de galerias internacionais. A FIAC reúne os mais famosos artistas no Grand Palais: coleccionadores, curadores, profissionais do mundo da arte e amantes da arte contemporânea de todo o mundo estão aguardando ansiosamente o evento de cada  temporada. Os maiores nomes do mercado de arte expõem ao público uma selecção de artistas consagrados e novas descobertas, enquanto que muitas manifestações, por toda Paris, permitem que o público em geral se aproxime mais da arte moderna e contemporânea. Projectos, entrega de prémios, inúmeras exposições e vernissages acompanham o evento no Grand Palais.

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De 8 de Novembro de 2016 a 12 de Fevereiro de 2017, o Musée de la Chasse et de la Nature vai ter patente a exposição «Black Deer – Résonances, Enlèvements, interférences», na qual vai acolher cerca de 40 trabalhos de Miguel Branco, a começar com uma escultura monumental de um veado em bronze, no pátio, e outras obras que vão estar nas salas das colecções permanentes e junto a uma exposição sobre pintura alemã de cenas de caça do século XIX.

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Miguel Branco nasceu em Castelo Branco, em 1963. Estudou Pintura na EBAUL; é professor do Ar.co desde 1989, responsável pelo Departamento de Desenho e Pintura desde 1994. Vive e trabalha em Lisboa.

Expõe individualmente desde 1989. Participou em três importantes exposições internacionais de arte portuguesa: “Portugal Agora, Portuguese Contemporary Art“, Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo, 2007; “Situation Zero, Recent Portuguese Visual Arts“, Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco, EUA, 2001; “Tríptico, Europália 91 – Portugal“, Museum Van Hedendaagse Kunst, Gent, Bélgica, 1991.

Está representado nas seguintes colecções públicas: Ar.Co; Caixa Geral de Depósitos; CAM- Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação Carmona e Costa; Fundação EDP; Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento; Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Museu de Arte Contemporânea, Funchal; Museu de Arte Moderna, Fundação de Serralves.

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Mas o Miguel, ainda que esse seu percurso não figure no sumário currículo oficial que corre no mundo digital, passou por Portalegre e integrou o Atelier de Artes Plásticas que funcionou na Convento de Santa Clara, ao tempo um dinâmico centro cultural da cidade, dirigido pelo prof. Aurélio Bentes Bravo. Fez parte de uma jovem notável geração que em boa parte se veio a impor no mundo das artes plásticas, da fotografia e do multimédia.

Miguel Branco, ainda que nunca tivesse integrado o Centro de Estudos de Banda Desenhada, como muitos dos seus companheiros do Atelier, esteve sempre próximo deste grupo e participou em alguns dos seus boletins. Aqui fica o testemunho da sua arte, já nesses anos 80 inconfundível e personalizada.

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Para o Miguel, com um abraço de admiração e amizade, envio daqui os sinceros parabéns por esta etapa gaulesa da sua consagração pessoal, com os votos de continuação da invulgar carreira que o projectará ainda mais no nosso universo artístico.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Parabéns, campeões!

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Portalegre está de parabéns! Nuno Matos e Filipe Serra sagraram-se campeões nacionais de Todo o Terreno (TT) na 30.ª Baja 500 Portalegre.

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Aos comandos de um Opel Mokka Proto, a dupla portalegrense conquistou hoje o seu primeiro título absoluto.

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Parabéns, campeões!!!

Nota – Uma curiosidade para se perceber mais ou menos como é. Há dois anos, nesta prova…

mil novecentos e sessenta e um – dia 302

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Lousal, Bairros, Canal Caveira (que raio de nome!), Grândola, Alcácer do Sal, Monte Novo, Pinheiro, Águas de Moura, Mourisca, Setúbal, Pinhal Novo, Barreiro… Enfim, há mais uns apeadeiros que não registei, mas foi esta a lista quase interminável das paragens no caminho de ferro que percorri, para depois atravessar o Tejo no cacilheiro até à Estação de Sul e Sueste, ao lado do Terreiro do Paço. Num autocarro da Carris que nunca mais andava tão depressa como era preciso, lá consegui chegar a horas à camioneta da Mafrense que me trouxe ao casarão do convento, já de noite, no regresso ao exílio após um fim de semana maravilhoso. Telefonei logo à Adrilete.

Amanhã recomeça a minha triste sina. Até quando?

Confesso que não tenho muita paciência para dar conta das minhas impressões sobre as notícias do Diário de Lisboa, que comprei nas origens, na capital, e vim a ler na viagem daí até cá.

Os candidatos da Oposição decidiram entregar ao presidente da República um último apelo no sentido de que haja eleições livres e decentes. Eles entendem que tal como as coisas têm decorrido até agora nada lhes garante isso. Depende portanto da resposta do presidente a decisão final da Oposição. Estou mesmo a adivinhar a conclusão desta história!

O ministro do Ultramar partiu hoje de Luanda no seu regresso a Lisboa. Na despedida falou do trabalho de reconstrução e desenvolvimento em curso. Vai levar tempo…

Na França houve explosões em diversas cidades. O ambiente por lá demora a serenar.

Após muito tempo de silêncio, parece que os americanos se preparam para lançar em órbita o seu terceiro astronauta. Vai voltar a corrida ao espaço, porque os russos não ficam parados a ver.

Acho que isto foi o mais importante do jornal. Não é muito, bem sei, mas hoje não tenho paciência para mais.

Vou deitar-me cedo porque estou cansado e farto disto tudo.

Emendo: farto de quase tudo isto!