Nos anos cinquenta, Titã e Flecha…

Prometi há dias uma pequena nota retrospectiva alusiva à dupla de semanários nacionais infanto-juvenis publicados em 1954.

Titã e Flecha surgiram de uma corajosa iniciativa editorial da novel empresa Fomento de Publicações Lda. Esta editora lançaria no nosso mercado revistas de cariz cinematográfico e infanto-juvenil, para além de colecções de gosto popular, como folhetins de temas aventurosos.

Quanto a Titã, de grande formato, e a Flecha, de reduzidas dimensões, foi-lhe difícil competir com os títulos já instalados, sobretudo os prestigiados Mundo de Aventuras e Cavaleiro Andante, apoiados por credenciadas e fortes organizações empresariais, tanto na edição como na distribuição. Por isso, a sua duração foi efémera, o primeiro com 42 números, tendo mudado duas vezes de tamanho, e o segundo com 37.

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Titã, para além de um fresco e inovador aspecto gráfico, teve a preocupação de inserir secções de correios com os leitores, problemas policiais, curiosidades e galerias de fotografias dos amigos e assinantes. Quando se pressentia já o seu fim inevitável, ainda proclamava febrilmente novidades próximas…

Flecha foi uma espécie de “satélite” de Titã. A personalidade combativa de Roussado Pinto, sobretudo, alimentou um combate editorial impossível e o seu corajoso projecto acabou por não vingar. Mas as separatas, os suplementos e sobretudo a qualidade do material publicado ficaram a atestar a validade da iniciativa.

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Autores de prestígio como Jesus Blasco, Frank Hampson, Paul Cuvelier, Macherot, Bob de Moor, George Wunder, Frank Humphries, Steve Dowling ou Albert Weinberg, entre os estrangeiros, assim como José Garcês, Armando Anjos, Vítor Péon, José Ruy ou Fernandes Silva, nacionais e em menor escala, tiveram obra ali publicada, embora alguma ficasse incompleta.

É muito interessante folhear hoje estes exemplares e ali constatar os efeitos práticos da política censória da época, nas “nacionalizações” de nomes e temáticas, nas pequenas notas de cariz patriótico e de respeito pela hierarquia instalada (pais, professores, governantes, autoridades) que faziam parte do “catecismo” do Estado Novo.

Titã e Flecha desapareceram do mercado e há muito, mas nunca se apagarão da memória dos que, nesses tempos já longínquos, leram as suas histórias e fixaram os seus quadradinhos…

António Martinó de Azevedo Coutinho

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