mil novecentos e sessenta e um – dia 306

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Recomeçaram as bélicas rotinas conventuais. É uma bela frase de circunstância que diz tudo sem nada dizer. Parte física, cross, ordem unida e outras inutilidades de manhã, aulas de armamento, táctica, orientação e outras inconveniências de tarde. Prudentemente, é um livro de bolso, camuflado como convém, que agora me acompanha. Os volumes grossos ficam adiados para a vida civil. Aliás, os livros nem sequer se medem aos palmos, tal como as pessoas, pelo que nada perdi com a troca. Hoje sinto-me muito inspirado para a escrita, como se nota. Deve ser pela perspectiva de uns próximos fins de semana diferentes. Espero que nenhuma escala de serviço, inesperada, me estrague os planos…

Passo às rotinas do diário e concluo a Voz Portalegrense anteontem aqui chegada. Para já, hoje veio o Distrito mas esse fica para amanhã.

Quanto à Voz, que praticamente pouco mais tem para comentar, devo registar que traz na última página a habitual nota de ter sido Visada pela Censura. Como costuma ser sempre na primeira página, isto terá sido apenas uma distracção eleitoral?

De resto, é publicado um louvor ao 2.º sargento António Gaspar, natural do Crato, que está agora em Angola, onde as suas qualidades deram nas vistas. Por mim, que o conheci quando fiz a tropa no Batalhão de Caçadores 1, em Portalegre, concordo plenamente porque o 2.º sargento Gaspar foi um tipo de nível, educado e competente. Enfim, uma excepção à regra.

Resta citar um grande artigo a fechar o jornal, intitulado Angola e o futuro da lusitanidade e assinado de Lisboa por J. G. Braz (!?). Nem vale a pena falar do conteúdo, facilmente previsível pelo simples título…

Quanto ao Diário de Lisboa, confesso que fiquei muito admirado porque o relato do desastre de avião no Recife passou para as páginas centrais e desapareceu dos títulos importantes… Apenas adianta um balanço de vítimas mais actualizado: 28 sobreviventes e 48 mortos.

O Programa para a Democratização da República divulgado pela Oposição domina a campanha eleitoral, que continua a dispor de muito espaço no DL.

Cientistas internacionais de nomeada apelam ao bom senso para que se evite a catástrofe de uma guerra atómica. Espero, esperamos todos, que as grandes potências escutem este pedido.

Na ONU voltou a ser discutida a recusa de Portugal em fornecer informações sobre os territórios ultramarinos. Já se sabe o que dali podemos esperar…

E é tudo por hoje. Amanhã, como está previsto, vou até Cascais, se não surgir qualquer impedimento de última hora.

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