mil novecentos e sessenta e um – dia 308

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Foi um dia muito bem passado. Desta vez, a proposta do Zé foi a de irmos até Lisboa e percorrer algumas das suas zonas, como Belém, Alcântara e o Restelo, principalmente. Fomos aos monumentos e museus por ali espalhados, e não são poucos, e até comemos os famosos pastéis de nata de Belém. Uma verdadeira delícia, sobretudo para alguém guloso como eu.

Regressámos já tarde a casa, à hora de jantar, e o Luís Filipe passou o tempo quase todo em belas sonecas.

Comprei o Diário de Lisboa num quiosque e só em Cascais, há pouco, tive tempo para o ler, antes do jantar.

Volta à baila o assunto de há dias, reafirmando os candidatos oposicionistas, em conjunto, que a sua atitude perante o acto eleitoral dependerá da resposta do Governo à exposição em tempos apresentada. Entretanto, a data das eleições aproxima-se pois será de amanhã a uma semana. Continua adiada a publicação do prometido artigo do eng. Cunha Leal. Já não há grandes dúvidas quanto à origem destes adiamentos…

O jornal descreve, entre outras, a sessão da União Nacional em Portalegre, onde falou o candidato Luís de Azevedo Coutinho, meu primo. Nada de especial, porque a conversa de uns e de outros é sempre muito previsível… Não passam da cepa torta, ou direita, conforme o lado onde estão!

O paquete Pátria partiu para Angola e Moçambique. É uma notícia pequena numa página interior, acrescentando que nele seguiram, como passageiros, funcionários públicos, colonos e alguns militares. Os nossos amigos e colegas de Mafra teriam já partido?

Da peça Três em Lua de Mel, em cena no Teatro Variedades, veio publicada mais uma bela ilustração de Fernando Bento. Há muito tempo que estes cromos faltavam na minha colecção! A propósito, este exemplar tem páginas muito mal impressas. Vou já pedir uma tesoura e cola à Tininha para aqui colocar o desenho.

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Na secção Magazine do DL há um interessante artigo sobre a carreira do cantor e actor francês Yves Montand. Gosto muito de o ouvir e apreciaria ter discos com canções dele, quando um dia puder comprar um gira-discos.

Uma notícia desta mesma secção recorda que um terço dos 72 milhões de volumes existentes nas bibliotecas alemãs foram destruídos durante a última guerra, sobretudo devido aos bombardeamentos. Quando a gente pensa nas pessoas inocentes que morreram nem se lembra destes outros prejuízos que, embora não valham a vida humana, também devem ser contabilizados nas contas dos horrores da guerra. Cada vez me sinto mais pacifista!

Acho que esta é uma boa forma de acabar este página do diário. Amanhã tenho de regressar ao quartel. Raios partam esta vida!!!

One thought on “mil novecentos e sessenta e um – dia 308

  1. Continuo a seguir este seu verídico “folhetim” com bastante interesse. Digo mesmo que já se tornou a minha primeira leitura diária, assim que abro o computador…
    Por curiosidade, registo aqui que fui um dos passageiros do paquete “Pátria”, na qualidade de funcionário público, juntamente com a minha mulher e a minha filha Maria José, que fez um ano a bordo, festejado alegremente com outros passageiros, alguns deles meus colegas de trabalho.
    Mas a viagem, devido aos grandes balanços do barco em águas mais agitadas, não nos deixou boas recordações. E era a nossa primeira viagem marítima… com passagem pelo Equador, implicando o tradicional “baptismo” de bordo.
    Um grande abraço,
    JM

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