Moscovo veta Amnistia Internacional

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FORAM ENCERRADAS AS INSTALAÇÕES
DA AMNISTIA INTERNACIONAL EM MOSCOVO

As autoridades russas encerraram na passada quarta-feira o escritório da Amnistia Internacional em Moscovo sem notificação ou explicação prévia, anunciou a organização internacional de defesa dos direitos humanos.

Os funcionários encontraram o escritório fechado cerca das 10:00 (07:00 TMG e Lisboa). A organização não recebeu qualquer aviso e as instalações foram fechadas sem a sua presença“, declarou a AI num texto colocado no seu ‘site‘.

A organização diz que as fechaduras foram mudadas e o alarme do local foi desligado no único escritório da AI na Rússia.

A Amnistia é frequentemente crítica das autoridades russas, sobretudo em relação ao tratamento dado aos presos, especialmente os detidos por motivos políticos.

Na terça-feira, a organização apelou às autoridades para que “ponham fim ao padrão de impunidade da tortura e de outros maus-tratos“, depois de o activista Ildar Dadin ter dito que foi espancado e ameaçado na prisão.

John Dalhuisen, diretor para a Europa da AI, disse num comunicado “não saber” o que levou as autoridades a “impedir os funcionários de acederem ao escritório“.

Os escritórios da organização foram aparentemente fechados pelas autoridades municipais, que deixaram um aviso na porta, mas a Amnistia assegura que não consegue ligação para o número de telefone lá inscrito.

Estamos a ligar consecutivamente há duas horas, até agora sem êxito“, disse o chefe da secção russa da organização, Serguei Nikitin, à agência RIA Novosti.

Este responsável disse que o local está alugado à Amnistia há 20 anos e o pagamento das rendas está em dia.

Dado o actual clima para o trabalho de sociedade civil na Rússia, há claramente um certo número de explicações possíveis, mas é muito cedo para tirar conclusões”, disse um responsável da organização. Acrescentou esperar que se tratasse de um mero problema administrativo e que a situação fosse resolvida rapidamente. “Estamos cem por cento seguros de ter cumprido as nossas obrigações como inquilinos”. O edifício onde a organização se encontra instalada pertence à cidade.

Questionado por jornalistas, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse não ter “absolutamente nenhuma informação sobre o assunto“, do qual disse estar a ouvir falar “pela primeira vez“.

Nos últimos anos, e em particular desde que o governo criou uma lei que obriga as organizações que recebem financiamento ou apoio a partir do estrangeiro a registar-se como “agentes estrangeiros” (uma designação com conotações históricas sinistras) tornou-se cada vez mais difícil advogar pelos direitos humanos de forma independente na Rússia. Entre as muitas atingidas pela lei conta-se por exemplo a organização Memorial, que estuda e recorda as atrocidades cometidas por Estaline.

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