mil novecentos e sessenta e um – dia 309

1961309-domingo-nov-05

Mais um regresso às origens, salvo seja, às forçadas e artificiais origens, porque o casarão de Mafra é isto e nada mais. As minhas origens estão na distante Portalegre e é aí que eu desejava regressar, mas sabe-se lá quando…

Depois de um excelente fim de semana com o meu irmão, a Tininha e o Luís Filipe, reencontro o Carlos Caprichoso, afinal quase um irmão, tal a amizade que entre nós se vai estabelecendo desde os tempos de Tavira, agora infelizmente retomados. Digo infelizmente, porque a nenhum de nós agrada a razão do reencontro. Mas temos de aproveitar o melhor possível esta forçada oportunidade.

Tinha cá a Rabeca da passada semana à minha espera, mas fica para depois. Hoje, o Diário de Lisboa é bastante, até porque eu estou cansado pelo que não vou aqui escrever muito.

O título mais destacado na primeira página do DL é: A uma semana da eleição continua a expectativa sobre a atitude dos candidatos oposicionistas. Por outras palavras, parece mais importante saber se eles comparecem para jogar do que se, no final, ganham, perdem ou empatam! Aqui e agora que ninguém nos ouve acho que, com tudo isto, pelo menos já ganharam uma enorme visibilidade… Tornaram-se quase simpáticos a quem vai lendo este verdadeiro folhetim.

Outro suspense, que já parece um filme do género, é o da publicação do prometido e sempre adiado artigo do eng. Cunha Leal sobre a crise ultramarina. Diz o Diário de Lisboa que, sem falta, vai ser publicado amanhã. Será mesmo?

O jornal continua a dedicar um generoso espaço às sessões de propaganda, com especial realce para as da Oposição. De vez em quando, na nossa sala de convívio, passo os olhos por outros jornais e, talvez com excepção do também vespertino República, nenhum outro publica tantas reportagens das sessões eleitorais, sobretudo as oposicionistas.

Do Ultramar as notícias são pacíficas. Os serviços médicos do Exército, em Angola, prestam valiosa assistência à população sem distinção de raças. Ora isto deveria ter sido sempre assim, mas infelizmente foi preciso vir o terrorismo para se perceber o óbvio…

Por outro lado, a exportação do café está a ser bastante apoiada para recuperar o tempo perdido e para normalizar a irregularidade provocada pelos ataques terroristas às fazendas e aos transportes.

Do estrangeiro, não há hoje notícias com relevo bastante, para além da rotina.

Amanhã recomeça também a nossa rotina. Raios a partam, porque já estou farto disto tudo!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s