Cambalhota russa perante a Amnistia Internacional

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A Rússia deu uma cambalhota depois de despejar
a Amnistia Internacional do seu escritório de Moscovo

A organização de direitos humanos Amnistia Internacional pode regressar ao escritório de Moscovo de que foi despejada na última passada, disse um consultor de direitos humanos do Kremlin na passada quinta-feira, depois de discutir o assunto com o presidente Vladimir Putin.

A Amnistia tem sido uma voz crítica da Rússia acerca da sua campanha de bombardeamentos na Síria e declarou acreditar que a expulsão poderia fazer parte de uma repressão oficial contra grupos da sociedade civil.

Na quarta-feira de manhã, os funcionários da organização chegaram ao seu escritório, no centro de Moscovo, descobrindo que as fechaduras haviam sido trocadas e a energia cortada. O governo da cidade de Moscovo, ao qual a Amnistia aluga as instalações, disse que era devido à  falta de pagamento do aluguer, mas a organização garantiu que os pagamentos estavam actualizados.

Mikhail Fedotov, chefe do Conselho dos Direitos Humanos da Rússia, que se liga formalmente ao Kremlin, disse à Reuters que encontrou Putin e discutiu com ele o assunto.

“O contrato de arrendamento foi renovado,  pelo que eles (Amnistia) poderão regressar ao escritório num futuro muito próximo. Putin foi informado disso“, disse Fedotov.

Pouco depois da reunião, John Dalhuisen, director da Amnistia Internacional na Europa, disse à Reuters que o grupo havia sido contactado por Vladimir Yefimov, chefe do departamento de propriedades da cidade de Moscovo, que disse ter havido uma confusão.

De acordo com Dalhuisen, Yefimov convidou a Amnistia para uma reunião na segunda-feira, hoje mesmo. Sexta-feira foi feriado na Rússia.

Eu diria que isso foi prometedor e estamos ansiosos pela reunião que resolva este problema“, disse Dalhuisen.

A Amnistia disse, no entanto, que as autoridades da cidade tinham ignorado os seus sucessivos pedidos de negociações.

O departamento de propriedades da cidade não pôde ser imediatamente contactado para comentar o caso.

A Amnistia, que foi fundada em Londres, critica frequentemente as autoridades russas sobre o que diz serem violações de direitos humanos. Alega, em particular, que a Rússia e os seus aliados mataram um grande número de civis com ataques aéreos contra a cidade síria de Aleppo. Moscovo nega isso.

Depois de a notícia do despejo ter sido conhecida na passada quarta-feira, o Departamento de Estado dos E.U.A. exprimiu a sua preocupação.

Grupos de direitos humanos que criticam o Kremlin e recebem financiamento estrangeiro estão sob crescente pressão na Rússia de Putin.

Funcionários do Kremlin acusaram alguns grupos da sociedade civil apoiados por estrangeiros de trabalharem em nome dos governos ocidentais para fomentar agitação e repetir as revoluções que forçaram os líderes pró-russos em vários Estados da ex-União Soviética à demissão.

Como parte da repressão oficial, algumas organizações não governamentais foram designadas como “agentes estrangeiros“, o que as torna sujeitas a um intenso controlo.

(REUTERS – Redacção de Vladimir Soldatkin
 e Christian Lowe, edição de Louise Ireland)

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