mil novecentos e sesenta e um – dia 313

1961313-quinta-nov-09

Chegou a véspera da nossa partida para o fim de semana e tudo parece normal, sem previsão de qualquer impedimento que perturbe os nossos planos, meu e do Caprichoso, em Lisboa, na companhia da Clara e da Adrilete.

Até o tempo parece ajudar, porque a chuva tem andado afastada. Ainda hoje, durante o cross pela Tapada que foi puxadinho e prolongado, houve umas nuvens ameaçadoras a preocupar-nos mas não passaram disso…

A Voz do dia 4 cumpre o seu papel ao serviço da União Nacional. Num artigo na primeira página denominado Propaganda eleitoral? atira-se desalmadamente à Oposição (que nessa data ainda não tinha desistido), porque esta falou desrespeitosamente do Governo de Salazar. Logo ao lado, numa tira mais pequena, sob o título Propaganda! desanca um comunicado da Oposição a propósito do nosso problema ultramarino. Depois, para completar a primeira página, traz um relato da sessão da União Nacional, no Crisfal, onde falou o meu primo Luís. Na mesa, para além dos candidatos, estiveram os directores do Magistério e da Escola Industrial e Comercial, assim como o presidente da Câmara. Segundo o jornal, o meu primo fez largas e judiciosas considerações sobre problemas económicos que estão directamente ligados à política nacional, acrescentando que os portugueses de hoje não perderam as qualidades que nos fizeram grandes noutras épocas.

Fiquei a saber que o Desportivo ganhou ao Elvas por 13-0, que é um mesmo um resultado anormal que dá azar… a quem perde!

De resto, descontando notícias já repetidas, fiquei a saber que foi inaugurado o fornecimento de energia eléctrica à Ribeira de Nisa, embora o jornal não diga se foi à freguesia toda, que é muito dispersa, ou a algum ou alguns dos seus lugares.

Quanto ao Diário de Lisboa, continua a ignorar na primeira página toda e qualquer referência às eleições. Isto dá muito nas vistas, porque ainda há dias, antes da desistência da Oposição, dedicava-lhe imenso espaço e bem à vista. Hoje o título mais destacado é sobre a resolução que vai ser apresentada na ONU contra nós. Também escreve que o vice-presidente do Equador assumiu a chefia do Estado como o apoio do Exército.

O próximo acto eleitoral – eis o título que apenas encontramos na página 14, imagine-se! Excepto isso, nada mais em todo o jornal. Há dias chegavam a ser seis ou mais páginas…

O Benfica, ontem, ganhou ao Áustria por 5-1, num jogo a valer para a Taça dos Campeões Europeus. Bom resultado!

E a verdade é que o Diário de Lisboa, praticamente, não traz mais nada de jeito.

Amanhã, se tudo correr bem, vou escrever as linhas seguintes já em Lisboa e quase de certeza não vou ter vagar para grandes tiradas aqui no diário. Estou desejoso.

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