mil novecentos e sessenta e um – dia 323

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A chuva alterou-se mas para pior, passando a torrencial. Nada disto promete grande coisa para amanhã, quando bem cedo marcharmos para as manobras finais, confirmadas para a foz do Lisandro. Vai ser o bom e o bonito!

Bem, deixemos isso porque tristezas não resolvem a molha prevista, dos pés à cabeça…

Este foi um Domingo diferente aqui no convento, movimentado como nunca me lembro de o ter visto em fins de semana.

Tenho de dar conta do meu recado, porque não sei quando esta tarefa normalizará. Espero conseguir ter acesso ao Diário de Lisboa, se tudo correr normalmente, mas não tenho a certeza disso.

Começo pela Rabeca que ontem recebi. Na primeira página figura um artigo de D. Isaura Correia Santos intitulado Que pensar?! Que dizer?! O seu conteúdo é grave pois aborda, no essencial, recentes casos dramáticos de barracas onde habitava gente que morreu quando estas desabaram ou arderam. Tragédias deste nosso Portugal.

Outro artigo, Recordando um triste episódio, evoca a efeméride do desaparecimento do glorioso aviador Sacadura Cabral. A Figura retratada na secção habitual é O Caçador. Em Retalhos é reproduzido um excerto da encíclica Mater et Magistra onde o papa João XXIII fala dos miseráveis salários de muitos trabalhadores.

Finalmente, para preencher a primeira página, há ainda um interessante artigo, Apontamento, onde se anota o facto de a cidade de Portalegre estar hoje dividida em duas partes, bem diferentes uma da outra. A cidade-velha, tem resistido heroicamente (este é o termo usado!) no sentido de não se deixar desvalorizar. E o articulista, não identificado, faz a relação de repartições, entidades, serviços e fábricas ali instalados para justificar a afirmação. Achei piada porque nunca tinha pensado nisto tão a sério.

Vou levar comigo a Rabeca para amanhã continuar a lê-la e comentá-la. Passo ao Diário de Lisboa de hoje.

Agora é Portugal que deve anunciar amanhã que pretende ingressar no Euromercado. Esta possível união da EFTA, a que já pertencemos, com o outro grande bloco económico da Europa deve ser importante para nós. Oxalá tudo corra bem, mas a avaliar pelo caso da Inglaterra, são negociações muito complexas e demoradas.

Houve inundações em Lisboa e noutros pontos do país, devido às chuvas torrenciais que têm desabado dos céus sobre as terras…

Henrique Galvão e mais seis seus companheiros, expulsos de Marrocos, devem refugiar-se no Brasil, que já há uns meses os acolheu quando foi do caso do paquete Santa Maria.

Termino com uma notícia que mete medo e deve servir de aviso: se houvesse uma guerra atómica 75% da população russa e 80% da população norte-americana seriam vítimas dessa catástrofe. Espero que os responsáveis saibam ler e entender estes números, que são gente de carne e osso, viva…

Nós, os residentes aqui no casarão de Mafra, provavelmente, não vamos morrer na “guerra” que amanhã começa por estas bandas. Não vamos ser atacados por armas atómicas, mas o bombardeamento da chuva que nos espera vai seguramente deixar baixas.

Até amanhã, se eu não estiver na enfermaria.

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