DN ou O fim do princípio – I

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Foi por este emocionado texto de Fernanda Câncio que anteontem me foi recordado um episódio já vindo de trás, quando fora anunciada há meses a necessidade de venda do carismático edifício-sede do Diário de Notícias. Este sinal da crise da nossa imprensa marca uma época, quando alguns jornais se vendem ao sensacionalismo e outros vendem o seu património. Prefiro incontornavelmente os segundos.

O Diário de Notícias nasceu no Bairro Alto de Lisboa em 1864 e lá mantém memória através da rua que tem o nome do jornal; saiu agora da Avenida da Liberdade, mas continuará também no coração de Lisboa através do seu edifício-sede que preservará o título do diário nas clássicas letras góticas da fachada.

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Este foi, entre nós,  o primeiro edifício construído de raiz para albergar os serviços de um jornal. Projectado em 1936 pelo famoso arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, foi inaugurado em 1940, tendo recebido o prestigiado Prémio Valmor nesse mesmo ano. A solene inauguração aconteceu a 24 de Abril de 1940, com a presença do presidente da República da época, Óscar Carmona. Posteriormente classificado como Imóvel de Interesse Público, segundo os entendidos no tema sobressai no contexto da arquitectura portuguesa contemporânea pela original solução de compromisso entre a linguagem monumentalista da sua época e as tendências inovadoras e modernistas, traduzindo a procura de equilíbrio entre os vectores estético, funcional e construtivo. Merecem destaque os elementos decorativos utilizados, nomeadamente a diversidade de materiais e as suas cores, assim como os belos painéis de Almada Negreiros, (Grande Planisfério e Quatro Alegorias a Portugal e à Imprensa), localizados no átrio e no vestíbulo principal.

O destino futuro do edifício será habitação e comércio, projecto que terá de conviver com a preservação da marca Diário de Notícias.20-dn-0

Com efeito, o edifício manterá as principais características arquitectónicas actuais, como a fachada virada para a Avenida da Liberdade e os painéis assinados por Almada Negreiros, entre outras, explicou Pedro Coimbra, administrador com o pelouro financeiro do Global Media, o grupo proprietário do DN.

A alma do DN continuará nas Torres de Lisboa, a sua nova morada – garante o director, André Macedo. Faço ardentes votos de que assim aconteça.


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Conheço e admiro o Diário de Notícias há muitos anos. Ainda criança, há uns bons três quartos de século, segui sentado nos joelhos do meu avô José o seu labor no cuidadoso e sucessivo recorte das vinhetas ali publicadas, revelando dia a dia o título do seu “filhote” que me iria acompanhar, e formar, pelos anos felizes de uma descuidada infância.

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O Diabrete foi assim meu desvelado companheiro e era ao mesmo tempo a expressão infantil do jornal, maior em tamanho e mais sério, que me ia contando por intermédio do meu avô, omnipresente, os horrores da guerra então gerada na Europa e no Mundo.

António Martinó de Azevedo Coutinho

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