DN ou O fim do princípio – II

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O Diário de Notícias vai abandonar a sua sede, carismática sede, que sempre conheci. Mas a verdade é que apenas muda a sua origem física, na partida, pois naquilo que a cada leitor interessa, na chegada, espero que nada mude.

Os dois textos que o jornal de anteontem ostentava garantem-no. Pedro Baldaia, como co-responsável

pelos destinos do diário, “desmente” Fernanda Câncio no que o seu Requiem tinha de funerário. Não é o fim, mas apenas o fim do princípio. Por outro lado, na sua original forma de escrever, que é timbre de honra e assinatura, é Ferreira Fernandes quem nos garante a sobrevivência em dignidade e a permanência em qualidade.

O Diário de Notícias não é, apenas, um jornal. Ele está associado à crónica de um país, é arquivo do passado, relato do presente, expectativa de futuro.

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Há uns anos, talvez uma década e meia, entrei e percorri o edifício, vasculhando as suas memórias. Pela mão do amigo João Miguel Tavares, que ao tempo ali colocava a sua magnífica prosa, por lá andei na pista de João de Azevedo Coutinho, quando deste ia descobrindo uma inesperada e fascinante biografia. Nunca esqueci, jamais esquecerei, tal experiência.

Posso por isso entender a dor da partida. Mas creio ser nesta que os homens que vão garantir um jornal a sério encontrarão a raiva e a motivação para prosseguir a faina quotidiana de nos trazerem a notícia e o comentário, a imagem e o testemunho de um país e de um mundo em mudança.

O gótico cabeçalho corporal do Diário de Notícias sobreviverá à deslocação física. A sua alma reside noutro lugar, não vai ficar presa à majestosa Avenida da Liberdade tal como não permaneceu na modesta Rua dos Calafates, em pleno Bairro Alto.

As Torres de Lisboa permitem espreitar, bem do alto, um futuro de esperança.

Assim seja.

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One thought on “DN ou O fim do princípio – II

  1. São os efeitos de uma sociedade materialista em mudança, dominada pela engenharia financeira, cujos objetivos são o lucro, rentabilizando os espaços, ignorando o sentimentalismo ou a história.
    As grandes empresas instaladas outrora na mais nobre zona da cidade – a Av. da Liberdade – estão a deslocar as suas atividades para zonas mais periféricas, onde o valor de ocupação é mais barato, obtendo assim avultadas mais-valias com a ocupação e exploração por parte de atividades ligadas ao sector turístico, para que está virado e vocacionado o centro da cidade.
    Joaquim Chagas

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