Os hinos e os hunos

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OS HINOS E OS HUNOS

Gosto muito de ler as crónicas de Bagão Félix. Tenho apreço pela sua coerência e pelo seu equilíbrio, sempre revelados -a meu ver- quer enquanto governante quer como simples cidadão.

Ao seu olhar atento raramente escapam os fenómenos quase sempre desprezados pelo apressado e ocupado cidadão comum. E este, aqui reproduzido, é precisamente um dos tais pormenores em geral considerados insignificantes. E não é.

Bagão Félix põe o dedo na ferida. Vale a pena aplicar-lhe um penso rápido.

O único responsável de que me lembro, entre nós, por recentemente se preocupar com o nosso hino e a nossa bandeira é um estrangeiro. Chama-se Scolari e é brasileiro. E o pretexto, como o articulista aliás cita, foi o futebol.

Scolari pôs o país a desfraldar a bandeira verde-rubra e a entoar a Portuguesa.

Conhecendo algo do Brasil, como me acontece, nada dito nos deveria espantar.

Nas minhas repetidas andanças pelos sertões nordestinos e coincidindo com a minha assunção como professor, visitei muitas escolas. Falo de modestas e isoladas escolas rurais de gestão municipal ou estadual.

E em todas elas, sem excepção, vivi com emoção a repetida prática quotidiana da homenagem à bandeira e ao hino pátrios. Todas as crianças sabem de cor a letra do seu hino e cantam-no fitando a bandeira, com a mão direita sobre o coração. Mero simbolismo? Não!

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Do programa oficial da escolaridade básica obrigatória consta a anual Semana da Pátria, nos alvores de cada Setembro.

Para os brasileiros a conquista da cidadania faz-se a cada momento e a compreensão dos problemas e das potencialidades do seu país está ligada ao amor e ao espírito de luta pela Pátria.  O hasteamento da bandeira nacional ao som do hino faz parte dessa política pedagógica e cívica.

A noção prática de patriotismo alia o conhecimento dos Estados e das capitais do grande país irmão à valorização da sua cultura, das suas potencialidades económicas e, também, dos seus símbolos, como a bandeira, o brasão e o hino.

O Hino Nacional Brasileiro é particularmente saudado, sendo-lhe mesmo dedicado um dia feriado, a 13 de Abril. Com efeito, foi a 13 de Abril de 1831 que o antigo Hino da Independência, composto pelo próprio imperador D. Pedro I, foi tocado pela primeira vez em público, no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro.

É muito belo o actual Hino do Brasil, com letra de Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manuel da Silva. Registe-se, como prova, o seu início:

OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS
DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,
E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,
BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.
SE O PENHOR DESSA IGUALDADE
CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,
EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,
DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!

Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!

PÁTRIA AMADA,
BRASIL!

Acrescento apenas, subscrevendo Bagão Félix: Entre “as brumas da memória” ainda há espaço para respeitar “os egrégios avós” desta Nação de quase nove séculos.

Com efeito, nada é preciso inventar bastando dos nossos irmãos brasileiros copiar com inteligência a lição que Scolari aqui esboçou…

 

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