mil novecentos e sessenta e um – dia 326

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Terminaram as manobras e, para já, com um balanço francamente positivo. Tendo começado como começaram, sobretudo por causa do meu tempo, pode dizer-se que tudo melhorou precisamente como resultado da normalização das condições meteorológicas, que hoje se puderam considerar excelentes. Nunca choveu nem lá perto!

Creio que os cadetes, de uma maneira geral, deram boa conta do recado, comprovando a qualidade da instrução recebida no curso que foi duro e competente.

Amanhã, logo cedo, regressaremos à base. Já quase tenho saudades do convento, imagine-se! Faltam-me as cartas da Adrilete, sobretudo.

Foi novamente fácil obter o Diário de Lisboa, pelo mesmo processo de ontem.

O grande título do jornal é dedicada à visita dos presidentes Thomaz e Franco ao Museu do Prado, em Madrid. Um magnífico museu, posso dizê-lo por experiência própria.

Na ONU continua a discussão sobre Goa. Por cá chega a notícia, inesperada, do julgamento à revelia dos assaltantes do Santa Maria, discutindo-se se será em Lisboa ou no Funchal… A razão jurídica parece-me imbecil, com o devido respeito. É que, no regresso, o paquete aportou no Funchal!!! Será uma desculpa?

A este propósito, o DL conta que se fazem neste momento diligências para a entrada de Henrique Galvão na Argentina. Vá para o raio que o parta!

Assunto sério parece-me o facto de ter seguido para o Ultramar mais um contingente de tropas. Não posso deixar de pensar no inevitável destino dos cadetes que hoje terminaram as suas provas finais. E nosso próprio destino, sempre pendente sabe-se lá de quê!?

O Sporting venceu o Benfica em basquetebol e deve ser campeão regional de Lisboa.

Há um artigo focando os problemas dos professores primários, sobretudo sobre a injusta situação dos agregados e sobre os baixos ordenados da classe. Acho que infelizmente nada se resolve por aqui…

Mas para mim o mais importante do jornal de hoje é a publicação de três ilustrações de Fernando Bento, interpretando alguns artistas que representam a peça Romeu e Julieta, em cena no Teatro Nacional. Como não tenho agora tesoura nem cola, vou levar a página para Mafra e amanhã ou depois já trato de aqui acrescentar a minha colecção.

Bem, se tudo correr com a esperada normalidade, amanhã as linhas deste diário já será escritas em Mafra. Já agora, que o mau tempo mantenha esta folga e nos deixe regressar sem uma dispensável molha. Já basta!

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