mil novecentos e sessenta e um – dia 328

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Tudo normal a partir de hoje, isto é, voltou a rotina. Agora vai haver em breve o Juramento de Bandeira dos cadetes, passando a aspirantes milicianos. Parece que será apenas numa cerimónia interna sem o espalhafato público habitual. Acho bem, porque os tempos não são para luxos.

Hoje o Caprichoso já voltou a Lisboa. Vai ser para mim outro dos tais chatos fins de semana, mas tenho umas coisas para pôr em ordem pelo que talvez o tempo passe um pouco mais depressa. Ou menos devagar…

Vou pondo a escrita portalegrense em dia, começando pela Voz do dia 18. Como seria de esperar, e ao contrário da Rabeca, o grande assunto do órgão da União Nacional é o resultado das eleições. Pudera! No Final da Campanha, uma espécie de editorial, embandeira em arco com a resposta popular à “tenebrosa” luta movida pela Oposição contra Salazar. Estou naturalmente a citar o essencial do artigo.

Ao lado, o jornal apresenta os Resultados da Eleição para Deputados. No que diz respeito ao concelho de Portalegre, havia 4.413 eleitores inscritos tendo votado 3.602, o que dá uma percentagem de 81,6%.

A Voz inclui, ainda na primeira página, um Justo Agradecimento aos deputados que cessaram funções, como é o caso do dr. António Rodrigues Prata e do dr. João Augusto Marchante.

O restante jornal inclui notícias já conhecidas pela Rabeca, desportivas, militares e outras, pelo que não se justifica repeti-las.

O Distrito de Portalegre fica para amanhã.

A notícia mais destacada na primeira página do Diário de Lisboa é a da inauguração do monumento aos heróis do Alcazar de Toledo, assistida pelo almirante Thomaz, que assim terminou a visita oficial a Espanha. Conheço o sítio, a fortaleza, assim como a crónica do Alcazar, impressionantes pelo seu dramatismo que bem simboliza os horrores de uma guerra civil.

A Nota do Dia do DL trata de um assunto bem interessante, o do pagamento de um 13.º mês de vencimento aos funcionários públicos, por alturas do Natal. Seria muito bom e já se pratica em Espanha, por exemplo. Não acredito que a moda pegue…

Seguiu esta tarde para as províncias ultramarinas outro contingente militar – eis mais um título hoje impresso no jornal que nada me agradou porque significa que o ritmo do envio de tropas para o Ultramar se intensificou. É um mau sinal, acho eu!

Ao lado, esclarece-se que nestes tempos de guerra ou de grave emergência, os oficiais milicianos podem ser promovidos até ao posto de tenente-coronel, outro sinal dos tempos, que leio com certa  preocupação.

Mais 189 pessoas sucumbiram em Hiroshima nos últimos cinco anos aos efeitos da bomba atómica – aqui está outra notícia trágica que revela os efeitos devastadores das novas armas, neste caso mais de 15 anos depois…

Não sou supersticioso, mas esta sexta-feira, dia de bruxas, não nos trouxe boas novas, bem pelo contrário.

Espero que isto melhore durante o fim de semana…

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