No ano em que nasci…

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Esta é uma curiosa crónica do ano em que nasci. Não posso, portanto, comentá-la por experiência própria. Mas conheço o que aconteceu e que é notável.

Com efeito, algumas antigas publicações nacionais, infanto-juvenis e outras, movimentavam-se em várias plataformas, como hoje se diria, tanto na imprensa como na rádio e até no teatro ou no circo, já que ao tempo ainda não funcionava a televisão.

Foi o caso de O Senhor Doutor, jornal que não acompanhei, pois acordei para os quadradinhos anos mais tarde, pela mão do Diabrete.27-1935-senhor-doutor

O Senhor Doutor teve uma longa vida, entre 1933 e 1944, em cerca de 470 exemplares. Teve excelente colaboração nacional e alguma europeia (espanhola, francesa e inglesa) de qualidade. Publicou separatas e construções de armar, ao modo da época. Também se distinguiu pela dinâmica social em que envolvia a família dos seus assinantes e leitores. Assim, concursos, festas e emissões radiofónicas fizeram parte das suas iniciativas.

As suas primeiras emissões, dedicadas ao público mais pequeno, iniciaram-se em 1934, no popular Rádio Clube Português. Tinham uma duração de apenas quinze minutos, animados pelo jovem Henrique Samorano, que era simultaneamente redactor do semanário infantil e locutor do próprio RCP.

Estas emissões, semanais, aconteciam pelos finais de cada Domingo, às 19 horas, sendo preenchidas sobretudo com a leitura de pequenas histórias, contos e poesia.

Porém, Henrique Samorano apenas esteve cerca de um ano na realização do programa, pois a sua inesperada morte suspendeu-lhe a actividade.

Pouco antes dessa fatalidade, ele tinha convidado José de Oliveira Cosme para colaborar nos programas, que passaram à duração de meia hora e, mais tarde, a uma hora. Aí surgiram os episódios da série do Menino Tonecas, que ficaria famosa. Neles, Samorano desempenhava o papel de aluno e Oliveira Cosme o de professor.

O programa sobreviveu a Henrique Samorano e passou a designar-se Emissões Recreativas para Miúdos e Graúdos, ganhando novidades, como a inclusão de música e canto para além dos diálogos e do noticiário. O primeiro número musical foi cantado por uma menina então com apenas seis anos, dotada de grande talento, que viria a ser a conhecida e popularíssima Mimi.

Para além destas personalidades, também ali se distinguiriam, entre outras, José Castelo e Odette de Saint-Maurice.

Do excelente arquivo digital “De Clássicos da Rádio“, de Paulo Ferreira, aqui se partilha com a devida vénia o registo original de um ficheiro sonoro com o episódio Lição de Gramática, da série O Menino Tonecas, protagonizado por Henrique Samorano e José de Oliveira Cosme.

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