mil novecentos e sessenta e um – dia 338

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Recomeçou uma semana sem qualquer conteúdo visível. Tudo está concluído, finalizado, esgotado. Até nisto a tropa é diferente, conseguindo consumir tempo para nada, em tarefa alguma. Está confirmada a cerimónia do Juramento de Bandeira para o feriado de sexta-feira, o que apenas significa que deixou de ser feriado para alguns. Nada mais.

Chegou a Rabeca do dia 29 e foi esta a novidade pessoal mais importante do dia. Mas deixo-a para amanhã, porque quero aqui referir algo que correu por cá como um boato, espalhado por alguém que garante ser verdade. É complicado, pode ser complicado deixar isso aqui escrito, mas sobretudo não vou repeti-lo numa carta para a Adrilete, onde o caso era arriscado e mesmo perigoso.

Acontece que um nosso colega, cujo nome não escrevo porque parece ser militante do Partido Comunista segundo dizem, acontece que o tipo garantiu a quem o quis ouvir que fugiram hoje do forte de Caxias oitos destacados dirigentes do PCP que lá estavam presos. Ora se isto for verdade é uma enorme bronca, até porque o tipo disse a rir à gargalhada que eles utilizaram na fuga um carro do próprio presidente Salazar.

Ora acontece que nem rádio, televisão ou jornais da tarde falaram no caso. Mas ele jurou ter sido verdade. Era só o que faltava, depois de tantos problemas que todos os dias vão surgindo…

Passo ao Diário de Lisboa.

O presidente Tschombé classificou a intenção da ONU de intervir no Katanga como uma provocação intolerável. Acho que esta instabilidade no Congo, logo ao lado de Angola, nada nos ajuda…

O muro de Berlim, que ontem ruiu parcialmente, já teve intervenções de reforço e reconstrução durante a noite. Foi pena.

Foi publicado mais um artigo de Calvet de Magalhães, intitulado Métodos de Educação pela Arte. Vou assim enriquecendo a minha colecção.

Uma pequena notícia nas páginas centrais informa que a PIDE remeteu a juízo o processo contra vinte e cinco signatários, gente grada da Oposição, do Programa para a Democratização da República, que até foi publicado pela imprensa e também aqui no Diário de Lisboa, durante a campanha eleitoral. Percebo pouco do que se passa, mas acho que assim, com este comportamento, o Governo só dá razão aos que se queixaram de perseguição e de tratamento desigual, o que levou a Oposição à desistência.    

Fora isto, só figuraram no jornal pequenas notícias soltas, para além das desportivas. Nada, absolutamente nada, foi publicado sobre o tal hipotético caso de Caxias. Sinceramente, fiquei na dúvida.

Amanhã, disso tenho a certeza, continuará aqui pelo casarão o gasto de tempo em absolutas inutilidades.

Veremos…

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