mil novecentos e sessenta e um – dia 339

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Outro dia sem história que não deixa qualquer rasto na memória já gasta deste exílio cada vez mais absurdo e insuportável. Estou desesperado. Hoje soube-se da partida para Lamego de mais três camaradas, furriéis milicianos como nós. Depois de alguma acalmia, ou pelo menos considerámo-la como tal, tudo está agora a agravar-se mais uma vez…

Talvez seja o tempo do próximo Natal que cria estes sentimentos. Talvez… Festa de Família, qual família, com toda a gente cada vez mais separada, e à força!!!

Bem, vamos deixar estes pensamentos, pessimistas bem o sei, tal como a malta me considerou no Amicitia o que até me levou a escrever para um Boletim do grupo, há uns dois anos, o artigo Divagando em que desmenti essa generalizada convicção da parte deles. O que diriam de mim agora!?

Já vou à Rabeca, como ontem prometi. Mas antes quero dizer que corri o Diário de Lisboa de ponta a ponta e nada diz sobre a tal evasão. O nosso “politizado” camarada enganou-se e enganou-nos!

A Rabeca tem como principal artigo da primeira página o intitulado Por via aérea, da autoria de Carlos de  Riobom (não conheço), onde é focada uma interessante questão, precisamente a de os jornais da província poderem e deverem ser transportados pela TAP a fim de chegarem atempadamente às mãos dos assinantes espalhados pelo Mundo. E lembra, acertadamente, os milhares de soldados que estão no nosso Ultramar. Gostei.

Outro artigo trata, com oportunidade, do 1 de Dezembro de 1640. Nas secção Figuras e Aspectos do Burgo é apresentada a figura do Guarda Fiscal e, como não podia deixar de ser, a do contrabandista, tão popular pelos nossos sítios. Há ainda a referência Homenagem a um grande Português, acerca do monumento ao general Norton de Matos, a inaugurar brevemente em Nova Lisboa, Angola.

No interior, em Ronda da Cidade, são abordados os jardins da cidade que não são muitos. Há algumas considerações sobre o da Avenida da Liberdade e solicitada atenção ao Jardim Operário, um pouco abandonado. Achei justo.

Mais uma vitória do Desportivo, desta vez por 2-1, contra o Estrela, no derby local. Óptimo!

De resto, há a alusão ao Natal do Soldado, já conhecido dos outros jornais. Achei curiosa a crítica ao serviço de bengaleiro no Crisfal, em noites de enchente, porque gera-se uma grande confusão. Sempre foi assim, porque as pessoas não são nem educadas nem pacientes…

Finalmente, na última página, a secção do Fernando Martinho sobre Poesia Nova apresenta poemas de António José Forte, que é bibliotecário da Gulbenkian e pertence à tertúlia de José Régio no Café Facha, onde regularmente se encontram. Há uma notícia sobre os 101 anos da Banda Euterpe e um artigo contra o Tiro aos Pombos. É tudo.

Passo agora mais rapidamente pelo Diário de Lisboa.

O jornal inglês Daily Telegraph fala do perigo que ameaça a Índia Portuguesa e o jornal italiano Paese Sera garante que Kruchtchev convidou Kennedy a ir a Moscovo. Entretanto, no Congo, os capacetes azuis da ONU já combatem contra as tropas Katanguesas.

De Angola chega a notícia de que foram aprisionados terroristas, no Norte. Entretanto em Nova Iorque, numa conferência de imprensa, o denominado American Commitee on Africa calculou entre 40.000 e 60.000 os mortos africanos e entre 1.500 e 3.000 os portugueses.

Só depois do Natal é que o astronauta John Gleen deve ser colocado em órbita.

Hoje, de facto, não houve grandes notícias.

E é tudo.

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