Marcel Gotlib (1934-2016)

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A morte de Marcel Gotlib: a joaninha, os quadradinhos e o humor de luto!

Marcel Gottlieb, conhecido como Gotlib, nasceu em 14 de Julho de 1934 em Paris e morreu em 4 de Dezembro de 2016, em Yvelines. Foi um escritor francês de banda desenhada, mais conhecido pelas suas histórias humorísticas (Gai-Luron, Les Dingodossiers, La Rubrique-à-brac) e pelas muitas páginas publicadas mensalmente em duas importantes revistas que criou na década de 1970, L’Écho des Savanes e Fluide Glacial.

Entrando na revista Pilote, Marcel Gotlib criou aí em 1965 com René Goscinny a série Les Dingodossiers. Goscinny, então chefe de Redacção, apreciou o humor de Gotlib, próximo da revista satírica americana Mad. Depois de alguns álbuns em colaboração, ele acreditou que Gotlib estava suficientemente maduro para criar uma série a solo: será Rubrique-à-brac, pequena revolução no mundo dos quadradinhos cómicos.

Mais tarde, em 1972, outro colaborador de Pilote, amigo de Gotlib, Nikita Mandryka, viu recusada por Goscinny uma história de Concombre Masqué. Decepcionado, ele então propôs a Gotlib criar o seu próprio jornal. Com a ajuda de Claire Bretécher, eles lançaram em 1972 L’Écho des Savanes, onde o estilo e as histórias de Gotlib irão evoluir muito em relação aos anos de Pilote.

O traço do desenho tornou-se mais espesso, mais trabalhado. Gotlib acentuou os detalhes, aperfeiçoando os seus traços da pena. Experimentou para o argumento e o humor uma lógica que continuará até o fim de sua carreira: a desviante absurdo da escatologia, o sexo e os gags em crescendo (começo tranquilo seguido por uma evolução burlesca de feições e posturas) ou recorrentes (ver o pequeno Momo le Morbaque, por exemplo, um tempo escamoteado).

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Em 1 de Abril de 1975 Gotlib lançou o seu próprio jornal, Fluide Glacial, Magazine d’Umour et Bandessinées, com o seu amigo de infância Jacques Diament.

No mesmo ano, Gotlib co-escreveu o argumento do filme Les vécés étaient fermés de l’intérieur, de Patrice Leconte (1976), com as estrelas Coluche e Jean Rochefort.

Gotlib também aparece como actor, sobretudo no genérico nos créditos de L’An 01 (1973), Les Doigts dans la tête (1974), Je hais les acteurs (1986), Le Nouveau Jean-Claude (2002) e Les Clefs de bagnole (2003).

Na sua nova revista, Gotlib lança várias bandas desenhadas, cada um marcando a nona arte. Podem citar-se, entre as mais famosas, o mais famoso Rhââ Lovely, Pervers Pépère, Superdupont, Dans la joie jusqu’au cou e ainda Gai-Luron.

A partir de 1980, Gotlib dedicou-se quase exclusivamente à redacção do editorial de Fluide Glacial, desenhando cada vez mais raramente. Ele publicou em 1986 o seu último álbum de BD, La bataille navale ou Gai-Luron en slip. No entanto, ele continuou a desenhar ilustrações, sobretudo para a reedição dos seus anteriores álbuns ou para a publicidade. Em 1991, ele conquistou o Grande Prémio do Festival de Angoulême.

Em 1995, após a reforma de Jacques Diament, Gotlib cedeu a sua editora, a Société Audie, que explora o jornal Fluide Glacial, à Flammarion, mantendo a possibilidade de escrever os editoriais. Estes foram editados em 1990 sob o título Jactances, publicados ao mesmo tempo que as suas memórias de juventude J’existe, je me suis rencontré, revelando um notável estilo literário.

Michel Effe
em Unidivers.fr

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