mil novecentos e sessenta e um – dia 342

1961342-sexta-dezembro-08

Pronto, está tudo finalmente consumado. Aconteceu a cerimónia do Juramento de Bandeira, simples e digna, apesar de ter sido realizada em família. O termo parece-me exacto, até porque esteve presente muita gente, principalmente familiares dos cadetes que hoje passaram a aspirantes milicianos. De resto, foi a estrutura da Região Militar, que presidiu, junto das autoridades locais e pouco mais. Rancho melhorado e o adeus.

Um episódio pessoal curioso: o Rodrigues, de Lisboa, cadete do meu pelotão, ofereceu-me uma fotografia de que nem sequer me lembrava. Ele está comigo, é o mais alto de bigode, com o Alberto. No verso da fotografia escreveu a data: 6 de Setembro de 1961. Como ao fundo aquilo são instalações da carreira de tiro, na Tapada, devemos lá ter ido nesse dia. Colo-a aqui, pois será mais uma recordação. E uma atitude de amizade.342-mafra-6-set-1961

Agora o que vamos fazer até à próxima incorporação é uma incógnita… Vamos aguardar, não há outra solução.

O Caprichoso foi até Lisboa e eu fiquei por cá. Mais uma vez.

Já telefonei à minha mãe, pois hoje é o seu dia, o Dia das Mães. Ela bem merece não ser esquecida.

E agora, como prometi, vou matar saudades na Voz Portalegrense. Mas não é na primeira página que o consigo, pois os assuntos ali tratados nada têm a ver com Portalegre: Solene Inauguração da VIII Legislatura, Noticiário Nacional e A Imprensa Diária e Regional em foco...

Lá dentro, recapitulo a bela vitória do Desportivo sobre o Estrela, 2-1, com os meus amigos Du, Brito, Belo Gonçalves e Jacinto na equipa, e também o novo desdobrável turístico da cidade, o Natal do Soldado e o funeral do sargento Paulo Mota. Nada de novo.

A única novidade acaba por ser o elogio à Câmara Municipal que abre a secção A Cidade. O jornalista louva o trabalho e a acção do Município portalegrense, destacando principalmente o cuidado tido por todo o Concelho em marcos fontenários, edifícios escolares, Casas do Povo, vias de acesso e luz eléctrica. Gostei de ler isto, mas é pouco para um jornal inteiro. Já cansa, mas é verdade, dizer que apenas na Rabeca encontro as provas da relação mais estreita de um jornal com a sua terra.

Passo por isso ao País, isto é, ao Diário de Lisboa que hoje se publicou apesar de ser feriado.

Um novo incidente na fronteira de Goa foi anunciado por fonte indiana – assim relata o jornal na sua primeira página. Porém, o nosso ministro do Ultramar informou que não se alterou a situação na Índia Portuguesa. Resta-nos aguardar os próximos capítulos com um misto de preocupação e de esperança.

No Katanga continuam as hostilidades entre as forças de Tschombé e as tropas da ONU. Até quando?

Para África partiu o paquete Uíge, levando funcionários públicos, comerciantes e industriais, uns regressando após férias na Metrópole, outros seguindo pela primeira vez. Valha-nos isso!

A questão do pagamento de hipotético 13.º mês continua a desencadear inúmeros apoios, o que não me admira nada.

Ainda continuam a ser arrojados à costa pelo mar os corpos dos infelizes pescadores que foram vítimas do trágico naufrágio de há dias.

Foi publicado e devidamente por mim acolhido mais um artigo de Calvet de Magalhães. Hoje foi A Motivação na Educação pela Arte.

Nem uma palavra foi divulgada sobre os evadidos de Caxias. A fuga deve ter sido bem preparada…

Esperam-me um sábado e um Domingo para os quais nunca estou preparado.

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