mil novecentos e sessenta e um – dia 347

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Mais um dia a que costumam chamar útil mas que foi, para mim, de uma perfeita e total inutilidade. Para mim e para umas largas dezenas de camaradas de armas (a designação soa-me de forma grotesca!) isto é um desespero, com os dias a sucederem-se numa cadência lenta e vazia de sentido. Até quando se prolongará isto? Por que não nos mandam já embora, pelo menos de férias de Natal ou folga ou dispensa ou lá o que lhe queiram chamar!?…

A grande preocupação de momento, a Índia, continua rodeada de contradições. Basta ler a primeira página do Diário de Lisboa, onde lado a lado se diz que a União Indiana está disposta a negociar com Portugal e que está iminente a invasão de Goa. Ao mesmo tempo, o governador general Vassalo e Silva afirma que lutará com todas as forças. Mas pode uma formiga parar um elefante? – pergunto eu.

Pela rádio e pela televisão não sabemos mais, pois creio que as dificuldades da distância e as limitações dos meios técnicos impedem o acesso a uma informação mais segura e atempada. Seja o que Deus quiser!

Foi publicado um enorme mapa de Goa que ocupa uma página inteira do DL. Deve ser para emoldurar.

Uma nota oficial fala da trasladação de corpos e da remoção de ossadas de militares do Exército falecidos em serviço. Nada tem a ver com o caso da Índia, mas parece-me uma coincidência de mau gosto…

A Inglaterra vai pedir na ONU um cessar fogo no Katanga. Terá algum resultado?

Foi publicado mais um artigo de Calvet de Magalhães intitulado A criança deve progredir graças aos seus próprios esforços. Valha-nos isto.

Sobre o tema do 13.º mês desvenda o jornal que se trata de uma justa regalia de que já beneficiam funcionários de organismos corporativos. Por outras palavras, uns são filhos de Deus e outros são filhos do Diabo… Dá vontade de dizer e escrever uns palavrões!!!

Já li a Voz Portalegrense e deixei o Distrito para amanhã.

Enfim, mais ou menos o costume, que já vai sendo regra, de Portalegre ficar para segundo ou terceiro plano. Na primeira página vem um artigo Em frente, contra a comunismo, outro com Noticiário Nacional e ainda Morreu Ribeiro dos Reis. Ali, a única referência à minha terra e terra do jornal é relativa às comemorações do 1.º de Dezembro pela Mocidade Portuguesa local.

No interior, se não fosse A Voz Desportiva onde me agradou saber que o Portalegrense venceu o Elvas por 3-0, só pela habitual secção A Cidade é que teria um sinal de que o jornal ainda é de Portalegre. Por aqui fiquei sabendo que a freguesia das Carreiras tem progredido muito graças à acção do prof. Casa Nova, que o Dia da Mãe foi comemorado pela Mocidade Portuguesa Feminina, que os alunos do Liceu percorreram a cidade recolhendo donativos para os pobres e que a Banda Euterpe fez 101 anos. Isto já eu conhecia de outras fontes.

Continuo a dizer que é pouco, é mesmo muito pouco. Parece que até os jornais de Portalegre alinham nesta campanha de estragar os meus dias.

Até quase tenho medo de abrir amanhã o Distrito…

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