mil novecentos e sessenta e um – dia 349

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Mais um fim de semana, mas este ainda mais esquisito que os outros, dado que desde há dias não fazemos nada, absolutamente nada. A única novidade é a da convicção geral, ou talvez boato, de que na próxima semana vai acontecer a autorização para passarmos o Natal em casa. Oxalá seja verdade.

O Caprichoso foi para Lisboa, mas não tive paciência para ir com ele, apesar da sua insistência. A Adrilete tem previsto o regresso a Portalegre, de férias, no Domingo ou ainda no sábado, já amanhã, pois parece que o pai da Mariana Calha as poderá ir buscar ao Lousal de automóvel, o que seria bom.

Hoje chegou a Rabeca do dia 13, mas o Diário de Lisboa tem prioridade, sobretudo por causa da Índia. E não só!

Terá havido, segundo as notícias amplamente divulgadas, uma intervenção dos Estados Unidos junto da União Indiana, no sentido de Nehru não recorrer ao uso da força para anexar o território considerado português pelos americanos. Se isto tiver sido verdade e se produzir efeitos, então é caso para dizer que finalmente os Estados Unidos se revelaram como um aliado e amigo. Entretanto chegou de Goa o primeiro avião com refugiados.

Mas no terreno, segundo as últimas notícias, continuaram provocações e assaltos em diversas zonas da fronteira de Goa.

Entretanto, em Paris, Portugal protestou no Conselho de Ministros da NATO por causa de falta de apoio desta organização nos casos de Angola e de Goa. Com amigos destes não precisamos de inimigos…

Continuam diligências no sentido de ser obtida uma reconciliação no Congo, por causa do Katanga. Essa questão também não se afigura fácil de resolver.

Adolf Eichmann, criminoso de guerra nazi, foi condenado à morte em Jerusalém, como toda a gente esperava.

Foi publicado mais um excelente artigo de Calvet de Magalhães, intitulado O estudo de colecções de desenhos infantis. Já o juntei à colecção.

A necessidade do 13.º mês – eis mais um texto alusivo à questão que o DL em boa hora levantou e que tantas reacções tem provocado. Do que duvido é da sua concretização oficial…

Confesso que me falta a vontade de falar na Rabeca. A razão é a mesma, a de jornais que se auto proclamam ser de Portalegre quase nada conterem de temas portalegrenses. Continuo dividido entre a convicção de me sentir excessivamente crítico e a obrigação de entender e aceitar com tolerância esta realidade. Creio que há umas semanas, quando comecei a sentir este facto, acreditava que a Rabeca marcava a diferença, mas já perdi tal ilusão. São todos iguais e que venha o Diabo e escolha!

Este exemplar do jornal só num ou noutro pormenor trata de Portalegre, das suas notícias, da sua gente, da sua realidade, do passado, presente e futuro da cidade. Por isso, e porque já me falta a paciência, nem sequer aqui anoto os títulos de artigos que nada têm a ver com a nossa terra. De Portalegre, propriamente dito, há apenas o registo do empate futebolístico (1-1) entre o Estrela e o Elvas e de sessões de cinema educativo na Escola Industrial e Comercial. Excepto os anúncios, os mortos e os aniversariantes, não há rigorosamente mais nada! Acho que isto é um escândalo. Não encontro um termo apropriado, entre os mais simpáticos, porque me apetecia ser ainda mais duro e escrever mesmo um palavrão.

Os tempos não andam a correr nada bem. Não consigo destrinçar se tudo isto é uma consequência ou é uma causa do meu estado de espírito. Provavelmente será uma coisa e outra…

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