mil novecentos e sessenta e um – dia 350

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Estou a escrever estas linhas pelo final do sábado, um sábado sem sol por dentro e por fora. Este sábado não é pior do que os últimos dias, por outras palavras, os fins de semana já não são tão maus. Tudo é mau, sem qualquer distinção.

A disposição pessoal deixou de distinguir ou classificar os dias. O passado, o presente e o futuro confundem-se no meu espírito, nivelando tudo. Por baixo.

Vejo tudo isto baralhando o tempo e a distância. Por exemplo, o que acontece na Índia e que leio ou oiço já aconteceu. Quando sei já não tem remédio nem solução, porque há centenas de minutos e milhares de quilómetros a separar-nos. De Lisboa a Goa é o mundo todo pelo meio.

Pego no Diário de Lisboa que fui buscar pelo fim da tarde, quando já me estarrecia ouvir e ver imagens e sons de arquivo mil vezes repetidos na telefonia e nas televisão. A contradição instalada mantém-se e agora terá sido o secretário-geral da ONU a fazer diligências em Lisboa e Nova Delhi, seguindo a iniciativa dos Estados Unidos. Para além destas informações na sua primeira página, o jornal acrescenta no interior que se admite em Bombaim ter sido adiada a acção militar indiana contra Goa.

Ao que parece, cerca de mil pessoas terão já abandonado este território.

O caso do Katanga não parece muito diferente, embora aqui o conflito seja aberto, com avanços e recuos das forças da ONU e das tropas locais. Mas o Katanga é Congo, não é Portugal.

A propósito, tenho vindo a registar a sucessiva ausência de toda e qualquer referência a Angola. Há largos dias que nada de concreto é noticiado cerca de qualquer eventual incidente ali sucedido. Gostaria de ter a certeza de que assim é, que está por lá tudo calmo, pois receio que este silêncio se possa dever ao facto de o caso da Índia se sobrepor a todos os outros, abafando-os.

Achei alguma piada a uma nota onde se diz ter sido escolhida num inquérito entre directores de jornais europeus a melhor notícia do ano. A escolha, por larga margem de votos, foi o voo espacial do russo Gagarine.

Se me pedissem opinião, diria sem hesitar que a melhor notícia do ano seria a de nos mandarem numa viagem terrestre e em paz para casa. Essa sim!

A propósito, a Adrilete já telefonou de Portalegre, há pouco. Felizmente, sempre tiveram transporte proporcionado pelo pai da Mariana. De comboio teriam de ir por Lisboa e pelo Entroncamento, uma eternidade.

Quando poderei estar com ela? Será que se confirma a convicção que corre cada vez mais aqui pelos corredores da nossa dispensa natalícia nos princípios da próxima semana?

Vamos a ver se termina este desespero…

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