mil novecentos e sessenta e um – dia 351

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Não quero estabelecer qualquer comparação, mas lembro-me cada vez mais de Anne Frank e do seu famoso Diário. A jovem polaca viveu gravíssimas circunstâncias cujo dramatismo só alguém sensível e corajoso como ela teria sido capaz de deixar relatado. É verdade.

O que quero simplesmente dizer é que se torna difícil manter a regularidade. Fiz para comigo uma aposta cujo cumprimento, embora próximo do fim porque faltam duas semanas no calendário, se vai tornando cada vez mais penoso. Pergunto a mim próprio se vale a pena. Terá alguma piada reler mais tarde o relato destes dias?

Anne Frank, como te entendo!

Deixemos essa literatura, retrato vivo da uma certa realidade sem necessidade de ficções. Aqui, agora, não há literatura nem teatro nem poesia, há apenas dura vida real, num vulgar quotidiano percorrido entre o desespero e a esperança.

O Caprichoso voltou de Lisboa e diz que por lá se garante que a União Indiana já tomou hoje mesmo conta de Goa, Damão e Dio com toda a facilidade e que as notícias que ainda correm por aqui são apenas fantasias e nada mais. Tudo estará já consumado. Não sei se devo acreditar, mas a dúvida instalou-se.

Rádios e televisão continuam a divulgar informações mais ou menos contraditórias como vem acontecendo desde há dias. O Diário de Lisboa não foge à regra.

As forças armadas portuguesas têm evitado com firmeza e prudência as provocações da União Indiana – este é o grande título da sua primeira página. Porém, para dar razão às informações ouvidas pelo Caprichoso, numa coluna ao lado, como notícia de última hora, relata-se que Tropas indianas ocuparam postos fronteiriços portugueses. Embora ainda não confirmada oficialmente, esta informação diz que se pode supor que a penetração das tropas indianas terá ido para além dos referidos postos. Acho que nas entrelinhas estas palavras revelam tudo…

Do Congo chega outra notícia inquietante, a de que os Estados Unidos podem sentir-se tentados a intervir militarmente se a ONU ali sofrer um malogro.

O criminoso Adolf Eichmann apelou da sentença de morte. Vale a pena?

Técnicas e expressão criadora infantil – este é o título de mais um magnífico artigo de Calvet de Magalhães, que compensa um pouco tudo o mais de negativo que o DL contém.

Os ecos do 13.º mês continuam a soar. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura – lembro o ditado, porque pode ser que esta insistência um dia resulte… Mas não será fácil.

Do DL de hoje resta-me citar uma das suas informações para mim mais importante, ainda que isso possa parecer infantil ou até primário, precisamente o anúncio da estreia, no cinema Condes em Lisboa, do filme As Aventuras de Tim-Tim.

Vou aqui colar o anúncio, espectacular, que já recortei.

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Adorava ver o filme, embora goste mais das histórias aos quadradinhos do meu herói predilecto. Pode ser que um dia ele vá a Portalegre, ao Crisfal.

Caio em mim só por ter escrito isto, que me fez descer à terra. Pode ser que um dia eu volte a Portalegre… mesmo sem o Tintin.

Amanhã é segunda-feira, um dia crucial que todos aguardamos com impaciência.

Com angústia mas também com esperança.

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