Verdun – o centenário de um massacre

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A Batalha de Verdun foi uma das principais batalhas da Primeira Guerra Mundial, na Frente Ocidental. Colocou frente-a-frente o exército alemão e as tropas francesas, de 21 de Fevereiro a 18 de Dezembro de 1916, num terreno cheio de elevações a Norte da cidade de Verdun-sur-Meuse, nordeste de França.

De acordo com estimativas iniciais, teriam morrido 714 321 homens, 377 231 do lado francês e 337 000 do lado alemão. Por cada mês de batalha, em média, teriam ocorrido 70 000 baixas. Foi a batalha mais longa, e uma das mais devastadoras em termos de baixas, da Primeira Guerra Mundial e da história militar. Estimativas actuais estimam que o número de baixas é de 976 000, quase um milhão…

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A Batalha de Verdun – também conhecida como ‘’A Máquina de Trituração de Verdun’’ – tornou-se um símbolo da determinação francesa para controlar e manter o terreno e fazer frente ao inimigo a qualquer custo. Contudo, era claro que o Alto Comando francês foi apanhado de surpresa pelo assalto de Fevereiro de 1916. Com o passar do tempo, Verdun tornou-se uma batalha de atrito na qual a artilharia teve um papel fundamental. A utilização intensiva de camiões para reabastecimento das tropas e de material nas linhas da frente foi um factor muito significativo que ajudou a equilibrar as forças entre os dois exércitos. Além disso, durante o Verão de 1916, um novo caminho-de-ferro com as vias de tamanho padrão acabou de ser construída substituindo o tráfego da antiquada “Voie Sacrée” e da ferrovia “Chemin de fer meusien“.

O Comando alemão tinha escolhido Verdun como um alvo estratégico em vez de Belfort, pois o caminho-de-ferro que atravessava Verdun em tempo de paz há muito que tinha sido interrompido. Uma linha que vinha de Sul até Verdun tinha sido cortada quando os alemães ocuparam Saint-Mihiel em 1914, enquanto a outra, em direcção a Oeste de Verdun para Paris, estava sob observação alemã e fogo de artilharia em Aubreville. Assim, no início, os estrategas alemães olharam para Verdun tal como ela era: uma saliência com três falhas, sem uma linha de caminho-de-ferro padronizada e, deste modo, uma oportunidade de preparar um assalto que derrubasse o Exército francês. O que eles não previram foi que, após passada a surpresa, a logística francesa iria melhorar e tirar-lhes a vantagem inicial.

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A Batalha de Verdun popularizou a frase do general Robert Nivelle: “Eles não passarão“, cujo texto francês original é: “Vous ne les laisserez pas passer, mes camarades“, registada na Ordem do Dia de Nivelle de 23 de Junho de 1916.

Verdun permaneceu um símbolo da determinação francesa durante anos. Na Batalha de Dien Bien Phu, 1953–54, o general Christian de Castries chamou a atenção para a situação que era “semelhante a Verdun“. A analogia não era de todo correcta pois as forças francesas cercadas em Dien Bien Phu tinham que ser totalmente reabastecidas por via aérea, numa faixa de terreno pouco segura, ao alcance da artilharia Viet Minh. Em contrapartida, as forças francesas em Verdun eram reabastecidas por estrada e caminho-de-ferro que ficavam para além do alcance do fogo da artilharia alemã.

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A 22 de Setembro de 1984, o Chanceler alemão Helmut Kohl (cujo pai tinha combatido perto de Verdun, na Primeira Guerra) e o Presidente francês François Mitterrand (que tinha sido feito prisioneiro na Segunda Guerra Mundial), reuniram-se no cemitério de Douaumont, de mãos dadas durante alguns minutos, à chuva, num gesto simbólico de reconciliação franco-alemã.

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