mil novecentos e sessenta e um – dia 354

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Hoje pela manhã um amigo meu, que aqui não identifico por óbvios motivos, garantiu-me que as histórias sobre a Índia que jornais, rádios e televisão nos impingem são todas exageradas ou mesmo falsas. Ele jurou que Salazar mandou ordens para o governador general Vassalo e Silva ordenando-lhe que apenas podia haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos. Os nossos meios de comunicação disseram que este general terá afirmado que as nossas tropas defenderiam o território com unhas e dentes, mas a verdade, segundo esse amigo, é que ele se rendeu incondicionalmente, precisamente para evitar a inútil perda de vidas.

Será mesmo esta a verdade? Tenho o meu amigo como bem informado, mas a dúvida persiste. Alguma vez se saberá o que na realidade aconteceu, lá tão longe!?

Naturalmente, associei este episódio à tal história mal contada da recente fuga de Caxias. E nunca mais se falou nisto, pudera! Perante estes exemplos, começamos a ter dúvidas…

Passei o dia a rever amigos, fui ao Magistério cumprimentar a D. Maria Teresa, à Câmara falar com o presidente e à Leitaria Chique conviver com o pessoal do Desportivo, os irmãos Murta, sobretudo. Também já tinha saudades dos petiscos da minha mãe.

Entraram em Mormugão as tropas indianas que tiveram de vencer a heróica resistência dos seus defensores – é este o grande título do Diário de Lisboa que comprei ao Pintassilgo. Este fez uma grande festa por me ver!

Voltando ao jornal, a Nota do Dia lembra as mulheres e crianças que tiveram de abandonar apressadamente o Congo, a Argélia, Angola e agora a Índia. Refugiados sem culpa, inseguros e expostos aos maiores perigos, alvos de um injusto sofrimento. O mundo em guerra é mesmo uma tragédia!

Em Portugal, a Fundação Gulbenkian vai auxiliar os refugiados. Bem haja!

Ao que parece, a agressão indiana continua a ser comentada pela imprensa internacional, onde também se reconhece a inutilidade da ONU.

O DL, apesar do tema que o domina, ainda teve espaço para lembrar o 13.º mês como uma necessidade que se impõe.

Ainda estou cansado mas começo a acreditar no futuro. Gostaria que estes dias não terminassem. Mafra é quase um pesadelo que preferia não incluir na minha vida.

A realidade, agora, é Portalegre. E o Natal. E a minha gente.

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