mil novecentos e sessenta e um – dia 355

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Embora me sinta quase no paraíso, não posso esquecer o inferno de Goa. As notícias continuam contraditórias, e agora tenho ouvido rádio e visto televisão, para além do acesso aos jornais.

Julga-se que a invasão está mesmo consumada. Foi permitida a entrada no território de Goa dos primeiros jornalistas estrangeiros. Pode ser que, finalmente, se possa conhecer a verdade sobre o acontecido, pela voz dos outros. Isenta? Nunca se sabe.

No entanto, o Governo português procura obter informações seguras do que se passou em Goa, por sua conta e risco.

Uma pequena notícia que o Diário de Lisboa traz na primeira página diz que o governador-geral do Estado da Índia, general Vassalo e Silva, está preso. Pudera, seria de esperar!

Continuam as manifestações nacionais e internacionais contra a agressão da União Indiana. É apenas o que resta…

Na outra guerra que também me preocupa porque é logo ao lado de Angola, talvez haja alguma esperança porque Adoula, do governo central congolês, e Tschombé reuniram-se para discutir a reintegração do Katanga. Será desta?

Na ONU foi criada uma comissão para recolher informações sobre o Ultramar português. É só para isto que aquela organização internacional serve! Para nos lixar, porque quando precisamos dela falha em toda a linha… É o que faz ser-se pequeno!

Uma das grandes notícias do dia é a da operação ao menisco de um joelho que Eusébio sofreu, no máximo segredo. Segundo parece voltará a poder jogar daqui a dois meses. Parece um segredo confidencial de Estado, como aquilo que se passou ou passa na Índia!

Mas como é diferente a vida em Portalegre da vida em Mafra!

Não preciso dos jornais da cidade para saber, quase sempre pouco e mal, o que por aqui se passa. Ainda que não se passe quase nada, a miseranda linha informativa dos nossos semanários ainda lhe fica atrás, pois consegue omitir os acontecimentos, já de si raros.

A cidade está mais bonita nestes meses de ausência. A Corredoura e o seu envolvimento ficaram muito bem. É o jardim por excelência de Portalegre, mais completo e diversificado que o da Avenida da Liberdade e muito mais do que o Operário. Mas estes também fazem muita falta, porque Portalegre precisa de espaços verdes espalhados por todo o lado.

Os autocarros continuam a funcionar em pleno e a sua introdução foi, de facto, uma das mais acertadas medidas desta Câmara a que pertenço. O projecto turístico da Quinta da Saúde, onde ainda não tive vagar de ir, e o abastecimento de água, excelente, a partir da Portagem, Marvão, constituem outros pontos fortes, bem como a atenção prestada às freguesias rurais que não estavam habituadas a isso. Antigamente só a cidade é que contava e o resto era paisagem…

Tenho passeado com a Adrilete, aproveitando o magnífico tempo que tem feito. Nem parece Inverno!

Escrevi no princípio que quase me parece estar no paraíso.

Confirmo.

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